Cacá Diegues exibe 5x Favela no Festival de Cannes

Publicado em: r7

Quase meio século depois de participar em Cinco Vezes Favela, que se tornou um marco no cinema novo brasileiro, Cacá Diegues apresentou nesta terça-feira (18), em Cannes, 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, a reunião de cinco curtas realizados por jovens cineastas provenientes de comunidades carentes.

Em 1962, um grupo de cineastas – Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues, Marcos Farias e Leon Hirszman – realizaram essa incursão coletiva nas favelas e o conjunto de cinco curta-metragens causou sensação.

Agora coordenador do trabalho criativo de jovens cineastas das favelas, Cacá Diegues criou a oportunidade deles darem sua própria visão das comunidades que conhecem tão bem.

5x Favela – Agora por Nós Mesmos, que o Festival de Cannes apresentou fora da competição oficial, também é composto por cinco curtas autônomos de cerca de 20 minutos cada um.

Fonte de Renda, de Manaíra Carnero e Wagner Novais, é a história de um jovem estudante de Direito decidido a terminar sua graduação apesar das tentações para conseguir dinheiro fácil para custear seus estudos.

Tragicomédia com final feliz, Arroz com Feijão, de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, tem como protagonistas dois meninos que tentam ganhar dinheiro para que o pai consiga comer frango em vez do arroz com feijão que consome todos os dias.

Em Concerto para Violino, de Luciano Vidigal, sem dúvida o mais duro dos cinco curtas, três amigos de infância seguiram caminhos muito diferentes: um é policial, o outro traficante e a menina se torna violinista. A confluência desses três destinos conduz à morte.

Deixa Voar, de Cadu Barcellos, é um canto ingênuo que alerta contra os perigos que existe no desconhecimento dos demais. O elo condutor do relato é um concurso de pipas com fundo de rap.

Acende a Luz, de Luciana Bezerra, transcorre no dia de Natal. Um defeito deixa sem luz boa parte da favela, mas o eletricista Lopes consegue consertá-la para a alegria da vizinhança.

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..No conjunto, esse filme coletivo transmite uma imagem bastante positiva das favelas, mais próximas de qualquer bairro periférico popular de uma grande cidade do que parecidas com povoados de miséria.

Em uma animada conversa com a AFP, Cacá Diegues falou sobre o diferencial do projeto.

– Esta é precisamente a razão pela qual o filme é tão original e interessante, pela primeira vez a favela é vista de dentro, sem os estereótipos, os clichês da imprensa e da televisão, que são falsos. Claro que há violência nas favelas, mas não ao ponto de que todo o mundo esteja envolvido, isso não é assim.

O produtor da obra diz que, na realidade, o filme é uma recuperação da identidade que foi perdida pelos estereótipos da imprensa, da televisão e de certos filmes.

– Aqui ninguém está falando por eles.Também é uma reflexão sobre situações do limite entre legalidade e moralidade, quando algo deixa de ser legal mas segue sendo moral.

No início dos anos 1990, Cacá Diegues, um dos universitários de classe média do Rio de Janeiro, começou a trabalhar com associações culturais locais para introduzir o cinema nas favelas. Três ou quatro anos atrás, com sua esposa, a produtora Renata de Almeida Magalhães, iniciou oficinas de técnica, produção, direção, edição, fotografia e mais de 600 jovens cineastas das favelas se inscreveram, sendo que 200 foram selecionados para as oficinas e 84 deles participaram do filme em diferentes áreas.

Cacá Diegues explica que todos podiam apresentar histórias e eles mesmos votaram.

– Quando começaram a desenvolver seus roteiros, já havíamos escolhido os dietores, que passaram a ser o centro de cada projeto. Eles podiam escolher alguns atores, sobretudo para personagens de idosos, porque nas favelas o cinema é algo recente e não há atores idosos.

Ele conta que o filme foi concebido, escrito e realizado todo pelos jovens cineastas moradores de favelas.

– Eu simplesmente produzi e conduzi o projeto, não há nenhuma imagem feita por mim. Foi mais fácil trabalhar com eles, que além de tudo são muito talentosos.

Diegues garante que o complicado foi o patrocínio, já que ninguém acreditava em seu projeto, e no fim foi possível graças a patrocinadores privados. A estreia do filme pela Sony Pictures deve ocorrer no próximo mês de agosto nos cinemas brasileiros.

Publicado em: http://entretenimento.r7.com/cinema/noticias/caca-diegues-exibe-5x-favela-em-cannes-20100518.html

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Sobre Cacau Amaral

Cineasta brasileiro. Direção em 5X Favela; 1 Ano e 1 Dia; Cineclube Mate com Angu; Sociedade Musical Lira de Ouro; Programa Espelho e Aglomerado. https://cacauamaral.com/
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