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Angu de Ouro – imperdível
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Cinco Vezes Favela Hoje e Ontem
Publicado em: sul21.com.br
Assisti com verdadeira emoção ao filme “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos”.
Quem viveu, no início dos anos sessenta, a efervescência de um Brasil grávido de projetos e esperanças, abortados depois pela ditadura, e quem participou dos movimentos e experiências do movimento chamado “cultura popular”, ao assistir esse filme, tem a sensação de ver o completamento de um ciclo. Um filme completa o que outro (o “Cinco Vezes Favela” de 1962) começou.
Naquele início de década, emergia o protagonismo de um novo estamento social: os jovens.
Vivendo, hoje, em um mundo em que grupos categorizados por gênero, etnia e faixa etária (inclusive a infantil) constituem-se com personalidades próprias, como sujeito e objeto dos processos políticos, econômicos e culturais (ao menos na cultura ocidentalizada), é difícil, imaginar, hoje, uma sociedade em que apenas um grupo social (adulto, masculino) detinha praticamente a exclusividade da participação. A partir daqueles anos, começa uma revolução cultural com acentos políticos, em várias partes do mundo. Minorias ou grandes parcelas discriminadas da população passam a reivindicar identidade e obtêm papeis importantes nos processos social, político e econômico.
Naquela época, no Brasil, o movimento estudantil, liderado pela União Nacional dos Estudantes assumia-se como força política atuante no tabuleiro nacional. O engajamento nas causas sociais se fazia das mais diversas maneiras e entre elas, pela intervenção nas manifestações culturais. O movimento estudantil discutia a invasão da indústria cultural, com formas e valores alheios às raízes nacionais, a serviço de uma sociedade de consumo que recém era formada. Defendia uma arte nacional e popular, embora essas qualificações estivessem envoltas em mitos, contradições e polêmicas. A arte engajada era promovida como panaceia e como única forma válida de criação.
Na verdade, era promovida uma arte a serviço da politização, enfrentando a alienação histórica e as novas formas de controle cultural que eram introduzidas (e essa redução do fazer cultural era francamente admitida com a generosidade de uma geração que lutava pelo futuro). Brecht justificava que se vivia em tempos sombrios (ou “de guerra”, como era traduzido), onde a luta justificava as simplificações e Paulo Freire procurava ir mais além e mais fundo.
O Centro Popular de Cultura da UNE produzia, então, música, teatro e cinema para “levar cultura ao povo”, para “politizar’, para “conscientizar”. No Nordeste, o Movimento de Cultura Popular do Recife foi mais amplo e profundo, procurando pesquisar as formas de manifestação cultural do povo da região e interagir com elas. Em nosso estado, também houve tentativas e experiências, nas tentativas de criação de um movimento pela cultura popular em Porto Alegre (que não chegou a vingar) e pelas atuações do Centro Popular de Cultura da União Estadual de Estudantes que fez inúmeras apresentações na capital e no interior, acompanhando, também, a UNE Volante a Florianópolis (com um espetáculo original).
E o CPC da UNE subia o morro (a favela até então só existia “pendurada no morro”, “pertinho do céu, onde a lua faz clarão” na visão romantizada da época). Queria dar voz e imagem aos favelados. Os estudantes iam fazer um cinema contaminado com a vida favelada. Era o tempo do Cinema Novo com o Brasil sendo louvado pela crítica internacional. O filme da UNE, “Cinco Vezes Favela” veio nessa onda. As diferenças estéticas e ideológicas com os ícones do cinemanovismo, à distancia não parecem tão essenciais.
Produzido pela própria UNE, o filme teve pouca repercussão, como seria de prever, mas cumpriu seu papel militante com belo resultado estético e foi reconhecido pela crítica, tornando-se obra mítica na história do cinema brasileiro. Dos cinco diretores-estudantes, Marcos Farias, Miguel Borges, Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman, os três últimos consagraram-se nas suas carreiras de cineastas.
