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O Estado de São Paulo
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‘Cinco vezes favela’ leva arroz com feijão e tráfico a Cannes

A atriz Roberta Rodrigues, os diretores Tereza Gonzalez, Feijao, e os atores Cintia Rosa e Thiago Martis, lançam 'Cinco vezes favela - agora por nós mesmos' em Cannes. (Foto: Dominique Maurel/Divulgação)
Publicado em: g1.globo
Diego Assis
Do G1, em Cannes
Funk carioca, arroz com feijão, pipa e, claro, tráfico e violência foram apresentados nesta terça-feira (18) aos frequentadores do Festival de Cannes, mais influente evento do cinema mundial da atualidade. O cartão de visitas é “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, projeto capitaneado por Cacá Diegues e Renata Almeida Magalhães, que reúne curtas-metragens realizados por jovens cineastas originários de comunidades carentes do Rio de Janeiro.
Exibido fora da competição oficial, o longa-metragem pretende passar uma imagem diferente da favela. “Existe uma tentativa de construção de uma identidade completamente diferente dos estereótipos e lugares-comuns que a gente vê em geral na imprensa e na televisão quando o assunto é favela”, explicou Diegues em entrevista ao G1 nesta tarde. “Este é um filme que tem um humor, uma luz no horizonte, uma preocupação moral que não são normais no chamado ‘filme de favela’,” defendeu.
As histórias, selecionadas em uma oficina de roteiros promovida nas próprias comunidades em 2007, lidam com temas que vão desde o garoto esforçado que quer cursar direito mas tem de vender droga para conseguir o dinheiro do ônibus, ou o menino que quer agradar o pai e trabalha como guardador para juntar dinheiro e comprar um frango assado, até o moleque corajoso que ousa cruzar a fronteira invisível entre dois morros rivais e ir buscar sua pipa que caiu lá do lado “dos alemão”.
As interpretações e diálogos seguem uma linha de produções de TV – lembra a série “Cidade dos homens” às vezes -, e os finais são quase sempre felizes. Uma exceção é o curta “Concerto para violinos”, de Luciano Vidigal, que tem no elenco o ator Thiago Martins na pele de um traficante que é encurralado pela polícia e pelo líder da facção inimiga depois de roubar armas de uma delegacia local. Mas o PM encarregado recuperar as armas é um amigo de infância do traficante.
“O ‘Cinco vezes favela’ mostra uma favela de dentro para fora, e não de fora para dentro. O ‘Cidade de Deus’ mostrou uma favela de bandido. O ‘Tropa de elite’ mostrou uma favela de policiais. E este filme mostra uma favela de trabalhadores, de moradores de verdade”, afirmou Thiago Martins, que é criado na comunidade do Vidigal e começou a trabalhar como ator lá, no grupo Nós do Morro. Seu professor era Luciano Vidigal, diretor do curta do qual participa.
“Fico muito feliz de estar fazendo parte desse projeto agora, que mostra que o cinema das comunidades está crescendo bastante, com qualidade e muita dedicação.”
Marcelo D2
Em Cannes pela primeira vez – “era o festival que eu mais sonhava conhecer” -, Thiago revelou ainda ao G1 que começa em janeiro do ano que vem a trabalhar nas filmagens de “No meu tempo”, longa de Johnny Araújo inspirado na história de vida de Marcelo D2.
“Eu não vou imitar o Marcelo. Sou eu, o Thiago, compondo um personagem em cima do Marcelo. Mas a gente tem passado um bom tempo junto. Tenho escutado bastante coisa da época e visto uns vídeos antigos do Planet Hemp”, disse o ator em referência à banda original de D2, famosa nos anos 90 por defender abertamente a legalização da maconha.
“Sendo uma história sobre o Marcelo, vamos tocar nesse tema, sim, mas com muita delicadeza, nada muito agressivo. A ideia é mostrar essa história de amizade entre ele e o Skunk [já falecido amigo e ex-companheiro musical de D2]. Acho que o Skunk veio no mundo mesmo para botar o Marcelo no trilho”, brinca o ator, de 21 anos, que depois de oxigenar a cabeça para fazer seu personagem em “Cinco vezes favela”, agora terá de emagrecer 8 kg e pintar o cabelo de roxo para encarnar D2.
