5x favela em Caxias


Fotos Fábio Pereira

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Caxias recebe exibição especial de 5 X Favela – Agora por Nós Mesmos

5 x Favela Agora Por Nós Mesmos, primeiro longa-metragem brasileiro totalmente concebido, escrito e realizado por jovens moradores de favelas, terá exibição de gala em Duque de Caxias no próximo dia 24 de março, às 19h, no Teatro Raul Cortez, no centro da cidade, com entrada franca.

O evento é uma produção do Cineclube Mate Com Angu e apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Duque de Caxias e contará com a presença dos diretores e do produtor Cacá Diegues.

O filme foi selecionado para o Festival de Cannes, onde teve sua pré-estreia mundial no dia 18 de maio de 2010. Formado por cinco episódios assinados por sete diretores, o 5 X Favela foi exibido em caráter hors concours, com a presença de mais de 20 pessoas da equipe e do elenco, e recebeu longos aplausos e elogios da crítica.

Os episódios que compõem a película (Fonte de Renda, de Wagner Novais e Manaíra Carneiro, Arroz com Feijão, de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, Concerto para violino, de Luciano Vidigal, Deixa Voar, de Cadu Barcellos, e Acende a Luz, de Luciana Bezerra) contam histórias independentes entre si, cômicas e trágicas, capazes de refletir as múltiplas faces do cotidiano das favelas sem cair nos estereótipos violentos que costumam se perpetuar na representação da vida nas comunidades.

Para o Cineclube Mate Com Angu o filme ainda traz um gostinho especial por contar com a presença de vários integrantes do grupo na ficha técnica, além de um dos diretores, o cineasta Cacau Amaral (www.cacauamaral.wordpress.com).

Após a exibição, haverá um bate-papo com os diretores do filme e o público presente.

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“5 x favela” terá exibição gratuita com debate em Duque de Caxias. Cacá Diegues e diretores estarão presentes.

Publicado em: fabiopereira.wordpress.com

 

5 x Favela , Agora Por Nós Mesmos, primeiro longa-metragem brasileiro totalmente concebido, escrito e realizado por jovens moradores de favelas, terá exibição de gala em Duque de Caxias no próximo dia 24 de março, às 19h, no Teatro Raul Cortez, no centro da cidade, com entrada franca.

O evento é uma produção do Cineclube Mate Com Angu e apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Duque de Caxias e contará com a presença dos diretores e do produtor Cacá Diegues.

O filme foi selecionado para o Festival de Cannes, onde teve sua pré-estreia mundial no dia 18 de maio de 2010. Formado por cinco episódios assinados por sete diretores, o 5 X Favela foi exibido em caráter hors concours,com a presença de mais de 20 pessoas da equipe e do elenco, e recebeu longos aplausos e elogios da crítica.

 

Cena do episódio “Fonte de Renda”, de Wagner Novais e Manaíra Carneiro

 

Os episódios que compõem a película (Fonte de Renda, de Wagner Novais e Manaíra Carneiro, Arroz com Feijão, de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, Concerto para violino, de Luciano Vidigal, Deixa Voar, deCadu Barcellos, e Acende a Luz, de Luciana Bezerra) contam histórias independentes entre si, cômicas e trágicas, capazes de refletir as múltiplas faces do cotidiano das favelas sem cair nos estereótipos violentos que costumam se perpetuar na representação da vida nas comunidades.

 

Protagonistas do episódio “Arroz com Feijão”, de Rodrigo Felha e Cacau Amaral

 

Para o Cineclube Mate Com Angu o filme ainda traz um gostinho especial por contar com a presença de vários integrantes do grupo na ficha técnica, além de um dos diretores, o cineasta Cacau Amaral (www.cacauamaral.wordpress.com).

 

Cacau Amaral: dirigiu um episódio de “5 X Favela, Agora por nós mesmos”. É um dos diretores do Cineclube Mate Com Angu.

 

Após a exibição, haverá um bate-papo com os diretores do filme e o público presente.

SERVIÇO

Dia: 24 de março de 2011, quinta-feira

Hora: 19h

Local: Teatro Raul Cortez

Endereço: Praça do Pacificador, Centro, Duque de Caxias

Entrada: 0800.