E foi justamente um deles, Cacá Diegues que apostou em uma nova proposta que comemora, homenageia e atualiza a experiência do CPC. Com um projeto apoiado por ONGs como a Central Única das Favelas – Cufa, Nós do Morro, Observatório de Favelas, AfroReggae e Cinemaneiro, a produtora Luz Mágica, do próprio Cacá Diegues e de Renata Magalhães levou a cabo esse projeto que, mais do que a simples criação de um filme, proporcionou oficinas técnicas nas comunidades das favelas do complexo da Maré, Vidigal, Cidade de Deus, Parada de Lucas e da Lapa. O resultado é admirável. Atores e equipes de filmagem (oitenta e quatro dos duzentos e vinte e nove jovens selecionados para as oficinas) apresentam uma obra madura, sensível, cujo principal mérito, além das qualidades técnicas, é o olhar autêntico e comprometido com a realidade bem conhecida e vivida por eles. Lirismo, beleza, luta pela condição de cidadãos e auto-estima estão presentes em um discurso que não tem nada de demagógico ou paternalista. Mas também a dureza da violência sempre à espreita, de comunidades marginalizadas convivendo com uma sociedade que contribui para a manutenção do crime organizado e da dificuldade em construir saídas. A violência é manifestada de forma traumática, em desfecho de um dos segmentos que não fica nada a dever a histórias de trágicas escolhas humanas.
Mas não quero fazer crítica cinematográfica e sim salientar o significado dessa nova realização, em termos históricos. Volto à afirmação de sentir um completamento de ciclo. Imagino um arco, ligando o primeiro filme ao mais recente – como se uma idéia, uma força vital tivesse sobrevivido acima de todas as vicissitudes de quase cinquenta anos, para ressurgir como proposta e experiência novas, maduras, férteis.
Lembro outro caso, o do filme “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho, com a história de João Pedro Teixeira, líder camponês paraibano assassinado em 1962. Coutinho começou as filmagens no início de 1964 e foi surpreendido pelo golpe, tendo as filmagens interrompidas por um cerco militar. Dezessete anos após, ainda nos albores da lentíssima abertura, Coutinho volta ao Engenho da Galileia e consegue encontrar a viúva de Teixeira, que vivia na clandestinidade. O filme passa a ser, então um documentário sobre a antiga filmagem e de certa forma, uma intervenção sobre a própria vida dos protagonistas remanescentes. Temos aí, também uma retomada e uma superação, dentro do contexto da época, uma evocação sofrida e ainda angustiosa, em expectativa da redemocratização (antecipando outros tantos anos em que o país penou na busca de um caminho seguro, com crises, recaídas e desilusões).
O novo “Cinco Vezes Favela” repete, de certa maneira o exemplo do filme de Coutinho, mas já ancorado no tempo presente.
Nos anos sessenta, os estudantes pensavam em subir o morro para “levar cultura” à favela, para politizar; faziam filme com temas e tipos da favela querendo dar voz e visibilidade aos marginalizados, querendo fazer a denúncia social que poderia sensibilizar os da cidade oficial. Nesse processo, muitos aprenderam, muitos foram marcados para sempre com a visão e sentimento daquela outra gente, tão próxima e tão distante. Essas marcas levaram uns tantos a uma outra marginalidade, na clandestinidade, nas prisões e nas mortes durante a ditadura. Outros fizeram a travessia de todos os exílios, tanto estrangeiros quanto na vida reprimida dentro do país.
E a roda viva da história vai girando e roda o mundo, levando a favela para as cidades de deus e dos novos diabos. Vivemos ainda em tempos de sombras, desdobradas das antigas ou novas, um mundo em profunda crise econômica, ambiental, cultural. As sementes do crime organizado germinaram no terreno fértil da marginalização social casada com uma sociedade onde a droga passou a ser objeto de consumo básico de todas as classes e idades, sob o beneplácito das autoridades omissas ou coniventes e das parcelas mais favorecidos da sociedade. A favela já não é só morro, não é apenas carioca, mas povoa o cenário de todas as cidades brasileiras. O Estado se fez ausente e toda a população incluída na sociedade de consumo contentou-se em erguer barreiras culturais e físicas para que a “incivilização” da favela seja contida nos seus guetos (e os mais abastados defendidos nos seus respectivos guetos de luxo).
