Crianças de 30

Os três primeiros filmes que realizei em minha vida foram documentários. Por isso me considerava um pouco distante da arte da interpretação. Um dia, em uma aula de direção, na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, não havia atores pra dirigirmos e me ofereci pra ser dirigido pelos colegas de classe. A dificuldade em entender o que os diretores queriam comigo me fez perceber o quanto é importante a comunicação entre essas duas figuras, diretor/ator.

Trabalhava a alguns anos na Cia de Teatro Tumulto, fazendo trilhas sonoras, e por isso tinha a faca e o queijo. Em dois anos participei de duas peças, atuando, e essa rotina de ensaios, jogos, etc; me fez penetrar nesse universo complexo que é a cabeça do ator e da atriz. Essa pequena experiência permitiu-me entender melhor o que seria a direção de atores.

Vivi um momento intransferível em 5x favela, que foi dirigir os atores mirins Pablo (9) e Juan (11). No primeiro ensaio, eu e Felha ficamos morrendo de medo. Alguns dias antes, um amigo disse que ensaiar crianças é como filmar de um helicóptero sobre o chão de terra. Você passa horas e horas jogando água pra não levantar a poeira e se não fizer essa tarefa bem feita, se não molhar o chão como se fosse a última coisa que faria em sua vida, na hora de filmar a poeira levantará e você perderá todo o trabalho. Dirigir crianças é como filmar com helicóptero: você deve se dedicar por inteiro a essa tarefa. Um pequeno deslize pode custar todo um trabalho de preparação.

Por essas e por outras resolvemos brincar. Não sei se foi por falta de opção, por não conhecermos outras técnicas, se foi a mão invisível do cinema, ou se somos fodas mesmo; mas sei que a cada ensaio brincávamos mais e mais. Tanto, mas tanto, que quem chegasse de fora não entenderia nada, pensaria que estávamos em um momento único de descontração, o que de certa forma não deixa de ser verdade. Cheguei ao ponto de perder o controle, pois traçava metas para cada ensaio e as aplicava através dessas brincadeiras, que nós mesmos criávamos. Nem sempre ou quase nunca conseguia cumprir essas metas e hora por descontrole, hora por eu mesmo me contaminar com as brincadeiras, voltei a ser criança e me nivelei com os atores. Ao invés de transformá-los em dois adultos de 10, nos transformamos, eu e Felha, em duas crianças de 30. Essa interação foi fundamental no momento da filmagem.

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‘5x Favela’ é selecionado para o Festival de Paulínia

Publicado em: veja.abril

O filme 5x Favela, Agora por Nós Mesmos, projeto do cineasta Cacá Diegues, foi selecionado para o Festival de Cinema de Paulínia, cidade do interior paulista que tem investido pesado para se tornar uma espécie de Hollywood brasileira. A terceira edição do festival acontece entre 16 e 21 de julho, no teatro municipal de Paulínia. O melhor longa receberá 150.000 reais.

Além de 5x Favela, concorrem ao prêmio os longas Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini (RJ), Broder, de Jeferson De (SP), Dores e Amores, de Ricardo Pinto e Silva (SP), e Desenrola, de Rosane Svartman (RJ). Um sexto filme deve ser anunciado em breve pela organização do evento.

Serão exibidos ainda seis documentários, como São Paulo Cia de Dança, de Evaldo Mocarzel (SP) e As Cartas Psicografadas de Chico Xavier, de Cristina Grumbach (RJ), e 13 curtas-metragens.

Publicado em: http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/5x-favela-selecionado-festival-paulinia

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5 X FAVELA, POR NOS MESMOS (5 X FAVELA)

Synopsis

SOURCE OF INCOME
Directors: Manaíra Carneiro and Wagner Novais
A young man fulfils his dream to go to Law University, but is faced with difficulties paying up his expenses with books and transport. He feels tempted to sell drugs to his friends at university, thus raising the money to fund his studies.

