BRÉSIL EN MOUVEMENTS

Publicado em: observatoriodaimprensa.com.br

 

Trabalho escravo, biocombustíveis e resistência indígena Por em 03/06/2008 na edição 488

 

O trabalho escravo, o desafio dos biocombustíveis e a resistência nas aldeias indígenas são alguns dos temas da 4ª edição da mostra “Brésil en Mouvements”, a partir da próxima semana, em Paris. O ciclo de documentários sobre direitos humanos e questões sociais no Brasil vai exibir 28 produções brasileiras, entre curtas, médias e longas-metragens. O evento é realizado anualmente pela ONG francesa Autres Brésils.

De 2 a 8 de junho, no espaço Confluences (Paris 20ème), o público poderá assistir a documentários e participar dos debates sobre os diversos desafios para a sociedade brasileira. Na pauta da “Brésil en Mouvements”, questões urgentes, como os biocombustíveis ou a violência policial, presentes nos filmes Açúcar e flores em nossos motores e Atos dos homens, a precariedade das moradias nas regiões pobres e o trabalho escravo, em 1 ano e 1 dia e Nas terras do Bem Virá. Também serão exibidas obras sem espaço em circuitos comerciais, como Migrantes, de Beto Novaes, e A gente luta mas come fruta, do grupo Vídeo nas Aldeias.

Nesta 4ª edição, participam dos debates Xavier Plassat (frei dominicano francês que luta contra o trabalho escravo no Brasil através da Comissão Pastoral da Terra), Alain Lipietz (economista e deputado europeu), Douglas Estevam (MST – Movimento dos Sem-Terra), Gustave Massiah (CEDETIM – Centro de Estudos e Iniciativas de Solidariedade Internacional) e Jérôme Frignet (Greenpeace). Também estarão presentes diretores como Pascale Hannoyer (A casa engraçada) e Pierre-Yves Dougnac (Amapá).

Programação

Segunda, 2 de junho: Desenvolvimento sustentável : ficção ou realidade?

19h

Amapá, de Pierre-Yves Dougnac, 50’, 2005

Entre 1994 e 2002, o estado do Amapá deu início a uma experiência inédita de desenvolvimento sustentável, a fim de reconciliar homem e natureza e preservar a floresta amazônica. Políticos, especialistas, policiais e comerciantes dão um testemunho de esperança a partir da abordagem de administração pública.

Lutzenberger – For ever Gaïa, de Franck Coe e Otto Guerra, 52’, 2007

Uma obra em defesa pela vida e pelo desenvolvimento sustentável que apresenta a filosofia e as realizações do ecologista José Lutzenberger. As seqüências filmadas por Franck Coe se alternam com animações de Otto Guerra, revelando o universo da infância de Lutz.

21h – Debate

Taxa de crescimento, PIB e indicadores da Bolsa de Valores ditam o ritmo da economia e influenciam diretamente as decisões dos governantes. No entanto, deixam de lado o que interessa ao desenvolvimento de uma sociedade: bem-estar, respeito ao meio ambiente, acesso à saúde e à educação. Como podemos encarar o desenvolvimento, colocando-o a serviço do homem?

Debatedores: Pierre-Yves Dougnac (diretor de Amapá); Collectif Richesses*

Moderador: Eros Sana (Association Veto, Réseau ZEP – Zona de Ecologia Popular)

Terça, 3 de junho: Biocombustíveis : energia da desesperança?

19h: Migrantes, de Beto Novaes, 50’, 2007, VOSTFr

Um retrato das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores do Nordeste brasileiro nas plantações de cana de açúcar do estado de São Paulo. Que circunstâncias os levam a deixar suas casas para trabalhar em condições de risco?