Mas novos roteiros são forjados na vida, como novos filmes, não refilmados, mas recriados e criativos. O novo “Cinco Vezes Favela” agora é feito POR ELES MESMOS. Mas os “mesmos” não apenas figuram ou fazem o filme, mas se fazem nas oficinas, na criação das (sua próprias) histórias, na construção da obra, na esteira da divulgação e da exibição (foram elogiados em Cannes e Gramado, premiados em Paulínia e Biarritz, andaram por Havana, San Francisco, Yokoama, Antalya e Porto).
E Cacá Diegues mostra que o antigo aprendizado valeu. Não só cinema foi aprendido, na primeira vez. Assim como tantos que se contaminaram com a solidariedade aos excluídos, ao longo de todos esses anos, o cineasta aprende e dá a lição de que a criação cultural pertence a todos e que pode emancipar e libertar.
Nesse nosso país tão desigual, de uma maioria ainda alienada e novamente alvo de novas alienações, tão excluída e novamente alvo de novas exclusões, lampejam sinais de novos tempos, novas possibilidades, novas atitudes. Os avanços dos últimos anos, no resgate dos prisioneiros da miséria absoluta, na geração renda, no emprego, na educação, na consolidação da saúde macroeconômica, nas políticas para fazer voltar a presença da cidadania às áreas marginalizadas, tudo isso sinaliza a possibilidade um novo ciclo histórico. Mesmo que tudo o que tem sido feito seja muito pouco, mesmo que novos desafios continuem crescendo, como os riscos ambientais, a depreciação cultural e a inércia dos velhos e viciados hábitos políticos, mesmo assim, parece abrir-se uma nova janela de oportunidade histórica.
Nesse sentido, com todo seu senso de realismo que parte da autenticidade do vivido, “Cinco Vezes Favela Agora por Nós Mesmos” pode figurar como um retrato (em construção) do nosso novo tempo brasileiro (em construção), reatando com um passado fértil e superando-o com criatividade. Como diria um povo severino: “belo porque tem do novo a surpresa e alegria”.
* Luiz Antonio Timm Grassi é engenheiro civil com especialização em planejamento metropolitano e atuação na área de saneamento e gestão de recursos hídricos. É um dos autores do livro “Tempo das Águas”. Bacharel em Hiistória, com especialização em América Latina, tendo lecionado na Faculdade Portoalegrense de Filosofia, Ciências e Letras. Membro do conselho editorial do jornal da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES-RS e participante da comissão editorial do livro “Em defesa da vida”. Estou coordenando, com a artista Zoravia Bettioll, a Comissão Pró-Museu das Águas de Porto Alegre.
Publicado em: http://sul21.com.br/jornal/2011/01/cinco-vezes-favela-hoje-e-ontem/
Publicado em 5x, Clipping, Na rede
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5X Favela – por Cinepipocacult
5x favela, agora por nós mesmos
Publicado a 10 Janeiro 2011 por Cinepipocacult
Já falei desse filme em vários momentos no blog esse ano, mas ainda não tinha apresentado a crítica. Na verdade, o que mais chamou a minha atenção nesse projeto foi a forma como ele foi realizado. Há 50 anos, um filme foi feito pela visão de cinco diretores da classe média tendo como tema as favelas do Rio de Janeiro. Era uma proposta interessante, mas sua autenticidade parecia comprometida pela inevitável visão de fora. Em 2010, um desses diretores, Cacá Diegues teve uma idéia: por que não deixar que os próprios moradores das comunidades contassem suas histórias? O projeto começou com oficinas técnicas ministradas à 229 jovens dos quais 84 foram escolhidos para integrar a equipe técnica do filme. O projeto abrangeu as comunidades de Cidade de Deus, Vidigal, Complexo da Maré, Parada de Lucas e várias comunidades ao longo da Linha Amarela.