RICE AND BEANS
Director: Rodrigo Felha and Cacau Amaral
Wesley, a young boy, listens to a confession by his father: he is tired of the household menu, always consisting of a plate filled with rice and stewed beans. The boy, joined by his friend Orelha, decides to find some money to buy a chicken.

CONCERT FOR VIOLIN
Director: Luciano Vidigal
The children Márcia, Jota and Ademir vow to remain friends for ever. Later, in their adulthood, Jota is involved in drug trafficking while Ademir has joined the police force. If the two are brought against each other, Márcia may be prevented from fulfilling her dream to play the violin.

LET IT FLY
Director: Cadu Barcelos
Flávio lets his friend’s kite fall across the other quarter of the favela, which is run by a rival gang. Even though he is aware of the prohibition, Flávio decides to collect the kite.

LET THERE BE LIGHT
Director: Luciana Bezerra
On Christmas Eve, the shanty town hill has been out of power for three days. The engineers who have been sent over by the power utility company do not manage to fix the problem. The residents kidnap one of the engineers, taking him as a hostage until the light supply is restored.
Press kit download (PDF)
english press kit 5x FAVELA Credits
Cacau AMARAL – Director
Cadu BARCELOS – Director
Luciana BEZERRA – Director
Manaira CARNEIRO – Director
Rodrigo FELHA – Director
Wagner NOVAIS – Director
Luciano VIDIGAL – Director
Contacts and useful links
Production
LUZ MAGICA PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS – Rua Marques de São Vicente 456 – Gávea CEP 22451-040 – Rio de Janeiro – RJ Brasil – T : + 55 21 3095-7300 – renatamagalhaes@luzmagica.com.brhttp://www.luzmagica.com.br GLOBO FILMES (BRESIL)
International press
VANESSA JERROM/CLAIRE VORGER – Vanessa Jerrom – T : +33 (0)6 20 10 40 56 – vanessajerrom@wanadoo.fr
Foreign sales
ELLE DRIVER – T : +33 (0)6 10 45 29 37 – eva@elledriver.eu

Publicado em: http://www.festival-cannes.com/en/archives/ficheFilm/id/11023470/year/2010.html

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5x favela na Rolling Stone

Ator: Silvio Guindane, Cíntia Rosa
Diretor: Manaíra Carneiro e Wavá Novais; Cacau Amaral e Rodrigo Felha; Luciano Vidigal; Cadu Barcellos; Luciana Bezerra

Cinco curtas revelam que há esperança no cotidiano dos morros cariocas

Resultado de uma oficina audiovisual que teve como mentor o cineasta Cacá Diegues, este longa de cinco episódios dirigido por estreantes faz reverência à obra homônima de 1962 que prenunciou o Cinema Novo e do qual o veterano participou. Mostra-se a vida nos morros cariocas pelo ponto de vista de sete realizadores, residentes em cinco diferentes comunidades, que já vinham realizando seus curtas do jeito que dava. O que chama a atenção são a afetuosidade e a positividade que dominam nas histórias, ao contrário do tom sombrio que caracteriza os chamados “favela movies”. Com exceção do terceiro curta (Concerto para Violino), o único a ter um final triste, mas que evita uma tragédia ainda maior, há esperança e felicidade nas outras histórias, em especial na segunda, Arroz com Feijão, com participação afetuosa como ator de Ruy Guerra e final já antológico, e a última, Acende a Luz, uma festa de Natal que faz jus aos mosaicos humanos do mestre italiano Mario Moniccelli. Não à toa, o filme conquistou o prêmio do público, além do de melhor filme pelo júri oficial (e mais outros cinco prêmios) no recém-concluído 3º Paulínia Festival de Cinema.

Por Christian Petermann

Publicado em: . Acesso em: 6 de maio de 2012.