Açúcar e flores e nossos motores (Du sucre et des fleurs dans nos moteurs), de Jean-Michel Rodrigo, 52’, 2006, VF

Tratado de Kyoto, aumento do consumo de combustíveis, diminuição das reservas, aumento vertiginoso do preço do barril de petróleo. O surgimento dos biocombustíveis é uma realidade inegável. Os setores industrial e bancário investem massivamente na produção. Preocupada com sua independência energética, a Europa entra na corrida…

21hs.: Debate

O Brasil se destaca como um dos líderes mundiais na produção de biocombustíveis à base de cana de açúcar. O ouro verde provoca a concorrência: os Estados Unidos se lançam e a Europa também já se mexe. Mas usar alimentos para abastecer carros e indústrias não é uma aberração? O entusiasmo atual encontra alguns limites: a questão agrária, o consumo de água, as condições de trabalho rural e um modo de consumo que se torna mundial.

Debatedores: André Pereira (CIRED – Centro Internacional de Pesquisa sobre Meio-Ambiente e Desenvolvimento) ; Jérome Frignet (Greenpeace); e Alain Lipietz (economista e deputado europeu)

Moderador: Patrick Piro (jornalista da revista Politis)

Quarta, 4 de junho: Ocupar, resistir e viver!

19h.: Desfocados, de David Gomes e Rodrigo Lobão, 12’, 2007, VOSTFr

Os sem-teto de Juiz de Fora (MG) contam suas histórias, seus percursos, suas perspectivas e seus sonhos.

Estado de Seca, de Adriana Cursino, 18’, 2007, VOSTFr

João ocupa uma escola pública abandonada em Vale da Seca (MG). Quando um rico fazendeiro quer sua expulsão, ele resiste e se proclama guardião do local, onde vive com a esposa e quatro filhos. Neste documentário, João revela sua visão de mundo e uma filosofia intuitiva da vida.

Encontro com a diretora Adriana Cursino

20h.: Direitos esquecidos, da Brigada de Guerrilha Cultural do MTST, 16’, 2005 VOSTFr

Ocupação, organização e dia-a-dia no acampamento Chico Mendes (São Paulo).

1 ano e 1 dia, de Cacau Amaral, Rafael da Costa e João Xavier, 15’, 2004, VOSTFr

Depois de 366 dias de ocupação, os habitantes do acampamento 17 de maio, na Baixada Fluminense (RJ), tornam-se proprietários legais do local e se encontram nos preparativos para uma festa, lembrando, com emoção, do ano de resistência.

21h: – Debate

Direito à moradia, direito à terra, direito às cidades… Direitos de milhões de pessoas que são deixados de lado. Como lutar contra as desigualdades e impedir a exclusão dos mais pobres, primeiras vítimas da especulação imobiliária e da discriminação?

Debatedores: Douglas Estevam (MST – Movimento dos Sem Terra); Bruno Six (Fundação Abbé Pierre); um representante da Aitec (Associação Internacional de Técnicos, Especialistas e Pesquisadores); Cacau Amaral (Coletivo Mate com Angu)

Moderador: Ivan du Roy (jornalista do Témoignage Chrétien e Bastamag.org)

Quinta, 5 de junho: Escravos no século XXI

19h: Aprisionados por promessas, de Xavier Plassat, Tamaryn Nelson e Beatriz Afonso, 17’, 2006, VOSTFr

Exploração agrícola, minas, o trabalho escravo no Brasil continua vivo. A cada ano, a lei da bala mantém mais de 25 mil trabalhadores sob o jugo da exploração. Em condições degradantes, eles trabalham para comprar a liberdade.

Nas terras do Bem-Virá, de Alexandre Rampazzo et Tatiana Polastri, 110’, 2007, VOSTFr

Em busca da terra prometida, milhares de “severinos” abandonam suas casas e partem para a Amazônia, levando somente a esperança como bagagem. Mas a realidade logo se mostra hostil: trabalho escravo, assassinato, espoliação da terra… O filme denuncia o modelo de colonização da Amazônia e o ciclo do trabalho escravo na região.

