1993

Vivendo eternamente

Num mundo desgraçado

Com parasitas

Incontrolável

Armordaçado

Tem que se calar

Sem voz ativa

Pra se expressar

Massacrado pela mídia

Desvio de atenção

Cortina de fumaça

Na intenção

Ianomâmi, candelária

Vigário geral

O rio que deságua

No caos social

Ianomâmi, candelária

Vigário geral

Para darem motivos

Para invasão dos ianques

Para queimarem seu pulmão

Derramarem vosso sangue

Morte ao seu povo

Seu verde e animais

Cuidado senão

Amazônia nunca mais

Amazônia nunca mais

É o que eu digo a você

Pois será roubado

Sem nada poder fazer

E fazem tudo isso

Pra garantir a própria glória

E restar pra ti apenas

Papel de vilão da história

O verdadeiro vilão

Nós bem sabemos quem é

Mas eles pintam sua imagem

Do jeito que ele quer

Porque ele é o dono do dinheiro

E da comunicação

O dono das armas

E da organização

Ali na primeira esquina

Uma família flagelada

Debaixo daquela ponte

Uma galera esfomeada

Quem não se espanta

Faz parte do sistema

Realimentando

O esquema

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Mundo louco

Eu não sei o que é isso que se passa dentro de mim

Só sei que agora sinto uma tristeza me invadir

Eu ando pelas ruas eu vejo eles estão ali

Sob a luz da lua o desespero a lhes consumir

Estão chorando sem carinho e sem conforto

Estão lutando num mundo morto

Num mundo louco

Não é um mundo de ilusão é a pura realidade

É mesmo um mundo cão viver nas ruas da cidade

A procura de comida a procura de esmola

Dividem sua vida entre a navalha e a cola

Sua família é pobre não pode lhe dar conforto

Estão sozinhos num mundo morto

Num mundo louco

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Solidão

Solitário

Não há nada por perto

Desesperado

Perdido no deserto

Deserto de utupia

De sua imaginação

A sua companhia agora

É a solidão

Solidão

Não existe mais ninguém

Está sozinho em seu mundo

Acorrentado trancado

Num silêncio profundo

Agora a angústia

Invadiu seu coração

Sua cabeça está em outro mundo

Seus pés não estão no chão

Desesperado seu único desejo é

Continuar a viajar

Mas acabou o seu dinheiro

E sendo assim sua viagem

Também irá acabar

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Nunca mais

Você perdeu pois nunca aprendeu

Viveu desesperado e agora morreu

Pintou bordou, se desesperou

Seu passaporte ao inferno, você assinou

E agora não pode voltar atrás

Nunca mais

Teve tudo na vida, não curou a ferida

Sua alma agora, está perdida

O diabo adorou, e comemorou

Ele te abraçou

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Animal Irracional

Sociopata é meu nome, escute quem quiser

Porque pra não se ligar, tem que ser muito mané

É com você que estou falando, que só vive imitando

Forçando a barra pra ser uma coisa que não é

Cadê sua personalidade, você não está com nada

Forçando a barra, sem ter certeza da parada

Só repete as palavras que ouve por aí

Se alguém pede explicações você nem sabe traduzir

Babaca fingindo ser intelectual

No fundo não passa de animal irracional

Você imita as pessoas com seu jeito de pensar

Com essas suas roupas e seu modo de falar

A única coisa que tu não sabes imitar

Das outras pessoas, é a maneira de pensar

Pois elas pensam diferente, pensam com a própria mente

E eu as considero seres inteligentes

E não como você com esses textos decorados

Com palavras difíceis, que têm significado

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Animal Irracional

Tom D   

Bm Bm A G

Sociopata é meu nome, escute quem quiser

Porque pra não se ligar, tem que ser muito mané

É com você que estou falando, que só vive imitando

Forçando a barra pra ser uma coisa que não é

Cadê sua personalidade, você não está com nada

Forçando a barra, sem ter certeza da parada

Só repete as palavras que ouve por aí

Se alguém pede explicações você nem sabe traduzir

Babaca fingindo ser intelectual

No fundo não passa de animal irracional

Você imita as pessoas com seu jeito de pensar

Com essas suas roupas e seu modo de falar

A única coisa que tu não sabes imitar

Das outras pessoas, é a maneira de pensar

Pois elas pensam diferente, pensam com a própria mente

E eu as considero seres inteligentes

E não como você com esses textos decorados

Com palavras difíceis, que têm significado

Babaca fingindo ser intelectual

No fundo não passa de animal irracional

Reflita sobre isso e jamais se esqueça

Vê se toma tendência e abra sua cabeça

Pois se você não formular a sua própria opinião 

Sua triste sina é viver na submissão

Seu que no terceiro mundo isso chega a ser normal

Mas eu considero uma coisa boçal

Só ouvir as perguntas nunca saber as respostas

É o resultado da cultura gringa que lhe foi imposta

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War Faces

Tom G   

C D G Em

D G Em 

D Em

Do you know that I need to get be happy

I need to comeback home

I need to see normal people

And I need to drink good beers

This war is not mine

I want comeback home

Here you never know that are live or dead

Because the death’s face is present in this place

For around that I look, I can see

I am seeing many dead friends

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Pátria Falida

Tom C   

Am G F

Am C G 

Esse governo não é filho de nossa mãe gentil

Acabou com a soberania do Brasil

Será esse o destino do povo brasileiro

Morrer sustentando barbado estrangeiro

URRS e USA

Vão sugando o Brasil até o sangue secar

Morrer pra escolher seu estrangeiro favorito

No nascimento de um país falido

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My way – Anos 1990

1990

1992
– Manifesto do mangue

1993
– dcm no serginho
1994
Copa
1999
– baixada brothers
# poupanca retida
# chico no circo
# mtv
# quartel
# sociopatas
# tatuagem
# loló
# quartel