Fernanda Oliveira / Divulgação

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5X Favela – Foto da Contigo em Cannes

Publicado em: http://contigo.abril.com.br/famosos/cadu/professor/fotos?abrefoto=4#fotonav=4

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Hoje acordei com uma vontade danada de ir pra Cannes

Duas semanas após embarcarmos na maior viagem de nossas vidas, já sinto saudades dessa aventura. Após onze horas de vôo a concentração para a caminhada pelo tapete vermelho de Cannes foi indescritível. Observava as pessoas esperando, fotos e mais fotos. Não fazia a menor ideia do que estava por vir. No dia seguinte, nossa primeira projeção para a crítica mundial me deixou bastante nervoso. Sabia que se apenas um dos críticos soltasse um comentário de desagrado, isso poderia dar início a uma reação em cadeia que seria difícil de contornar, mas ao contrário o que os jornais do Brasil e do mundo noticiaram foi muito positivo, até mais que esperava.

Após uma tarde inteira de entrevistas, fomos para a primeira projeção pública do filme. Do alto da sala onde aguardávamos o início da sessão era possível ver a fila para entrar, a primeira fila da minha vida. Esqueçam tudo que falei sobre a emoção de caminhar sobre o tapete vermelho. Essa caminhada tem uma simbologia muito sinistra, mas não chega nem aos pés da emoção real, se e que posso dizer assim, dos minutos antecessores à projeção.

Aguardávamos atrás da platéia quando o mestre de cerimônias começou a nos anunciar, um de cada vez. Fomos para diante do público e nesse momento quase já não me mantinha de pé. Após o Cacá agradecer a recepção e nos sentarmos nos lugares reservados, olhei pro lado e falei pro Cadu: vou chorar! Seus olhos encheram d’água e não resisti. Protegido pela sala escura chorei igual criança, igual Wesley e Orelha. Tentava esconder, mas não era necessário pois estava abafado pelo soluçar de todos diretores e elenco, que também se derretiam em lágrimas.

Ao final da primeira história o público aplaudia como se o filme já tivesse acabado. Cheguei até a ficar preocupado, pois os aplausos invadiam o início da segunda história e eu nada poderia fazer nessa espécie de tortura boa. Na primeira piada quando todos riram fiquei impressionado como o tempo dessa ação funcionou, mesmo em terras distantes, mesmo com a barreira da língua, mesmo com a legenda.

Quando os créditos finais subiram as pessoas começaram a nos aplaudir, primeiro sentadas, depois de pé, depois não paravam mais. Senti uma coisa estranha, ao mesmo tempo que esperava os aplausos se esgotarem, curtia aquele momento, aplaudia também e abraçava a equipe. Foi ótimo. Voltamos pra frente da platéia e começamos a dançar sobre a música tema. As pessoas riam, nos parabenizavam. Sentia uma coisa, assim, tipo missão cumprida.

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Brésil : 5 X Favela

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Publicado em: http://fr.globalvoicesonline.org

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Brésil : 5 X Favela, ou comment briser par l’art les barrières sociales et culturelles

Publicado em: fr.globalvoicesonline.org

Le projet 5X Favela [5 fois Favela], qui vise à enseigner à des jeunes des favelas (bidonvilles) de Rio de Janeiro le travail dans l’industrie du cinéma, a présenté son premier film de long-métrage, “5X Favela: Por Nos Mesmos” au prestigieux Festival du Film de Cannes le 18 mai.

Le film se compose de cinq courts-métrages de 20 minutes [en portugais], réalisés chacun par des étudiants des différents ateliers de cinéma du Projet 5X Favela animés par des réalisateurs brésiliens renommés tels que Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Walter Lima Jr (en anglais), Daniel Filho [en portugais], Walter Salles, Fernando Meirelles, João Moreira Salles et d’autres encore.  ”5X Favela: Por Nos Mesmos” reflète la voix et le point de vue des jeunes qui vivent (et grandissent) dans les favelas de Rio de Janeiro.

Difficile de ne pas tomber sous le charme d’un projet social et culturel de cette ampleur [en portugais], qui veut non seulement faire connaître au public tant brésilien qu’international la vie des habitants des bidonvilles, mais aussi professionnaliser et gratifier d’opportunités des jeunes gens talentueux qui apportent des idées neuves au cinéma brésilien (en anglais).