Fonte: Heraldo Bezerra, o HB.

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Literatura (é) a Cura

RESENHA DO LIVRO “Meu Destino Era o Nós do Morro” de Luciana Bezerra
Por: Alessandro Buzo

Foi muito importante ler o livro “Meu Destino Era o Nós do Morro” de Luciana Bezerra (Aeroplano Editora – 264 paginas), ainda mais porque li na hora certa.
Me surpreendeu 3 frases logo na apresentação.
Um dia antes meu filho tinha perguntado: – Pai, porque você lê tanto ?
Expliquei que quem lê não é facilmente manipulado porque se torna uma pessoa mais capacitada, inteligente e com conteúdo.
Ai lendo a abertura do livro da Luciana Bezerra chamei o Evandro (meu filho) pra destacar 3 passagens……confira abaixo.
1/3 – Ler é a chave mestra da imaginação.
2/3 – Através do cinema podemos ver o mundo.
3/3 – O professor de ingles pedindo para os alunos prestarem atenção: – Prestem atenção na aula, porque eu já sei falar inglês.
Comecei o livro com essa boa expectativa, causadas pelas frases do “Agradecimentos”….
Mas outro fato é que pelo livro eu pude saber muito mais do “NÓS DO MORRO” do meu grande amigo Guti Fraga.
A autora é um dos braços fortes do projeto.
O que mais marcou é o momento que enfrento com o “ESPAÇO SUBURBANO CONVICTO do Itaim Paulista”, estamos sem apoio financeiro e sem sede. Saber que projetos que eu admiro como o “NÓS DO MORRO” passaram exatamente pelas mesmas coisas me traz força pra não desistir.
Tirando tudo isso, foi ótimo conhecer a trajetória da Luciana Bezerra, uma legitima guerreira, mãe, atríz, moradora de comunidade desde sempre (Rocinha, Vidigal), saber que até ela chegar no sucesso como diretora do filme 5X Favela – Agora por Nós Mesmos…… teve uma longa e ardua caminhada, o que só aumenta minha admiração.
Não conheço ela pessoalmente (apesar de ser amigo do GUTI, conhecer o Cacá Diegues e outros diretores do longa 5X), mas breve vou no VIDIGAL com o Guti e faço questão de conhece-la.
Quanto ao livro eu indico, um história de superação. 

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Blogosfera

Rolava de um lado a outro da cama. Na verdade o que queria mesmo era voltar a dormir. Acho que deve ser o fim do horário de verão. Quem aguenta? Aproveitei o tempo bônus para visitar a Lurdinha e saber se ouve alguma atualização. Li o texto do Slow, fiz um comentário, li o Heraldo, naveguei com o mouse pelos links do blog do Andre, blog do cacau – eu mesmo – e quando percebi já era hora de sair de casa.

Parti para a tradicional caminhada pelo Centro de Caxias e; como há vintes anos, como dezenas de duquecaxienses; dei uma bizoiada nas capas dos jornais. A ordem do dia era dar porrada na Mãe Loira. Os conflitos entre esses jornais não superavam o “tacou fogo no marido” ou o “manteve sob cárcere privado”. Afirmações que fizeram lembrar-me das capas de ontem, com várias mulheres disputando, transferindo, expondo poder.

Um aumento da presença de mulheres nas capas dos jornais convencionais não necessariamente significa que estamos deixando de segregá-las. Vide a forma unilateral que a maioria destas capas hoje trata uma questão doméstica. E sem querer duvidar da integridade dos colegas apuradores, editores, etc; achei prudente ouvir os conselhos da vovó.

Voltei ao ambiente virtual e após ler os mesmos jornais que acabara de ver nas bancas, como um carrasco, senti vontade de cortar a cabeça da mulher. Continuei procurando e após ouvir o outro lado da moeda, queria devolver todas as porradas no homem. Continuei lendo a terceira, a quarta, a décima opinião, até que resolvi expor a minha – esta.

Sinto-me na obrigação; não só de participar, mas principalmente; de convocar toda nação blogueira a ocupar esse espaço para conseguirmos uma nova visão sobre o que vemos nos jornais, o que vemos em nosso dia a dia e – sobretudo – o que “queremos” ver nos jornais e consequentemente em nossas vidas.