Publicado em: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/05/cinco-vezes-favela-leva-arroz-com-feijao-e-trafico-cannes.html
Publicado em 5x, Clipping, Festivais, Internacional
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Cacá Diegues exibe 5x Favela no Festival de Cannes
Publicado em: r7
Quase meio século depois de participar em Cinco Vezes Favela, que se tornou um marco no cinema novo brasileiro, Cacá Diegues apresentou nesta terça-feira (18), em Cannes, 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, a reunião de cinco curtas realizados por jovens cineastas provenientes de comunidades carentes.
Em 1962, um grupo de cineastas – Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues, Marcos Farias e Leon Hirszman – realizaram essa incursão coletiva nas favelas e o conjunto de cinco curta-metragens causou sensação.
Agora coordenador do trabalho criativo de jovens cineastas das favelas, Cacá Diegues criou a oportunidade deles darem sua própria visão das comunidades que conhecem tão bem.
5x Favela – Agora por Nós Mesmos, que o Festival de Cannes apresentou fora da competição oficial, também é composto por cinco curtas autônomos de cerca de 20 minutos cada um.
Fonte de Renda, de Manaíra Carnero e Wagner Novais, é a história de um jovem estudante de Direito decidido a terminar sua graduação apesar das tentações para conseguir dinheiro fácil para custear seus estudos.
Tragicomédia com final feliz, Arroz com Feijão, de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, tem como protagonistas dois meninos que tentam ganhar dinheiro para que o pai consiga comer frango em vez do arroz com feijão que consome todos os dias.
Em Concerto para Violino, de Luciano Vidigal, sem dúvida o mais duro dos cinco curtas, três amigos de infância seguiram caminhos muito diferentes: um é policial, o outro traficante e a menina se torna violinista. A confluência desses três destinos conduz à morte.
Deixa Voar, de Cadu Barcellos, é um canto ingênuo que alerta contra os perigos que existe no desconhecimento dos demais. O elo condutor do relato é um concurso de pipas com fundo de rap.
Acende a Luz, de Luciana Bezerra, transcorre no dia de Natal. Um defeito deixa sem luz boa parte da favela, mas o eletricista Lopes consegue consertá-la para a alegria da vizinhança.
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..No conjunto, esse filme coletivo transmite uma imagem bastante positiva das favelas, mais próximas de qualquer bairro periférico popular de uma grande cidade do que parecidas com povoados de miséria.
Em uma animada conversa com a AFP, Cacá Diegues falou sobre o diferencial do projeto.
– Esta é precisamente a razão pela qual o filme é tão original e interessante, pela primeira vez a favela é vista de dentro, sem os estereótipos, os clichês da imprensa e da televisão, que são falsos. Claro que há violência nas favelas, mas não ao ponto de que todo o mundo esteja envolvido, isso não é assim.
O produtor da obra diz que, na realidade, o filme é uma recuperação da identidade que foi perdida pelos estereótipos da imprensa, da televisão e de certos filmes.
– Aqui ninguém está falando por eles.Também é uma reflexão sobre situações do limite entre legalidade e moralidade, quando algo deixa de ser legal mas segue sendo moral.
No início dos anos 1990, Cacá Diegues, um dos universitários de classe média do Rio de Janeiro, começou a trabalhar com associações culturais locais para introduzir o cinema nas favelas. Três ou quatro anos atrás, com sua esposa, a produtora Renata de Almeida Magalhães, iniciou oficinas de técnica, produção, direção, edição, fotografia e mais de 600 jovens cineastas das favelas se inscreveram, sendo que 200 foram selecionados para as oficinas e 84 deles participaram do filme em diferentes áreas.
Cacá Diegues explica que todos podiam apresentar histórias e eles mesmos votaram.
– Quando começaram a desenvolver seus roteiros, já havíamos escolhido os dietores, que passaram a ser o centro de cada projeto. Eles podiam escolher alguns atores, sobretudo para personagens de idosos, porque nas favelas o cinema é algo recente e não há atores idosos.
Ele conta que o filme foi concebido, escrito e realizado todo pelos jovens cineastas moradores de favelas.
– Eu simplesmente produzi e conduzi o projeto, não há nenhuma imagem feita por mim. Foi mais fácil trabalhar com eles, que além de tudo são muito talentosos.