Les participants à la production du film ont passé par un apprentissage long et ardu jusqu’à la sélection finale pour le projet. 229 jeunes ont fréquenté divers ateliers, tels que l’écriture de scénarios, la mise en scène, la direction, la production, la photographie, la direction artistique, le montage, la post-production et l’interprétation. Ils ont aussi touché une allocation pour leur permettre d’assister aux cours. A partir de ces ateliers, 84 jeunes ont été choisis pour se joindre à l’équipe du film, auteur de “5X Favela: Por Nos Mesmos”.

Pendant la production (Photo avec l’autorisation de la production)

Les ateliers ont été montés en partenariat avec des associations et communautés des favelas et la CUFA [en portugais] [Unité Centrale de la Favela à Cidade de Deus [Cité de Dieu], le Nós do Morro (à Vidigal), l’Observatorio de Favelas (dans le Quartir Maré) (ces deux liens en anglais), AfroReggae [en portugais] (à Parada de Lucas ) et la Cidadela/Cinemaneiro [en portugais] (dont le siège est dans le quartier de Lapa, réunissant des habitants de diverses communes de la route Linha Amarela) [en portugais].

Publié sur le blog du projet, le Professeur Ruy Guerra, patron du groupe, a donné une note d’émotion lors de la clôture des ateliers :

Para ser bem sucedido em qualquer forma de expressão artística, como no cinema, não basta a sensibilidade, a intuição e o talento. É preciso ser do seu tempo. É preciso saber de onde viemos, para saber quem somos, para falar do presente, do passado, e até do futuro, que é também um território da arte.
É indispensável termos a consciência clara que nunca estamos prontos, que devemos estar sempre de olhos abertos, bem abertos, vendo, lendo, questionando, vivendo.

(…)Antes queria que soubessem por que é que este momento é tão especial para mim. Por que este encontro, além de um ato festivo, além de um ritual de passagem, é também um gesto político importante. Este encontro, no qual todos nós somos atores, faz parte do sentimento político que os fazedores de cinema, (e aqui uso o termo cinema no sentido amplo de todas as formas de expressão que usam as imagens em movimento), podem e devem vir de todas as camadas sociais de uma nação, e não apenas de minorias previlegiadas. E que o cinema, como objeto, como filme, pode e deve estar ao alcance de qualquer um. Todos aqui, estou certo disso, estamos habitados por essa convicção.

Pour réussir dans une forme quelle qu’elle soit d’expression artistique, comme dans le cinéma, la sensibilité, l’intuition et le talent ne suffisent pas. Il faut être de son temps. Il faut savoir d’où nous venons pour savoir qui nous sommes, pour parler du présent, du passé, et même du futur, qui est aussi un territoire de l’art. Il est indispensable d’avoir une claire conscience que nous ne sommes jamais prêts, que nous devons toujours avoir les yeux ouverts, regarder, lire, questionner et vivre.

(…) Je voulais d’abord que vous sachiez pourquoi ce moment est si spécial pour moi. Pourquoi cette rencontre, tout en étant un acte de fête, un rite de passage, est aussi un geste politique important. Cette rencontre, dont nous sommes tous acteurs, fait partie du sentiment politique que les fabricants de cinéma, (et j’utilise ici le terme cinéma au sens large de toutes les formes d’expression utilisant des images en mouvement), peuvent et doivent venir de toutes les couches sociales d’une nation, et pas seulement des minorités privilégiées. Et que le cinéma comme objet, comme film, peut et doit être accessible à tout un chacun. Nous sommes tous ici, j’en suis sûr, habités par cette conviction.