Sejam bem vindos à Lurdinha.

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Jovens da periferia de SP assistem ao filme ‘5x Favela’

Publiccado em: g1.globo

Filme foi premiado e exibido na França, no Festival de Cannes.
Adolescentes são de instituições ligadas ao Criança Esperança.

Do G1 SP

Uma sessão especial de cinema divertiu jovens da Vila Brasilândia, na Zona Norte de SP, nesta sexta-feira (25). Em “5x Favela”, da Globo Filmes, eles viram na tela cinco histórias escritas, dirigidas e gravadas nas favelas cariocas, um retrato das dificuldades e também do jeito alegre da periferia.

“São histórias singulares de seres humanos, que nós estamos contando da nossa maneira, com a nossa cara”, diz Cadu Barcellos, diretor do filme.

O filme “5x Favela” já foi premiado e exibido na França. Veio do festival de cinema de Cannes para a Vila Brasilândia, um caminho longo para histórias bem próximas dessa plateia. Todos são de instituições ligadas ao Criança Esperança.

No filme, há a luta do jovem que quer se formar, mas não tem dinheiro, e as confusões das duas crianças que querem comprar um frango para dar de presente para o pai, e também os caminhos que levam ao tráfico de drogas.

“Eu acho que a gente retrata o amor, a superação, todos esses sentimentos que estão nas periferias e até então a gente não via retratado”, afirma Wavá Novais, outro diretor do filme.

O melhor momento foi o encontro com os diretores e escritores para trocar ideias, conversar e até enxergar uma perspectiva de futuro. “Dá uma esperança de ver, de fazer também, de tentar. Talvez a gente consiga um dia”, afirma a estudante Jaqueline Virgílio.

Publiccado em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/02/jovens-da-periferia-de-sp-assistem-ao-filme-5x-favela.html

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1 Ano e 1 Dia – Projection-débat « Favelas, urbanisation et réforme urbaine au Brésil

Publicado em: pt.wiser.org

Projection-débat « Favelas, urbanisation et réforme urbaine au Brésil »
Quando
Fri, Feb 25, 2011
Onde
217 Boulevard Saint-Germain, Maison de l’Amérique Latine (Auditorium, Paris 75007, França
Website
http://www.autresbresils.net/s…
Projection-débat « Favelas, urbanisation et réforme urbaine au Brésil »
Autres Brésils
– Le 25 février 2011 –
Le 25 février , à la Maison de l’Amérique latine, Autres Brésil organise une projection-débat sur le thème : « Favelas, urbanisation et réforme urbaine au Brésil »

Autour de plusieurs films documentaires sur le sujet de l’urbanisation, des favelas et des mouvements sociaux au Brésil, cette soirée vise à réfléchir aux enjeux de l’accès à la terre et du droit au logement au Brésil.

Un panorama varié pour faire un point sur la situation de nombreux brésiliens et ouvrir le débat sur le thème des réformes urbaines.

Films :

Rocinha de Civa de Gandillac : déambulation dans Rocinha, une des plus importantes favelas de Rio de Janeiro.

City of Favelas de Adrian Mengay (sous-titré en anglais) : Un documentaire sur les favelas, les mouvements sociaux et leur lutte pour faire valoir le « droit à la ville » au Brésil.

Um ano, Um dia de Cacau Amaral, Rafael da Costa et Joao Xavier : Après 366 jours, les occupants du campement 17 Mai (Rio) deviennent légalement propriétaires des lieux. Autour des préparatifs d’une fête, ils évoquent l’année écoulée avec émotion.

Débat animé par Autres Brésils en présence du réalisateur Civa de Gandillac, de Samuel Jablon de l’AITEC (Association International de Techniciens, Experts et Chercheurs) et de Douglas Estevam du MST (Mouvement des Sans-Terre) (sous réserve).

