Televisão

Vou te contar o que acontece, meu povo padece
O governo não liga, da gente ele se esquece
Uma prece, talvez não vá adiantar
É necessário uma atitude um pouco mais drástica
Religião talvez seja uma opção
Mas eu prefiro outro tipo de revolução
Alguns irmãos pregam a revolução armada
Mas eu ainda acho que essa é a hora errada
Tô na parada, pode contar sempre comigo
Morou cumpadi eu não corro do perigo
Mas eu te digo: eles descobriram nossos planos
E pretendem globalizar os seres humanos
Em escravos urbanos nós fomos transformados
Estamos a mercê de seus calibres pesados
Sua arma é mais pesada que qualquer PT
Sua arma é encontrada em qualquer TV

A televisão te deixou muito burro
A televisão me deixou burro muito burro

A televisão me deixou cego, surdo, mudo e burro
Mas só que agora eu desci do muro
E eu te juro lá não tem nada de bom
Agora eu valorizo muito mais o meu som
Som do bom sangue bom, não vou mais dar mole não
Eu me meto, mas não comprometo não saio do tom
O meu som é assim mesmo, meio esquisito
Bumbo pesado pra ficar bonito
É agressivo, mas passa longe de nocivo
Mas conhecido como rap positivo
Não é consumido em nenhuma parte do universo
Mas é difundido no underground, em nome do progresso
E não para o regresso imposto pela mídia televisiva
Que mantém a nossa juventude inativa
A alternativa é você gritar um não.
À lavagem cerebral imposta pela televisão

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Sua paz (Tom A)

F#m                                A

Enquanto a mídia promove a guerra

E                           D

Poucos ainda lutam pela paz

Levantando a bandeira singela

Que a muito já não se vê mais

 

Tanta violência, não queremos mais

Não deixem que destruam

       F#m E D

Sua pa—a-az

A E F#m E D

Sua pa—a-az

A E F#m

Sua paz

Enquanto sementes brotam na terra

Mata-se até não querer mais

Enquanto floresce outra primavera

Nas trincheiras o fogo audaz

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Sua paz

Enquanto a mídia promove a guerra. Poucos ainda lutam pela paz

Levantando a bandeira singela. Que a muito já não se vê mais

Tanta violência, não queremos mais. Não deixem que destruam

Sua paz

Enquanto sementes brotam na terra. Mata-se até não querer mais

Enquanto floresce outra primavera. Nas trincheiras o fogo audaz

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Nunca Mais

Tom G   

Em Em C D

Em-G D C D

Você perdeu pois nunca aprendeu

Viveu desesperado e agora morreu

Pintou bordou, se desesperou

Seu passaporte ao inferno, você assinou

E agora não pode voltar atrás

Nunca mais

Teve tudo na vida, não curou a ferida

Sua alma agoura, está perdida

O diabo adorou, ele te convocou

E você o abraçou

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Menino de rua

Um menino de rua querendo fugir do seu destino
Queria ser apenas mais um menino
Soltar pipa e rodar pião debaixo do sol
Jogar bola de gude e jogar futebol
Receber um pouco de carinho da sociedade
Ter o mínimo de afeto e dignidade
Quem sabe isso amenizaria a falta que faz?
Viver sem casa e o carinho dos pais
Saúde, escola, alimentação
Moradia digna, afeto, orientação
É o mínimo pra uma criança crescer sadia
E poder exercitar a sua cidadania

Menores carentes vítimas da exclusão
Acabam caindo nas garras da prostituição
Mas o mais estarrecedor é o fato de haver
Oportunistas se aproveitando de quem não tem o que comer
Esse fato denuncia a deformação moral
De adultos que compram um favor sexual
De crianças famintas abandonadas pelos pais
Pela sociedade, autoridades e mais

Se analisar-mos essa situação
Facilmente chegaremos a uma conclusão
Daqui pro futuro eu já poso prever
O que provavelmente poderá acontecer
Um futuro marcado por tensões sociais
Muito mais graves do que as atuais
Porque a vida está difícil
Mais difícil a cada dia
Mais moleques na rua com a barriga vazia

Menores a deriva sem um leme para se apoiar
São uma porta aberta, desprotegida
Para enfrentar um mundo difícil a valer
Um mundo louco que elas não conseguem entender
Não por falta de conhecimento
Mas sim de vida
Pois a média etária é cada vez mais reduzida
Num mundo de drogas e de criminalidade
Num mundo criado pela própria sociedade