Só por essa iniciativa inédita, o filme já vale uma menção. Mas, não foi apenas pelo cunho social que 5X favela, agora por nós mesmos, ganhou tantos prêmios pelos festivais que passou. As cinco histórias contadas são interessantes, bem produzidas, realistas e envolventes. Cada uma com média de 20 minutos dá uma dimensão sem preconceitos da realidade nas comunidades, diferente do que vemos em algumas obras que só ressaltam a violência e o tráfico. Claro que esses assuntos estão presentes, mas a forma como são mostrados possui menos estereótipos. É possível ver as pessoas passeando pelas ruas à noite, jogando dominó na esquina, recusando trabalhos relacionados ao tráfico de drogas e reforçando valores morais e sociais.
A técnica também não deixa nada a dever a nenhum filme nacional. Bem decupados com tomadas criativas, boas interpretações e cuidados com a direção de arte. A fotografia também é bem realizada, acompanhando as necessidades da história e se preocupando com os enquadramentos necessários para alguns efeitos, como no episódio “Acende a luz” quando a câmera se afasta para mostrar as luzes acendendo ou no episódio “Arroz com Feijão” que os closes ressaltam detalhes da emoção dos personagens. Isso, sem falar nesse episódio da criatividade do roteiro em solucionar o fato principal com aquele bilhetinho engraçado. Nenhuma novidade, mas tudo muito bem feito.
As cinco histórias foram todas criadas nas oficinas de roteiro e contam tramas completamente diferentes. O tom de cada uma delas também é distinto. Em “Fonte de Renda”, dirigido por Manaira Carneiro e Wagner Novais o personagem principal Maicon, tem que passar por situações difíceis para conseguir estudar na faculdade de direito. Com um tom realista mostra os problemas de dinheiro para o ônibus ou livros, que são sempre muito caros, e a tentação de servir como avião para colegas interessados em drogas, mas que não querem subir o morro.
O segundo curta, “Arroz com Feijão” de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, traz um tom mais ingênuo, sonhador da visão da criança que quer dar um presente de aniversário a seu pai. O homem trabalhador só come feijão com arroz todos os dias. A jornada de Wesley e seu amigo Orelha para conseguir dinheiro para comprar um frango mistura comédia e drama na dose certa. O desfecho é o mais criativo dos cinco, com um toque genial.
“Concerto para violino” de Luciano Vidigal é a trama com a realidade mais crua do tráfego de drogas e corrupção policial. Através da história de três amigos de infância que seguiram caminhos diferentes acompanhamos a dificuldade de fugir da tragédia em algumas partes do morro. Ela, estudante de violino, ele, traficante de drogas, e o outro, policial corrupto. Vidigal que é ator, professor e diretor carioca do Morro do Vidigal traz a visão mais determinista do filme.
Já “Deixa Voar” de Cadu Barcelos é uma mistura de medo e sonho. Interessante demonstrar que os próprios moradores de uma comunidade têm medo de visitar a vizinha, mesmo não tendo envolvimento com o tráfico. Flávio tem que atravessar a favela rival para pegar uma pipa que soltou e foi parar em solo “inimigo”. A tensão é aliviada pela metáfora das pipas sendo empinadas, uma diversão poética da adolescência e da relação de amizade entre dois colegas de escola.
O último episódio tende mais para comédia. “Acende a luz” de Luciana Bezerra conta uma trama tragicômica de um quase sequestro de um funcionário da rede elétrica na véspera de Natal. O rapaz precisava de uma peça para consertar o poste de uma região da favela, mas os moradores não o deixam sair para buscar o material por acreditar que ele irá abandonar o local sem luz. A ironia de prender um homem que honestamente queria ajudar, terminando o serviço, se une à denúncia de abandono dessas pessoas ao demonstrar que outro grupo já tinha ido embora sem resolver o problema e que o parceiro do rapaz preso não retorna para ajudá-lo. Um final debochado sobre uma realidade dura.
Publicado em 5x, Clipping, Na rede
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La máquina
.