En savoir plus : http://www.autresbresils.net/spip.p…
Voir aussi
Liens thématiques :

Habitat/Urbanisme

Liens géographiques :

Brésil

Plus d’infos : bresils@autresbresils.net
© Coordination SUD 2010 | Réalisation : Moduloo et MWM | Infographie : LWA Design |
Áreas Temáticas:
Alívio da Pobreza | Moradia a Baixo Custo | Revitalização Urbana | Ecologia Urbana | Demografia | Comunicações Urbanas

Publicado em: http://pt.wiser.org/event/view/db4bf665c4cb5b09546e1a09f7e89e5b/group/wiserbrasil. Último acesso em: 18/8/2013

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Angu de Ouro – imperdível

http://matecomangu.com.br/angoodouro2010.jpg

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Cinco Vezes Favela Hoje e Ontem

Publicado em: sul21.com.br

 

Assisti com verdadeira emoção ao filme “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos”.

Quem viveu, no início dos anos sessenta, a efervescência de um Brasil grávido de projetos e esperanças, abortados depois pela ditadura, e quem participou dos movimentos e experiências do movimento chamado “cultura popular”, ao assistir esse filme, tem a sensação de ver o completamento de um ciclo. Um filme completa o que outro (o “Cinco Vezes Favela” de 1962) começou.

Naquele início de década, emergia o protagonismo de um novo estamento social: os jovens.

Vivendo, hoje, em um mundo em que grupos categorizados por gênero, etnia e faixa etária (inclusive a infantil) constituem-se com personalidades próprias, como sujeito e objeto dos processos políticos, econômicos e culturais (ao menos na cultura ocidentalizada), é difícil, imaginar, hoje, uma sociedade em que apenas um grupo social (adulto, masculino) detinha praticamente a exclusividade da participação. A partir daqueles anos, começa uma revolução cultural com acentos políticos, em várias partes do mundo. Minorias ou grandes parcelas discriminadas da população passam a reivindicar identidade e obtêm papeis importantes nos processos social, político e econômico.

Naquela época, no Brasil, o movimento estudantil, liderado pela União Nacional dos Estudantes assumia-se como força política atuante no tabuleiro nacional. O engajamento nas causas sociais se fazia das mais diversas maneiras e entre elas, pela intervenção nas manifestações culturais. O movimento estudantil discutia a invasão da indústria cultural, com formas e valores alheios às raízes nacionais, a serviço de uma sociedade de consumo que recém era formada. Defendia uma arte nacional e popular, embora essas qualificações estivessem envoltas em mitos, contradições e polêmicas. A arte engajada era promovida como panaceia e como única forma válida de criação.

Na verdade, era promovida uma arte a serviço da politização, enfrentando a alienação histórica e as novas formas de controle cultural que eram introduzidas (e essa redução do fazer cultural era francamente admitida com a generosidade de uma geração que lutava pelo futuro). Brecht justificava que se vivia em tempos sombrios (ou “de guerra”, como era traduzido), onde a luta justificava as simplificações e Paulo Freire procurava ir mais além e mais fundo.

O Centro Popular de Cultura da UNE produzia, então, música, teatro e cinema para “levar cultura ao povo”, para “politizar’, para “conscientizar”. No Nordeste, o Movimento de Cultura Popular do Recife foi mais amplo e profundo, procurando pesquisar as formas de manifestação cultural do povo da região e interagir com elas. Em nosso estado, também houve tentativas e experiências, nas tentativas de criação de um movimento pela cultura popular em Porto Alegre (que não chegou a vingar) e pelas atuações do Centro Popular de Cultura da União Estadual de Estudantes que fez inúmeras apresentações na capital e no interior, acompanhando, também, a UNE Volante a Florianópolis (com um espetáculo original).

E o CPC da UNE subia o morro (a favela até então só existia “pendurada no morro”, “pertinho do céu, onde a lua faz clarão” na visão romantizada da época). Queria dar voz e imagem aos favelados. Os estudantes iam fazer um cinema contaminado com a vida favelada. Era o tempo do Cinema Novo com o Brasil sendo louvado pela crítica internacional. O filme da UNE, “Cinco Vezes Favela” veio nessa onda. As diferenças estéticas e ideológicas com os ícones do cinemanovismo, à distancia não parecem tão essenciais.

