MARIA… bonita trabalhadeira
Carteira assinada como cozinheira
Na feira na primeira hora do dia
Escolhendo leguminosa pra agradar a chefia
Se tinha gente com fome ficava apressada
Mas se perdesse o trem chegava atrasava
7 horas o café já estava servido
Meio-dia sempre era o horário de pico
3 horas da tarde cozinha pra lavar
Pernas de cadeiras voltadas pro ar
Alegria no rosto de um cara sangue bom
Nem parecia um patrão
5 horas da tarde poderia ir pra casa
Mas prefere ficar pra dar dar a última olhada
7 horas da noite vai embora cansada
Mas é só o começo da segunda jornada
A classe a. Em sua ilha particular.
A classe b no mercado pra explorar você.
A classe c no cartão e cheque especial
A classe d apostando o benefício social
Em casa preocupada com o filho abre a cortina
Testemunha um bacolejo logo ali na esquina
Se eles não solucionam os crimes da cidade
Afinal de contas o que é que eles fazem
Se juntasse dinheiro sairia daqui
Mas com salário pequeno e dívidas pra pagar
Bem sabe que nunca poderia se aposentar
Pros credores poderem morar num bairro legal
Sempre que alguém reclamava dessa exploração
Maria aliviava defedendo o patrão
Pagava hora extra no final do dia.
Adorado e cultuado por Maria
Das duas uma achava a coisa certa
Se não fosse por ele estaria na merda
Não vê que esse cara lucra com seu trabalho
Não investe o lucro em máquinas ou salário
Cansada de promessas e regra mirabolante
Trabalhar como chefe e receber como ajudante
Piada sobre sua roupa sobre seu cabelo
Aumentos de salário que nunca aconteceram
Trabalhou pra ganhar, mas não pôde gastar
Porque tem um monte de dívida pra pagar
Não aguentava mais tamanha exploração
Pela primeira vez encarou o patrão
Uma guerrilheira na batalha do dia a dia
Sobrenome de patente maria
Toda vez que ela pensava em reclamar
O chefe manipulava, mandava pro seu lugar
Como poderia um salário atrasado
Desencadear a era do braço cruzado
Finalmente o patrão compreendeu onde que é
Lugar da mulher