Em la máquina
Me sinto nos anos 80
No momento mágico de minha geração
Em la máquina
Viajo no tempo
No tempo em que sonhava com um mundo igual
No tempo que resiste à ação do próprio tempo
No tempo que resiste ao momento
Que seria o momento?
O tempo das culturas homogeneizadas?
Das puras e higienizadas?
A sociedade dos mesmos
Onde tudo é igual
Provisório
Contraditório
Diferente; e
Social
Em la máquina
Me sinto incoerente
Me sinto gente
Tenho vontade de abraçar a gente
Por que somos doentes?
Aprendemos o que é igual?
Sinto isso
Em la máquina
.
.
Publicado em 5x, Internacional, Poesia
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mais notícias sobre Cuba – por Jéssica Barbosa
Cuba não é uma cidade para ser desfrutada da forma com a qual estamos acostumados. A primeira impressão que senti foi de estranheza. Caminhando pela habana vieja sinto que é mais fácil achar um salão de beleza e colocar unhas postiças coloridas e enormes que achar um supermercado e comprar uma variedade de frutas. Variedades para comprar não é o forte de Cuba. Não vi um supermercado do modelo que temos no Brasil. Vi muitos cinemas na cidade e uma paixão muito grande por essa arte. Não só dos estudantes da escola de cinema, que tem muitos estudantes brasileiros, mas é um hábito do povo. Os cinemas são grandes e por conta do festival as filas são enormes e as salas sempre cheias. O povo comenta o filme dura a sessão, levanta, fuma dentro do cinema, reage sempre de forma expansiva e vibra muito quando aparece um ator de novela. Eles acompanham nossas novelas e adoram. O cinema brasileiro lhes dá a oportunidade de ver uma realidade diferente da telenovela. As viagens não são habituais e fartas para eles e uma boa maneira de conhecer o mundo é através das salas de cinema. Isso é o mais bacana desse festival. É um festival internacional do cinema lationamericano que reúne diretores, produtores, atores, roteiristas do mundo todo. Um festival que agrega não só os artistas e produtores dos filmes mas todos os cubanos. Um festival que possibilita que filmes que não chegariam lá por conta de dsitribuição cheguem! Experiência única. Vi um filme lindo da Colômbia que acho que não teria a oportunidade de ver aqui, Las colores de la montaña, filme sensível e que me deixou interessada em acompanhar mais sobre o que acontece hoje na Colombia em relação as guerrilhas e conhecer mais do seu cinema. Vi curta-metragens maravilhosos, filmes cubanos super interessantes, muitos filmes brasileiros. As diferenças sociais não são vistas quando se anda pela cidade. Vi bairros diferentes como Cubanacã onde ficam as embaixadas, bairro bem asfaltado com residências e embaixadas luxosissímas completamente diferentes das casas dos outros bairros por onde andei em que as casas as vezes são sustentadas por madeiras. A grande lição de Cuba é que se pode viver e ser feliz com pouco. Há dias em que se quer cenoura mas se come batata…
Algumas pessoas fazem comida em casa para ganhar um extra. Fui comer a famosa comida criolla na casa de uma senhora. Almocei sentada na porta da casa dela num pratinho de izopor arroz congrí (que é um arroz com feijão misturado), porco e 1 banana. Gostei tanto que voltei no outro dia para comer novamente, principalmente por que o preço da refeição é 1,00 peso algo equivalente a R$2,00. Comer em Cuba é barato demais e geralmente os preços são parecidos.
Quando tiramos a máquina fotográfica da mochila e saímos caminhando pela cidade com cara de primeira vez nos entregamos: somos turistas. Como diria o pessoal do 5x favela na nossa testa está escrito: temos CUC. A moeda que o estrangeiro tem acesso se chama CUC e vale 25 vezes mais que a moeda nacional. Nas áreas turísticas sempre vem alguém pedir uma ajuda…Alguns cubanos me falaram que o que eles acham mais difícil da vida na cidade é viver com duas moedas, uma moeda nacional desvalorizada que a moeda do salário e outra que circula por conta dos estrangeiros e que vale muito mais. O salário é o mesmo para um médico ou um engenheiro ou até mesmo um garçom, por isso não vemos uma grande diferença social. Alguns médicos se formam e as vezes vão trabalhar com táxi para estar mais próximos dos CUCs com as gorjetas e o transporte de turistas e poder ganhar um pouco mais.