Produzido pela própria UNE, o filme teve pouca repercussão, como seria de prever, mas cumpriu seu papel militante com belo resultado estético e foi reconhecido pela crítica, tornando-se obra mítica na história do cinema brasileiro. Dos cinco diretores-estudantes, Marcos Farias, Miguel Borges, Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman, os três últimos consagraram-se nas suas carreiras de cineastas.

E foi justamente um deles, Cacá Diegues que apostou em uma nova proposta que comemora, homenageia e atualiza a experiência do CPC. Com um projeto apoiado por ONGs como a Central Única das Favelas – Cufa, Nós do Morro, Observatório de Favelas, AfroReggae e Cinemaneiro, a produtora Luz Mágica, do próprio Cacá Diegues e de Renata Magalhães levou a cabo esse projeto que, mais do que a simples criação de um filme, proporcionou oficinas técnicas nas comunidades das favelas do complexo da Maré, Vidigal, Cidade de Deus, Parada de Lucas e da Lapa. O resultado é admirável. Atores e equipes de filmagem (oitenta e quatro dos duzentos e vinte e nove jovens selecionados para as oficinas) apresentam uma obra madura, sensível, cujo principal mérito, além das qualidades técnicas, é o olhar autêntico e comprometido com a realidade bem conhecida e vivida por eles. Lirismo, beleza, luta pela condição de cidadãos e auto-estima estão presentes em um discurso que não tem nada de demagógico ou paternalista. Mas também a dureza da violência sempre à espreita, de comunidades marginalizadas convivendo com uma sociedade que contribui para a manutenção do crime organizado e da dificuldade em construir saídas. A violência é manifestada de forma traumática, em desfecho de um dos segmentos que não fica nada a dever a histórias de trágicas escolhas humanas.

Mas não quero fazer crítica cinematográfica e sim salientar o significado dessa nova realização, em termos históricos. Volto à afirmação de sentir um completamento de ciclo. Imagino um arco, ligando o primeiro filme ao mais recente – como se uma idéia, uma força vital tivesse sobrevivido acima de todas as vicissitudes de quase cinquenta anos, para ressurgir como proposta e experiência novas, maduras, férteis.

Lembro outro caso, o do filme “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho, com a história de João Pedro Teixeira, líder camponês paraibano assassinado em 1962. Coutinho começou as filmagens no início de 1964 e foi surpreendido pelo golpe, tendo as filmagens interrompidas por um cerco militar. Dezessete anos após, ainda nos albores da lentíssima abertura, Coutinho volta ao Engenho da Galileia e consegue encontrar a viúva de Teixeira, que vivia na clandestinidade. O filme passa a ser, então um documentário sobre a antiga filmagem e de certa forma, uma intervenção sobre a própria vida dos protagonistas remanescentes. Temos aí, também uma retomada e uma superação, dentro do contexto da época, uma evocação sofrida e ainda angustiosa, em expectativa da redemocratização (antecipando outros tantos anos em que o país penou na busca de um caminho seguro, com crises, recaídas e desilusões).

O novo “Cinco Vezes Favela” repete, de certa maneira o exemplo do filme de Coutinho, mas já ancorado no tempo presente.

Nos anos sessenta, os estudantes pensavam em subir o morro para “levar cultura” à favela, para politizar; faziam filme com temas e tipos da favela querendo dar voz e visibilidade aos marginalizados, querendo fazer a denúncia social que poderia sensibilizar os da cidade oficial. Nesse processo, muitos aprenderam, muitos foram marcados para sempre com a visão e sentimento daquela outra gente, tão próxima e tão distante. Essas marcas levaram uns tantos a uma outra marginalidade, na clandestinidade, nas prisões e nas mortes durante a ditadura. Outros fizeram a travessia de todos os exílios, tanto estrangeiros quanto na vida reprimida dentro do país.