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My way – Anos 1980

1980

Dia 25 de agosto foi a inauguração do Viaduto. A festa do dia do soldado, que tradicionalmente era no Centro de Caxias, este ano foi em frente minha casa. Assistimos de cima do telhado. Só quando o presidente Figueiredo passou em desfile, descemos. Um camelô ficava me oferecendo biscoito globo e minha mãe mandou pegar. O cara cobrou o preço e minha mãe disse que não pagaria, pois ele me deu sabendo que não tinha dinheiro, já que era uma criança de 8 anos. À noite teve show do Dicró no portão do ferro velho.

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1981

Já contei essa história um milhão de vezes, mas não custa repetir. Todo ano minha mãe me levava ao cinema para assistir o lançamento do filme dos Trapalhões. Esse ano teve dois filmes. Aquilo era uma coisa extraordinária; mas, para minha surpresa, o filme era um documentário. Fiquei puto da vida e um bom tempo sem querer saber de documentário.

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1982

Michael Jackson, definitivamente, mudou o comportamento da galera do Centenário. É chato ter que admitir, mas poucos não tinham uma sapatilha japonesa e um casaco vermelho. Quem arrumasse uma luva branca virava herói, pois o par era disputado à tapa. Os papelões forrados nas esquinas passaram a fazer parte do cotidiano do bairro. Ninguém fazia ideia do que era a cultura hip hop. Imitávamos o que víamos na TV, sem politizar.

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1983

O récorde mundial do Ricardo Prado acabou levando minha mãe a me matricular na natação. Eu achei uma maravilha, pois no clube tinha quadra de futebol com taco e o cacete. Nunca mais iria arrancar o tampão do dedo bicando paralelepípedo. O maior problema era acordar no inverno e já estar dentro da piscina às 7h20min.

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1984

Com a abertura da novela Partido Alto a brincadeira foi ficando mais complexa. Todo dia às 8 da noite era hora de imitar os dançarinos da TV e no dia seguinte ir se exibir para a garotada. Na Escola Ana Laura aconteceu um concurso de break. Tinha um moleque que dançava horrores no alto, mas nunca ia pro chão. Os jurados acharam que deveríamos dividir o prêmio, uma fanta laranja e um pacote de biscoito Drink.

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1985

Ganhei meu primeiro disco de rock – Ultrage a Rigor. Também foi o ano que comecei a pichar. Acho que estava na sétima série e vi a galera pichando no banheiro de piloto. Primeiro me interessei artisticamente, depois percebi como era interessante as pessoas ficarem perguntando quem havia pichado o lugar tal. Do banheiro passamos à quadra de esportes, depois o pátio e por último a sala da coordenadora.

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1986

Fui para o Senai. Ganhei um ingresso para assistir o show do Plebe Rude no Circo Voador e lá vi um cartaz do Comício de Tudo. Uma série de shows punks que aconteciam às quintas à noite e domingos à tarde. Nunca mais ouvi a rádio Transamérica. A partir daquela noite de quinta com os shows de Garotos Podres, Ratos de Porão, Desordeiros e Distúrbio Social; passei a ouvir só a rádio Fluminense

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1987

Havia uma guerra declarada entre o rock e o funk. No baile os caras me chamavam de roqueiro e no rock de funkista. Naquela época não existia o termo funkeiro. Era funkista mesmo. Ir pro baile domingo era uma prática quase que escondida. A Fluminense não tocava ou tocava pouco hip hop, mas tocava reggae e um monte de música de preto. Os skatistas também ouviam bastante Rum DMC, Public Enemy. O filme Faça a Coisa Certa também entrou na ciranda pra ajudar a confundir.

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1988

Estava ficando famoso na pichação. Essa galera era bem mais democrática. Rolava de tudo: funk, punk, junk, yunk… No mesmo ano do filme Colors, caminhava pelo Centro de Caxias quando passei no sebo do Pará e ouvi aquele mesmo som do Ice T, só que cantado em português. Era o disco “Hip hop, cultura de rua”. Perguntei ao Pará que disco era aquele e ele não sabia responder. Levei a bolacha pra casa e a partir daquele dia percebi que também poderia cantar.

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1989

Parei de pichar. O terror da maioridade se aproximava e estava vendo vários amigos não conseguirem parar e acabarem na cadeia. Aproveitei as festas juninas para dar um tempo. Dois meses depois voltaria, mas o afastamento da galera me ajudou a não voltar mais. Já estava quase de maior.

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