Estava andando de bicicleta como todo domingo
Vi um monte de carros estacionados
Normalmente não tinha nenhum carro aqui
Me aproximei para ver de que se tratava
Tinha um monte de caras descendo a ladeira perto da minha casa
Eram os “Loucos por Rolimâ”
Seus carrinhos tinham quatro rodas
Os carrinhos do meu bairro tinham três rodas
Uma na frente e duas atrás
No bairro Centenário
Nos poucos morros que foram asfaltados
Era muito difícil arrumar uma roda de bilha
No ferro velho
No lixão
Desengripando com querosene
Uma tábua de trinta
O truck de perna de três
O leme de caibro
Tinha uns carrinhos com freio
Mas a maioria era sem freio
Só parava quando o morro acabava
A molecada não queria saber de outra vida
Se não fosse tempo de pipa
Bola de gude ou peão
Era chegar da escola e pegar o patinete
Descer de trenzinho
Um patinete atrás do outro
Ou então apostar corrida
Se caísse era peito no asfalto
Chegava em casa em carne viva
Ainda ficava de castigo
Essa era nossa vida
Descendo o morro de patinete