E a roda viva da história vai girando e roda o mundo, levando a favela para as cidades de deus e dos novos diabos. Vivemos ainda em tempos de sombras, desdobradas das antigas ou novas, um mundo em profunda crise econômica, ambiental, cultural. As sementes do crime organizado germinaram no terreno fértil da marginalização social casada com uma sociedade onde a droga passou a ser objeto de consumo básico de todas as classes e idades, sob o beneplácito das autoridades omissas ou coniventes e das parcelas mais favorecidos da sociedade. A favela já não é só morro, não é apenas carioca, mas povoa o cenário de todas as cidades brasileiras. O Estado se fez ausente e toda a população incluída na sociedade de consumo contentou-se em erguer barreiras culturais e físicas para que a “incivilização” da favela seja contida nos seus guetos (e os mais abastados defendidos nos seus respectivos guetos de luxo).

Mas novos roteiros são forjados na vida, como novos filmes, não refilmados, mas recriados e criativos. O novo “Cinco Vezes Favela” agora é feito POR ELES MESMOS. Mas os “mesmos” não apenas figuram ou fazem o filme, mas se fazem nas oficinas, na criação das (sua próprias) histórias, na construção da obra, na esteira da divulgação e da exibição (foram elogiados em Cannes e Gramado, premiados em Paulínia e Biarritz, andaram por Havana, San Francisco, Yokoama, Antalya e Porto).

E Cacá Diegues mostra que o antigo aprendizado valeu. Não só cinema foi aprendido, na primeira vez. Assim como tantos que se contaminaram com a solidariedade aos excluídos, ao longo de todos esses anos, o cineasta aprende e dá a lição de que a criação cultural pertence a todos e que pode emancipar e libertar.

Nesse nosso país tão desigual, de uma maioria ainda alienada e novamente alvo de novas alienações, tão excluída e novamente alvo de novas exclusões, lampejam sinais de novos tempos, novas possibilidades, novas atitudes. Os avanços dos últimos anos, no resgate dos prisioneiros da miséria absoluta, na geração renda, no emprego, na educação, na consolidação da saúde macroeconômica, nas políticas para fazer voltar a presença da cidadania às áreas marginalizadas, tudo isso sinaliza a possibilidade um novo ciclo histórico. Mesmo que tudo o que tem sido feito seja muito pouco, mesmo que novos desafios continuem crescendo, como os riscos ambientais, a depreciação cultural e a inércia dos velhos e viciados hábitos políticos, mesmo assim, parece abrir-se uma nova janela de oportunidade histórica.

Nesse sentido, com todo seu senso de realismo que parte da autenticidade do vivido, “Cinco Vezes Favela Agora por Nós Mesmos” pode figurar como um retrato (em construção) do nosso novo tempo brasileiro (em construção), reatando com um passado fértil e superando-o com criatividade. Como diria um povo severino: “belo porque tem do novo a surpresa e alegria”.

* Luiz Antonio Timm Grassi é engenheiro civil com especialização em planejamento metropolitano e atuação na área de saneamento e gestão de recursos hídricos. É um dos autores do livro “Tempo das Águas”. Bacharel em Hiistória, com especialização em América Latina, tendo lecionado na Faculdade Portoalegrense de Filosofia, Ciências e Letras. Membro do conselho editorial do jornal da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES-RS e participante da comissão editorial do livro “Em defesa da vida”. Estou coordenando, com a artista Zoravia Bettioll, a Comissão Pró-Museu das Águas de Porto Alegre.

Publicado em: http://sul21.com.br/jornal/2011/01/cinco-vezes-favela-hoje-e-ontem/

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5X Favela – por Cinepipocacult

5x favela, agora por nós mesmos

Publicado a 10 Janeiro 2011 por Cinepipocacult Cacá DieguesJá falei desse filme em vários momentos no blog esse ano, mas ainda não tinha apresentado a crítica. Na verdade, o que mais chamou a minha atenção nesse projeto foi a forma como ele foi realizado. Há 50 anos, um filme foi feito pela visão de cinco diretores da classe média tendo como tema as favelas do Rio de Janeiro. Era uma proposta interessante, mas sua autenticidade parecia comprometida pela inevitável visão de fora. Em 2010, um desses diretores, Cacá Diegues teve uma idéia: por que não deixar que os próprios moradores das comunidades contassem suas histórias? O projeto começou com oficinas técnicas ministradas à 229 jovens dos quais 84 foram escolhidos para integrar a equipe técnica do filme. O projeto abrangeu as comunidades de Cidade de Deus, Vidigal, Complexo da Maré, Parada de Lucas e várias comunidades ao longo da Linha Amarela.