Il y a quelques semaines, Rodrigo Felha, l’un des réalisateurs du film, rapportait sur son blog sa joie et son anxiété sur les chances que le film soit projeté à Cannes:

“Quinta-feira dia 15 de Abril é quebrada a ansiedade de saber se estamos no Festival de Cannes. É verdade, é histórico… das favelas cariocas pra Cannes, uma responsabilidade muito grande, do jeito que gosto. Agora é manter os pés no chão e se preparar. Ganhar o mundo não é pra qualquer um, mas é pra quem corre atrás e sabe representar uma massa de profissionais de qualidade que moram nas periferias do Rio e do Brasil. Espero estar representando bem! Vamu q vamu…”

“Jeudi 15 avril prendra fin l’anxiété de savoir si nous serons au Festival de Cannes. C’est vrai, c’est historique… les favelas de Rio à Cannes, c’est une très grande responsabilité, comme je les aime. Il faut maintenant garder les pieds sur terre et se préparer. Gagner le monde n’est pas à la portée de n’importe qui, mais pour ceux qui font tout leur possible et représentent une masse de professionnels de qualité habitant les marges de Rio et du Brésil. J’espère que vous êtes tous bien représentés ! Allons-y… “
Les réalisateurs du film (Photo avec l’autorisation de la production)

Le film est bien allé à Cannes, et selon plusieurs textes encourageants circulant sur Facebook et Twitter, il a du succès :

Cannes ferveu com a festa do 5xFavela ontem, tomara que alguém poste fotos ou vídeos. “Mas eu só quero é ser feliz, fazer a minha mala para vir até Paris, e poder me orgulhar de vir aqui pra cannes com a Renata e com o Cacá”. Foi emocionante pacas. Ponto alto do festival. (A. L. B.  no Facebook)

La réception de 5x Favela a mis Cannes en ébullition hier soir, avec un peu de chance quelqu’un publiera des photos ou des vidéos. “Tout ce que je veux, c’est le bonheur, que mes bagages arrivent à Paris, et pouvoir m’enorgueillir d’être à Cannes avec Renata et le Cacá.” [plaisanterie sur les paroles d’une chanson funk, disant : “Tout ce que je veux, c’est le bonheur, vivre en paix dans la favela où je suis né”, qui rime parfaitement en portugais]. C’était émouvant à voir. Le point culminant du festival. (A. L. B. sur Facebook)

@Ana_Moreno @la_lima J’ai regardé les courts-métrages de 5xFavela hier soir, c’était très émouvant, tout le Brésil y était !

@LuigiGt @5xfavela Le film que nous Devons tous voir !

@malu_muniz (+) un fresco de ficción sobre base desgraciadamente real firmado por cineastas jóvenes e inexpertos que saben de lo que hablan… #5xfavela

@malu_muniz (+) une fresque de fiction sur la réalité dégradante signée par des cinéastes jeunes et inexpérimentés qui savent de quoi ils parlent… # 5xfavela

Voici la bande-annonce du film :

Il reste des barrières à briser

Mais la vie n’est pas un lit de roses. Juste avant son départ pour le festival de Cannes, un des réalisateurs du film, Rodrigo Felha, s’est fait humilier par des policiers sur la place de Cidade de Deus [Cité de Dieu]. Le blog BrazilianGirlsRadio raconte :

O fato ocorreu na noite de sábado (15/5) na Praça da Cidade de Deus  (apartamentos). Ele foi vítima de abuso policial sendo obrigado a ficar em trajes íntimos na presença de outros moradores.

L’incident s’est produit samedi soir (15/5) sur la place de Cidade de Deus (appartements). Il a été victime de harcèlement policier et contraint à rester en sous-vêtements en présence d’autres résidents.
Scène du film (Photo avec l’autorisation de la production)

MVBill [en portugais], un rappeur brésilien en vue, a lui aussi dénoncé l’incident sur Facebook et twitter :

@mvbill  Diretor do Filme 5xFavela é humilhado na véspera do embarque para Cannes #cannes http://migre.me/FoYh MV Bill TTbr#viradacultural