Não vi por Cuba bancas de jornais ou revistas. O único jornal que vi circular foi o do partido comunista. Tem fotos de Che Guevara por toda a cidade e na televisão há canais que passam documentários sobre a revolução o dia inteiro. O povo cubano aprova o comunismo apesar das dificuldades mas algumas pessoas dizem que o país deveria estar mais aberto para algumas pequenas empresas privadas que movimentassem mais a economia. Não vi moradores de ruas, criança na rua nem pensar, quase nem vi crianças cubanas e perguntei a uma pessoa pelas crianças cubanas e ela me respondeu que estavam na escola. As pessoas cuidam muito da educação das crianças. Com dois anos elas já frequentam a escola. O horário da escola geralmente é integral nos conservatórios. Estuda-se a educação geral de manhã e alguma outra habilidade artística a tarde, como música, dança. Na cidade tem muitos estudantes de medicina brasileiros. O governo de cuba dá uma bolsa com alimentação, moradia e faculdade por seis anos. São 400 estudantes brasileiro numa escola de 2300 alunos.
Aqui o cinema é muito importante para o povo cubano. Estava andando pela cidade com os diretores do 5x favela e algumas pessoas nos paravam para dizer que tinham gostado muito de um filme brasileiro chamado 5xfavela. Um senhor cubano nos disse numa sala de cinema que as histórias que se contam nas novelas são muito diferentes das que se vê num filme como o 5xfavela. Essa é a grande magia desse festival ver o mundo através da tela de cinema. Saber que tem mães colombianas que deixaram seus filmes e se foram para a espanha através de um curta metragem super sensível. Ver o Chile tratando com tanta delicadez de um tema como a sexualidade na adolencência. Mostrar nosso país e nosso cinema lá dá muito orgulho. No Brasil temos cartões de crédito, financiamento bancário, carros de luxo, comida farta, mas não temos um festival como esse. Parabéns ao festival internacional del nuevo cine lationamericano, muito obrigada pelo convite e por conhecer Habana!
Publicado em: http://littlejezz.blogspot.com/2010/12/mais-noticias-sobre-cuba.html
Publicado em 5x, Agenda, Festivais, Internacional, Na rede
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5X Favela – In Cuba, another Look at the Favelas
Irina Echarry
For the past several years at the Havana Film Festival of New Latin American Cinema, there’s been no shortage of stories about Brazilian favelas (Ciudad de Dios, Tropa de elite, etc.) These are films that speak to us of violence, marginalization and the lack of a future for the residents of those impoverished communities.
The situation repeats itself this year, but with notable differences. 5 X Favela: ahora por nostotros (the modern version of the classic 5X Favela, produced in 1961) is the work of the favela residents themselves.
Neighbors tell us how they would like to be treated, how they live, how they suffer and how their lives too include happiness, passion and love. Though never ceasing to be surrounded by violence, this is not the sole flavor of this film that is divided into five stories.
The young directors try to present a different perspective toward this place where they live and to show how difficult it is to leave. One youth who is doing all he can to study law — with no resources whatsoever — is shown to be forced to sell drugs to his classmates.
Another boy who does anything (even stealing) is celebrating his father’s birthday. Suddenly, the owner of a chicken that the youngster stole appears and a friendship is ended in violence.
Friendship and love are like arms to temper the aggressiveness and to make life less hostile. Lastly presented is the story of an electrical worker, determined to get the lights back on for a community, which winds up celebrating Christmas together.
These are stories communicated to us through their five directors, tinged with humor, mischief and at moments sweetened in their attempt to eliminate the stereotypes and prejudices. It is a movie in which those who up to now have observed are now the observers. They reflect their own problems and try to solve them.