5x favela, agora por nós mesmosSó por essa iniciativa inédita, o filme já vale uma menção. Mas, não foi apenas pelo cunho social que 5X favela, agora por nós mesmos, ganhou tantos prêmios pelos festivais que passou. As cinco histórias contadas são interessantes, bem produzidas, realistas e envolventes. Cada uma com média de 20 minutos dá uma dimensão sem preconceitos da realidade nas comunidades, diferente do que vemos em algumas obras que só ressaltam a violência e o tráfico. Claro que esses assuntos estão presentes, mas a forma como são mostrados possui menos estereótipos. É possível ver as pessoas passeando pelas ruas à noite, jogando dominó na esquina, recusando trabalhos relacionados ao tráfico de drogas e reforçando valores morais e sociais.

A técnica também não deixa nada a dever a nenhum filme nacional. Bem decupados com tomadas criativas, boas interpretações e cuidados com a direção de arte. A fotografia também é bem realizada, acompanhando as necessidades da história e se preocupando com os enquadramentos necessários para alguns efeitos, como no episódio “Acende a luz” quando a câmera se afasta para mostrar as luzes acendendo ou no episódio “Arroz com Feijão” que os closes ressaltam detalhes da emoção dos personagens. Isso, sem falar nesse episódio da criatividade do roteiro em solucionar o fato principal com aquele bilhetinho engraçado. Nenhuma novidade, mas tudo muito bem feito.

Fonte de RendaAs cinco histórias foram todas criadas nas oficinas de roteiro e contam tramas completamente diferentes. O tom de cada uma delas também é distinto. Em “Fonte de Renda”, dirigido por Manaira Carneiro e Wagner Novais o personagem principal Maicon, tem que passar por situações difíceis para conseguir estudar na faculdade de direito. Com um tom realista mostra os problemas de dinheiro para o ônibus ou livros, que são sempre muito caros, e a tentação de servir como avião para colegas interessados em drogas, mas que não querem subir o morro.

Arroz com FeijãoO segundo curta, “Arroz com Feijão” de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, traz um tom mais ingênuo, sonhador da visão da criança que quer dar um presente de aniversário a seu pai. O homem trabalhador só come feijão com arroz todos os dias. A jornada de Wesley e seu amigo Orelha para conseguir dinheiro para comprar um frango mistura comédia e drama na dose certa. O desfecho é o mais criativo dos cinco, com um toque genial.

Concerto para violino“Concerto para violino” de Luciano Vidigal é a trama com a realidade mais crua do tráfego de drogas e corrupção policial. Através da história de três amigos de infância que seguiram caminhos diferentes acompanhamos a dificuldade de fugir da tragédia em algumas partes do morro. Ela, estudante de violino, ele, traficante de drogas, e o outro, policial corrupto. Vidigal que é ator, professor e diretor carioca do Morro do Vidigal traz a visão mais determinista do filme.

Deixa VoarJá “Deixa Voar” de Cadu Barcelos é uma mistura de medo e sonho. Interessante demonstrar que os próprios moradores de uma comunidade têm medo de visitar a vizinha, mesmo não tendo envolvimento com o tráfico. Flávio tem que atravessar a favela rival para pegar uma pipa que soltou e foi parar em solo “inimigo”. A tensão é aliviada pela metáfora das pipas sendo empinadas, uma diversão poética da adolescência e da relação de amizade entre dois colegas de escola.

Acende a luzO último episódio tende mais para comédia. “Acende a luz” de Luciana Bezerra conta uma trama tragicômica de um quase sequestro de um funcionário da rede elétrica na véspera de Natal. O rapaz precisava de uma peça para consertar o poste de uma região da favela, mas os moradores não o deixam sair para buscar o material por acreditar que ele irá abandonar o local sem luz. A ironia de prender um homem que honestamente queria ajudar, terminando o serviço, se une à denúncia de abandono dessas pessoas ao demonstrar que outro grupo já tinha ido embora sem resolver o problema e que o parceiro do rapaz preso não retorna para ajudá-lo. Um final debochado sobre uma realidade dura.

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