21h30 – Encontro com Xavier Plassat; Alexandre Rampazzo e Tatiana Polastri

Sexta, 6 de junho: A imagem a serviço do engajamento

19h: Carta branca à Kinoforum

Tele Visões, de L. Oliveira, N. Gouvêa, T. de Brito, 14’, 2003, VOSTFr

Armando o Barraco, de R. Valadares, D. Barreto, F. Oliveira, A. Freitas, G. Dantas, F. Dantas, 7’, 2003, VOSTFr

Gestando, de F. Mendes, F. Felix, M. B. Dos Santos, E. Borges, E. Almeida, M. Silva, 6’, 2003, VOSTFr

Aqui Fora, de C. Nunes, J. C. Penha, 8’, 2004, VOSTFr

Filhos do trem, de F. Benichio, M. Domingues, R. Silva, L. Rodrigues, 5’, 2005, VOSTFr

O lado B da periferia, de A. R. da Conceiçao, B. V. do Nascimiento, F. Reite da Silva, J. Sousa Guedes, J. Saraiva, 5’,2005

Jardim Ângela, de Evaldo Mocarzel, 71’, 2007, VOSTFr

No Jardim Ângela, periferia de São Paulo, a associação cultural Kinoforum organiza cursos de realização de vídeo, permitindo aos jovens moradores filmar a própria comunidade. Mesmo numa região marcada pelo tráfico de drogas, o local pode ser visto de maneira positiva, é a mensagem dos participantes do ateliê.

21h: Debate

As imagens invadiram nosso mundo e trazem com elas implicações estéticas e sociais sobre nossa realidade e nosso modo de viver. Diante disso, é importante aprender a abordar os desafios sociais e os espaços para divulgação da produção e de difusão das imagens.

Debatedores: Luciano Oliveira (Kinoforum); Claudie Le Bissonais (Arcadi – Passeurs d’Images); Cacau Amaral (Mate com Angu)

Moderadora: Erika Campelo (Autres Brésils)

Sábado 7 de junho: Ao encontro dos índios do Brasil

16h: Pirinop – Meu primero contato, de Mari Corrêa e Karané Ikpeng, 83’, 2007, VOSTFr

O ano de 1964 marca o primeiro encontro entre os índios Ikpeng e o povo branco no rio Xingu, Mato Grosso. Ameaçados pela invasão dos garimpeiros em busca do ouro, eles são transferidos para o Parque Indígena de Xingu, onde vivem até hoje. Os Ikpeng alternam tristeza e humor quando lembram os momentos em que tiveram que mudar radicalmente de vida.

A gente luta mas come fruta, de Bebito Piãko et Isaac Piãko, 40’, 2006, VOSTFr

No vilarejo APIWTXA, próximo ao rio Amônia (AC), a gestão agroflorestal dos índios Ashaninka desenvolve um trabalho de recuperação e preservação dos recursos naturais da reserva ao mesmo tempo em que resiste aos madeireiros que invadem seu território, junto à fronteira do Peru.

Encontro com Janine Vidal (CSIA – Comitê de Apoio aos Índios da América)

Mulheres na prisão

19h: O cárcere e a rua, de Liliana Sulzbach, 81’, 2004, VOSTFr

Cláudia é a presidiária mais antiga e respeitada da penitenciária Madre Pelletier. A que dá ordens e protege. Protege, por exemplo, a jovem Daniela, que corre risco de vida por ser acusada de ter matado o próprio filho. Mas Cláudia, assim como Betânia, deve deixar a penitenciária em breve. Daniela terá que se defender sozinha. Cláudia sai em busca do filho. Betânia sente a tentação de deixar de lado as regras do regime semi-aberto para viver a liberdade em companhia de um novo amor.

Violência policial

21h: Atos dos Homens, de Kiko Goifman, 75’, 2006, VOSTFr

Um raio X da Baixada Fluminense (RJ). O cotidiano dos moradores da região, que convivem com a desigualdade social e a banalização da morte, que se torna corriqueira para a solução de conflitos.