@mvbill Le réalisateur du film 5xFavela humilié à la veille de son départ pour Cannes http://migre.me/FoYh # # MV Bill TTBR viradacultural

Celso Athayde [en portugais], un responsable local et fondateur de Cine Cufa [en portugais], un festival de cinéma qui présente des films réalisés par les habitants de quartiers pauvres de plusieurs pays, a également évoqué cet épisode sur son blog :

Essa não é a polícia que queremos, como também não acreditamos que isso seja orientação do Governador Sergio Cabral ou do Comandante da PM, ao mesmo tempo queremos sair do caminho comum da simples denúncia e punição do policial autor dessa arbitrariedade, pois, para nós da Cufa, isso seria muito fácil, no entanto seria como enxugar um chão molhado e deixar a torneira aberta, pois a cultura dominante autoritária que carrega o estereótipo das favelas e seus habitantes como humanos (sem direitos) permaneceria, mesmo com o policial punido.

Ceci n’est pas la police que nous voulons, tout comme nous ne croyons pas que telle soit l’orientation du Gouverneur Sergio Cabral ou du Commandant de la PM, mais en même temps, nous voulons sortir du chemin battu de la simple dénonciation et punition du policier auteur de cet acte arbitraire, car pour nous de Cufa, ce serait très facile, mais autant éponger un sol mouillé en laissant le robinet ouvert, parce que la culture autoritaire dominante qui véhicule le stéréotype des favelas et de leurs habitants comme des êtres humains (dépourvus de droits) subsisterait, même une fois le policier sanctionné.

Certains commentaires à son billet étaient dans la même note :

É impressionante que este tipo de coisa aconteça em pleno século XXI. Lastimável. Está na hora de todos, sociedade e governantes darem um basta neste tipo de atitude, que é o mesmo preceito do nazismo que o planeta tanto odeia. Rogério Garcia – RJ

Il est frappant que ce genre de chose arrive encore au XXIème siècle. C’est lamentable. Il est temps que tous, société et gouvernants, mettent fin à ce genre d’attitude, la même que celle pratiquée par le nazisme, si odieux à la planète. Roger Garcia – RJ

É impressionante que,depois de anos de repressão, continuemos sofrendo com atitudes humilhantes e constrangedoras de pessoas que,não sabem o que é ser um policial. Aposto que este homem não sabe a real função de um policial. Este homen denigre a imagem de uma corporação, que ainda tento acreditar que em sua maioria são pessoa honrradas.

C’est frappant qu’après des années de répression, nous continuions à souffrir de comportements humiliants et impérieux de la part de gens qui ne savent pas ce que c’est que d’être un policier. Je parie que cet homme ne connaît pas le vrai métier d’un policier. Cet homme diffame l’image d’une corporation qui essaie encore d’accréditer qu’en majorité ce sont des personnes d’honneur. Yanko Rodriguez – RJ

Le blog Cinema é Magia [le cinéma, c’est la magie] a aussi abordé le sujet, indiquant que la CUFA avait déjà pris l’attache du gouverneur d’état de Rio de Janeiro pour signaler l’affaire et soumettre des propositions visant à sensibiliser la police :

Felha disse que a Cufa (Central Única das Favelas) já entrou em contato com o governo do estado do Rio de Janeiro para pedir uma reunião em que serão apresentadas propostas de um projeto de conscientização dos policiais.
Ainda segundo Felha, o projeto está sendo elaborado em parceria com o rapper MV Bill e o líder local Celso Athayde. A ideia é que “os policiais que estão sendo formados agora para trabalhar como pacificadores façam antes um curso nas favelas, diretamente com os moradores”, revelou. As aulas, afirma, seriam ministradas por ele e possivalmente pelo policial contra quem ele diz ter registrado queixa por constrangimento ilegal.