Publicado em: http://www.havanatimes.org/?p=34403
Publicado em 5x, Agenda, Clipping, Festivais, Internacional
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Cacau Amaral
By História do Cinema Brasileiro– 25 de novembro de 2010
Posted in: Diretores, Enciclopédia, Profissionais
Morador de Caxias e ligado à CUFA (Central Única de Favelas), participou de curta metragens e videoclipes realizados por ela. É um dos realizadores do documentário Um ano e um dia, sobre ocupação de terra. Esse filme ganhou prêmios em diferentes festivais, inclusive no de Jovens Realizadores do Mercosul e na Mostra do Filme Livre, em 2005. Além de seu trabalho com cinema, é também escritor e rapper.
Cacau Amaral co-dirigiu, junto com Rodrigo Felha, o episódio Arroz com Feijão, que integra o filme 5x Favela – Agora por nós mesmos.
:: Filmografia ::
2010 :: 5x Favela – Agora por nós mesmos
Publicado em: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cacau-amaral/
Publicado em Clipping
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MELHOR QUE UN POEMA – en Martinique
Publicado em: autresbresils.net
1è édition du festival de films brésiliens en Martinique – 25 et 26 novembre
25 novembre 2010
par Autres Brésils
1è édition du Festival de FILMS BRÉSILIENS organisé par la ville de Les ANSES D’ARLETS, l’Association ABRAMA ET LE CINEMA ATLAS, les 25 et 26 Novembre 2011.
Programme :
Vendredi 25 NOVEMBRE 2011
18H : MELHOR QUE UN POEMA (MIEUX QU’UN POÈME) de Cacau Amaral
Synopsis : Portraits de jeunes des quartiers périphériques de la ville de Rio. Privés d’espaces d’ expression, ils s’investissent dans le hip-hop, leur propre et leur seule opportunité d’ accéder à la culture et aux loisirs. ( VOSTF,Durée 15mn, Année 2006)
19H : STRADE D’ACQUA (Route de l’eau) de Augusto Contento
Réalisateur : Augusto Contento
Tourné durant des voyages sur l’Amazone entre Manaus et Belém, ce film montre la vie des populations locales, leur difficile accès à l’eau, les rapports qu’ils entretiennent avec le fleuve. ( VOSTF,Durée 120 mn ; Année 2009)
21H : DEBAT
TARIF : 3 € PAR SOIRÉE
Samedi 26 NOVEMBRE 2011
15H : Démonstration de CAPOEIRA et Visite de stand de dégustation et d’artisanat brésilien
18H : PRETA CONTRA BRANCO (NOIR CONTRE BLANC), de Wagner Morales
Depuis plus de 30 ans, juste avant Noël, à Heliópolis, la plus grande favela de São Paulo, les habitants de deux quartiers voisins se retrouvent autour d’un match de football où les Noirs jouent contre les Blancs. Les joueurs, en majorité métis, doivent choisir leur camp. La préparation du match avançant, la tension monte et le mythe de la démocratie raciale brésilienne est de plus en plus mis à mal. ( VOSTF,Durée 78 mn ; Année 2004 )
19H30 : DEBAT avec Juliette Smeralda (sociologue), Sebastien Martial (Professeur de cinéma)
20H : MADAME SATÃ de Ainouz Karim Basé sur un personnage réel, João Francisco dos Santos(1900/76) devenu légendaire. Cet homme noir athlétique du quartier de Lapa à Rio connu pour être voleur, travesti, père adoptif de 7 enfants, symbolise aussi l’affirmation de la culture afro brésilienne après l’abolition de l’esclavage (1888). (Durée 104 mn ; Année 2003)
21H45 : DÉBAT : M Richard Price (ethnologue) 22H30 : Collation
Avec la participation de : Cinéma Atlas et Ciné Caraïbe
Publicado em: http://www.autresbresils.net/agenda/article/1e-edition-du-festival-de-films. Acesso em: 18/9/2013
Publicado em Clipping, Internacional, Na rede
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