Diegues garante que o complicado foi o patrocínio, já que ninguém acreditava em seu projeto, e no fim foi possível graças a patrocinadores privados. A estreia do filme pela Sony Pictures deve ocorrer no próximo mês de agosto nos cinemas brasileiros.
Publicado em: http://entretenimento.r7.com/cinema/noticias/caca-diegues-exibe-5x-favela-em-cannes-20100518.html
Publicado em 5x, Clipping, Festivais, Internacional
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El cine que bajó de las favelas
Publicado em: elpais.com
El común denominador entre Wesley, Ademir, Marlon, Jota, Marcinha y Flávio es inventarse cada día el arte de vivir. No precisamente ‘el arte de vivir’ en cuanto hipócrita concepto parido por la sociedad del bienestar y recogido hasta la extenuación por esas páginas mágicas de suplemento dominical que tanto nos tranquilizan y nos alivian a este lado de la línea que separa el primer mundo de los demás. No. El arte de vivir así, en sentido literal: convertir la aventura de levantarse y afrontar la masa informe de los días en una obra de arte personal e intransferible, en un truco y en un ardid, en una caja repleta de tretas y de golfería, en un arsenal de picaresca que les dé de comer para que, al final del círculo, la cosa se titule ya de otra forma: ‘el arte de… sobrevivir’.
Cannes, en imágenes
FOTOS – AFP – 18-05-2010
Binoche y Kiarostami. El director de cine iraní, Abbas Kiarostami, posa con la actriz francesa Juliette Binoche, protagonista de su película Copie conforme, presentada en el festival.- AFP
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Eso pasa en la sucesión de los días y de las noches allá arriba, en las favelas de Río, en auténticas urbes de hojalata encaramadas a las colinas que circundan la floresta de Tijuca, en ciudades de cartón que, como Rocinha, superan en habitantes a muchas capitales de provincia españolas. Eso pasa allá arriba y los productores brasileños Carlos Diegues y Renata de Almeida decidieron utilizar ese material humano y creativo para poner en pie un insólito proyecto sociocultural que, con el apoyo del gobierno municipal de Río de Janeiro, dio como resultado esta película, 5 X favela : un fresco de ficción sobre base desgraciadamente real firmado por cineastas jóvenes e inexpertos que saben de lo que hablan: guionistas, directores, operadores, actores y técnicos noveles que, tras haber pasado por las aulas de cursos impartidos por prohombres del nuevo cine brasileño como Ruy Guerra, Walter Salles o Fernando Meirelles, han acabado asistiendo incrédulos a lo impensable: aterrizar en la sección oficial del Festival de Cannes .
5 X favela navega entre cinco historias independientes, cinco cuentos cinematográficos sin complejos y plagados de sinceridad, valentía e incorrección política. Nada es lo que parece, o mejor dicho todo es lo que no parecía que era, en esta película. Los corruptos policías sellan acuerdos con los sanguinarios jefes de clan, los niños bien de Copacabana o Ipanema encargan a sus compañeros de facultad menos ‘favorecidos por la vida’ que les traigan el paquetito de coca que otorgará el pasaporte a la felicidad, la exclusión no sólo va por razas, países, ciudades o favelas, también va por barrios… y los finales de la vida, y por lo tanto de estos cuentos, no son siempre ‘happy ends’ sino todo lo contrario. Como ese tremebundo último plano de ‘Un concierto de violín‘, en el que el jefe de la policía acaba brutal pero piadosamente a tiros con la vida de sus dos amigos del colegio para ahorrarles un final mucho más espantoso.
Las amistades de infancia rotas por el curso del tiempo, el amor filial en medio del desastre, la puñetera dictadura del destino -que, no hay duda, existe según en qué casos- las ilusiones en forma de cometa volando por el aire… estos son algunos de los temas que tratan estos ‘meninos da rua’ reconvertidos en cineastas en 5 X favela . Los productores han puesto a su alcance medios similares a los que hubieran tenido directores profesionales. Si a esto se une la originalidad y calidad de las historias y la inacabable frescura en el planteamiento de estas cinco pequeñas películas -la frescura inherente al recién llegado- el resultado es una pequeña joya de hora y media hecha cine. Un diamante en bruto, no tan en bruto, en medio del festival más grande e influyente del mundo.
Publicado em: http://www.elpais.com/articulo/cultura/cine/favelas/elpepucul/20100518elpepucul_6/Tes
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