Felha a dit que la Cufa a pris contact avec le gouvernement de l’état de Rio de Janeiro pour demander une réunion dans laquelle seraient présentées des propositions pour la sensibilisation des policiers.
Toujours d’après, le projet est développé en partenariat avec le rappeur MV Bill et le leader local Celso Athayde. L’idée est que “les policiers qui sont formés actuellement pour travailler à la pacification devraient assister à un atelier dans les favelas, en contact direct avec les habitants,” a-t-il dit. Les cours, a-t-il ajouté, seraient donnés par lui-même et éventuellement par le policier contre lequel il a porté plainte pour contrainte illégale.

Ces faits montrent combien il reste de barrières à franchir, qui vont bien au-delà d’une projection du film à Cannes. Les barrières intérieures et les stigmates sociaux sont profondément enracinés. Mais de telles initiatives et opportunités permettront de mieux en mieux de les affaiblir.

Le site internet officiel du film est http://www.5xfavela.com.br/. Cliquez ici pour le blog. Sur Twitter, suivre @5xfavela.

Marta Cooper a relu l’article d’origine.
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5X Favela – Filme visto na Buñuel, Cannes, Maio 2010

Publicado em: cinemascopio.blog.uol.com.br

por Kleber Mendonça Filho
cinemascopio@gmail.com

Passou em sessão especial 5X Favela ? Por Nós Mesmos, uma combinação em longa metragem de cinco histórias curtas, realizadas por jovens diretores que têm origem social em comunidades cariocas, ou favelas. Considerando que Berlim exibiu em primeira mão o paulistano Bróder, de Jéferson D, também dotado de um olhar de dentro, 2010 mostra sinal interessante de que a imagem do cinema no Brasil está chegando às classes menos favorecidas, que sempre foram retratadas passivamente pelas classes mais favorecidas. Se isso será uma realidade natural a partir de agora, veremos.

O projeto pertence a Renata De Almeida Magalhães e Carlos Diegues. 48 anos atrás, ele juntou-se a colegas de sua geração, ?todos burgueses engajados?, nas suas próprias palavras, ao me falar em Cannes, para fazer 5X Favela. Eram cinco histórias, cada uma dirigida por Diegues, Leon Hirzman (idealizador desse filme originalmente, já falecido), Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade e Marcos Farias.

Na nova versão do filme, há também cinco episódios, que são os seguintes: Fonte de Renda, de Manaíra Carneiro e Wagner Novais. Feijão e Arroz, de Rodrigo Felha e Cacau Amaral Wesley, Concerto Para Violino, de Luciano Vidigal, Deixa Voar, de Cadu Barcelos, e Acende a Luz, de Luciana Bezerra.

No encontro com a imprensa, num píer da praia privada do Hotel Majestic, em Cannes, eles mencionaram uma questão interessante já no titulo original do projeto, recentemente corrigida.

O filme teria se chamado 5X Favela ? Agora Por Eles Mesmos, ato falho ao, mais uma vez, tratar a classe observada como terceira pessoa. Luciana Bezerra lembrou que foi o cineasta Ruy Guerra, um dos mentores do grupo através de oficinas de roteiro e direção, que chamou a atenção e sugeriu o titulo final, 5X Favela ? Agora Por Nós Mesmos.

O filme tem um resultado dos mais felizes, começando pela honestidade sentida no todo e passando pela competência de contar as histórias, todas aparentemente pequenas, mas que ilustram perfeitamente o panorama geral de ser pobre no Brasil, de estar, de alguma forma, por fora, no Brasil. Chega a ser tocante em vários momentos.

No primeiro episódio, Fonte de Renda, um rapaz passa em direito e descobre as dificuldades de entrar numa bolha social que não é a sua. Amigos ricos simpáticos acham que ele será um novo canal para trazer ?paradas? da favela e os livros técnicos não são baratos. Silvio Guindane interpreta o rapaz com inteligência, num personagem que tem respeito por si mesmo. Há uma participação de fato emotiva no filme de Hugo Carvana, e é muito bom imaginar os ecos de Valdomiro Pena (de Plantão de Polícia, clássica série da Globo) nesse curto papel.

