RICARDO… sabe pra onde vai
Moleque maloqueiro, filho pardo sem pai
De dia fica em casa cuidando da irmã
À noite perambula nas esquinas do slam
Aprendeu tudo na rua andando pela cidade
Muito mais do que na universidade
Lugar imponente e assustador
Onde vivia de canto discriminado por Playboy
Mesmo com um trabalho realizado com maestria
Cultuado e premiado pela reitoriaMesmo com um trabalho realizado com maestria
Cultuado e premiado pela reitoria
Um jovem de talento lutador de verdade
Carrega nas costas toda arte de uma universidade
Divulgando que na rua tem coisa muito legal
Batalha de rima, slam, sarau
No caminho da escola, no caminho do trabalho
No caminho pra slam sempre um campo minado
Questão racial, na época colonial
Questão cordial, travestia o mesmo mal
Questão cultural, resgate do original
Racismo, racismo, racismo
Se existe até hoje, em grandes proporções
é porque ele foi um projeto antigo
Desde o dia que um grupo de vacilão
Se reuniu pra deliberar que a melhor opção
Seria sequestrar o africano transportar em tumbeiro
Torturar no cativeiro
Aliás, ainda faz até os dias atuais
Quando patrocina a opressão de policiais
Se você acha que isso não passa de uma invenção
Se concentre em apenas uma reflexão
Quem veio morar no Brasil e recebeu terra
Quem veio sequestrado dentro da caravela
O preconceito de quem mora no Sul e sudeste
contra quem mora na região Nordeste
Acontece por uma questão de negritude
E nunca por uma questão de latitude
Diante de tanta violência o povo resiste
Insiste em levantar sua voz
Gritando que a escravidão moderna deveria acabar
Que cada rico deveria pagar
Por que você acha que eles morrem de medo
Do candomblé, da capoeira, do samba enredo
Do break, do grafite e do rap
Inspiração da molecada pra fazer o trap
Cada uma dessas manifestações
repercute a ideia de reparações
A pacificação começa pelo genocídio
A base de tiro no menos favorecido
Diante da violência estatal
a resistência multiplica em cada sarau
Onde os jovens se encontram para resistir
Discutir. Namorar. E se divertir.