Domingo, 8 de junho : Brasiliatypique

16h: O Homem da Árvore, de Paula Mercedes, 19’, 2007, VOSTFr

Mario, ex-presidiário, vive do alto da árvore que escolheu como casa, em frente ao Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, em Brasília. Para ganhar dinheiro, ele separa o lixo das embaixadas… E luta para provar sua inocência e retomar sua honra.

Oficina Perdiz, de Marcelo Díaz, 20’, 2006, VOSTFr

SCRN 708/9, entre os blocos C e D, área pública, Brasília-DF. Na Oficina Perdiz, o espaço é dividido entre carros e peças de teatro.

Novos modelos de organização social

17h: É tudo mentira, de Jaco Galdino e João Paulo Saraiva, 11’, 2007, VOSTFr

É tudo mentira é resultado de uma campanha local contra o desenvolvimento a qualquer preço, movido simplesmente por ambição.

Multiplicadores, de Renato Martins e Lula Carvalho 15’, 2006, VOSTFr

A cultura do grafite é reconhecida como uma ferramenta de integração social. Os muros cinzas da exclusão caem graças ao jogo colorido das latas de tinta utilizadas pelos jovens como um símbolo de reconhecimento social.

A casa engraçada, de Pascale Hannoyer, 56’, 2007, VOSTFr

A ONG carioca “Se essa rua fosse minha” acolhe crianças de rua e jovens moradores de favelas em oficinas circenses. A esperança trazida por este projeto é contada através de três testemunhos.

Ajuste, de Daniel Veloso, Marcelo Berg, Robert Cabanes, Zé Cesar Magalhaes, 57’, 2005/06, VOSTFr

A partir dos depoimentos de líderes sociais da periferia de São Paulo, este documentário confronta diferentes experiências de trabalho e intervenção social.

Encontro com Pascale Hannoyer, Robert Cabanes et Renato Martins

Estado de lutas

20h: Movimento, de Marcello Lunière, 53’, 2008, VF

Frei Betto é um homem engajado. Torturado na prisão durante a ditadura militar, ele se dedica a ensinar sua “educação popular” aos companheiros de cela. Posteriormente, Frei Betto também participará do desenvolvimento de grandes movimentos sociais no Brasil, incitando os menos favorecidos a se organizarem para lutar por justiça social.

21h: Debate

O Brasil conta com movimentos sociais participantes e uma sociedade civil ativa, tanto que o Fórum Social Mundial nasceu em Porto Alegre (RS). As experiências e a prática de luta nos países do hemisfério Sul poderão servir como inspiração para os novos movimentos sociais que começam a surgir no hemisfério Norte?

Debatedores: Marcello Lunière; Xavier Plassat (CPT – Comissão Pastoral da Terra); Yves Cabannes (Aitec – Associação de Técnicos, Especialistas e Pesquisadores); Gustave Massiah (Cedetim – Centre de Estudos e de Iniciativa de Solidariedade Internacional); Douglas Estevam (MST – Movimentos dos Sem Terra)

Moderadora: Suzanne Humberset (Ritimo – Rede de centros de documentação e de informação pelo desenvolvimento e pela solidariedade internacional)

Autres Brésils

A associação Autres Brésils permite ao público francófono descobrir a realidade social, cultural e política da sociedade brasileira, combatendo a visão distorcida provocada pelos clichês comuns em diversos países. No seu site, a ONG apresenta informações, análises, reportagens e conteúdos de parceiros franceses e brasileiros (mídia, universitários, professores e outros atores sociais). Regularmente, a Autres Brésils organiza eventos culturais, como projeções de documentários, debates e exposições fotográficas sobre experiências inovadoras em matéria social.

 

Publicado em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/trabalho-escravo-biocombustiveis-e-resistencia-indigena

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Sobre Cacau Amaral

Cineasta brasileiro. Direção em 5X Favela; 1 Ano e 1 Dia; Cineclube Mate com Angu; Sociedade Musical Lira de Ouro; Programa Espelho e Aglomerado. https://cacauamaral.com/
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