Feijão e Arroz tem o encanto de ter uma trama pequenina, sobre um garoto que ouve do pai que não agüenta mais levar a mesma marmita do titulo para trabalhar, todo dia. O filho junta-se a um amigo para produzir uma galinha, nos levando a um desfecho tocante sobre memórias de infância e comida.

O segmento contem ainda uma cena maravilhosa, onde os dois meninos de comunidade são virtualmente assaltados por crianças ricas saindo de uma escola, num momento que mistura sabiamente algo que pode ser bullying, mas é claramente um roubo. A reversão de papéis interessantíssima.

Detalhes como esse põem o filme lado a lado com Bróder, e percebemos uma mudanã de discurso e ponto de vista. Em Bróder, me impressionou a visão benvinda e caricata de gente rica, que, no filme de Jeferson D, passa como uma sátira social.

Concerto Para Violino, editado no meio do programa, dando um certo peso necessário ao todo, é a única história que fala abertamente sobre o tráfico, ainda que ancorada na amizade de três amigos, esfacelados pela violência. A trama e seu desfecho são surpreendentemente brutais, mas sempre com uma segurança notável.

Deixa Voar nos mostra amigos soltando papagaio (ou pipa), quando a pequena estrutura de bambu e papel cai numa área proibida, dominada por outro grupo. O que poderia terminar em tiro, acaba com apertos de mão motivados por interesses mútuos e saudáveis por meninas/mulheres, o que não deixa de impressionar pelo clima romântico gente boa.

Essa delicadeza encerra o filme com Acende a Luz, da cineasta mais conhecida do grupo, oriunda do Nós do Morro e responsável pelo premiado curta Mina de Fé. Luciana Bezerra filma um natal quente no Vidigal, e sem eletricidade.

O técnico da companhia elétrica é gentilmente seqüestrado pelos moradores até que a luz volte, num tom de bom humor carioca com comedia italiana clássica. A imagem que encerra o filme é não apenas linda, mas sugere a promessa de que uma área antes escura da cinematografia brasileira talvez esteja acendendo aos poucos.

O que mais chama a atenção nesse projeto é como cada idéia foi bem dimensionada, a partir de roteiros inteligentes. Duas observações válidas: o visual constante de todos os filmes poderia ter sido repensado, talvez com uma equipe de fotógrafos diferentes, e a contextualização geográfica do Rio, cidade dividida, não é muito apresentada.

No encontro com a imprensa, os realizadores deixaram claro que Diegues os convidou e lhes deu total controle sobre o filme. Manaíra Carneiro se pergunta ?se o filme não dará início a um movimento no cinema brasileiro, formado por realizadores com um outro olhar sobre a sociedade?.

No entanto, o assunto mais abordado era o da representação: ?Queria que meu filme fosse alegre, que mostrasse uma alegria e um bom humor que são tão particulares na favela?, disse Bezerra.

Sobre o personagem universitário do seu segmento, Novais diz que ?queria tratar com respeito, sendo igual a qualquer pessoa, nunca da maneira depreciativa que alguém da favela é normalmente tratado?.

Uma palavra que ouvi mais de três vezes de alguns colegas brasileiros, mas de nenhum dos estrangeiros que viram o filme: “ingênuo”. De forma alguma achei o filme ingênuo, na verdade, me impressionou exatamente a forma como as histórias são pequenas, algo que pode levar alguns a confundir senso adequado de escala com total falta de pretensão.

Normalmente, nossos filmes grandes, sobre favela ou sertão, são, em geral, tomados por temas gigantescos em letras garrafais, e o resultado é o conceito claro do ‘elefante branco’, sem vida ou habitação. Esse 5X Favela é um filme pequeno que tem coração.

Publicado em: http://cinemascopio.blog.uol.com.br/arch2010-05-16_2010-05-22.html

No encontro com a imprensa, num píer da praia privada do Hotel Majestic

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5X Favela – Jornal O Globo – Segundo Caderno – 5XCannes

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