Durante toda noite querer
Mas não poder ter
Um cobertor para tentar se proteger
Do frio que faz durante a madrugada
Tornando gelado o coração da molecada
Invadiram o abrigo debaixo da ponte
Distribuindo porrada e inventando um monte
Não adianta se explicar na hora da dura
Pros desgraçados detonadores da paz noturna
Por outro lado os traficantes ensinam como é que é
Aviãozinho pra descolar um qualquer
Qualquer merreca vai ser muito bem vinda
Pode ser em grana ou então em cocaína
Mão de obra barata que ainda mora distante
Pra quando rodar pros homi não queimar o traficante
De um lado os bandidos de outro policiais
O moleque no meio não tem nenhuma paz
Sofrendo de todas as formas, dia e noite, noite e dia
Chorando e tentando se esquivar da perseguição doentia
Essa é a sua opção pode escolher
Ser ladrão, mendigo ou então morrer

Moleque de rua, a culpa dessa desgraça não é sua
Moleque de rua, seu telhado tem estrelas e a luz da lua

Cacau Amaral (2000)

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Ataque verbal

Estamos cansados, pois somos constantemente humilhados, ultrajados por um sistema todo errado

Sistema que não se conforma em ver um pobre consciente como eu e como você

Que não fica parado diante do que está errado, que não fica calado ao ser incomodado

Mas se ao contrário, você for um salafrário, não pense que aqui existe algum otário

Assuma a carapuça e admitia seu erro, a partir de agora você vai ter um pesadelo

Não adianta se esquivar, você não vai ter paz, onde você for a gente vai atrás

Lembra quando você estampou no jornal que um rapper não passava de um animal

Que nossa música não tinha nenhuma melodia, não poderia ser classificada como poesia

Que não sabemos cantar, que só sabemos gritar e nossas letras só serviam para reclamar

Mas se você não trata o pobre como seu irmão, não espere ouvir de mim palavras de satisfação

Foi você quem plantou o seu inferno astral, então segura a porrada, o ataque verbal

Primeiro… você não serve pra nada, não tem nenhum camarada, é o maior conversa fiada

Quem ia querer um amigo como você? Só adianta o próprio lado, não joga pra perder

Segundo que você é um tremendo racista, é o maior vigarista, que sempre deixa na pista

Seu vizinho lhe pediu ajuda, você ignorou, só porque ele não era da sua cor

Se você não entendeu esse recado “mermão”, Preste atenção

Então segura o ataque “mermão”,

Cacau mandando a real, Dj Dmc no scratch e tal

Eu poderia simplesmente falar, mas você não ligaria, não iria escutar

Por isso que eu vou mandando a informação, acompanhada da base pra manter sua atenção

Através do discurso a gente te avisa, se não tiver recurso a gente improvisa

Eu peço a você que não fique assustado, você não está acostumado com o meu som pesado

Cozinha pesada, guitarra distorcida, porém acompanhada de mensagem positiva

Numa formação nada convencional, poesia suburbana, distorção social
Se liga na parada, nesse som porrada, ele entra em sua mente como uma martelada

Abala o seu tímpano, mas não te deixa surdo, massageia seu estômago com graves e agudos

Nós somos iguais, mas você não nos aceita, respeitamos você e você não nos respeita

Somos perseguidos, sempre encurralados, constantemente cercados por todos os lados

Mas não pense que eu tenho alguma mágoa a mais, você não pode me atingir, você não é capaz

Não fique bolado, eu uso a palavra certa, meu corpo não é fechado, a minha mente é que é aberta

Sempre aberta, com o verbo em destaque … a melhor defesa é o ataque
Sua mente está abalada, mas não está morta, eu só te dei essa porrada pra ver se você acorda

Me desculpe o mal jeito, não é nada pessoal … segura o ataque verbal

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Crime organizado

O fim, o caos, o início de uma vida sub-humana

É o agravamento incontrolável da violência urbana

Onde o pobre não tem nenhuma chance

E ficar isolado é o que está ao seu alcance

Isolado e privado de uma vida segura

Só lhe resta na verdade uma vida muito dura

Problemática, estática, de lamentação

Massacrado pela discriminação

Nós somos discriminados por essa sociedade

Empurrados, afastados, do centro da cidade

Onde não podemos adquirir a moradia

Mas podemos trabalhar o dia inteiro para sustentar a burguesia

Eles acham mesmo que o proletário é um lixo

Que deveria ser enjaulado, tratado como um bicho

Como se já não vivesse num mundo contraditório

Enjaulado nas cidades-dormitório

Uma enlameada, escrachada, parada, que não tem nada

Tenho certeza: já ouviu falar sobre a baixada

Onde a pobreza impera e a miséria é de fato

Um verdadeiro quinto mundo dentro de um quarto

Com um povo sofrido, perdido, banido, esquecido

Enjaulado e trancado, largado num mundo bandido

Um mundo vítima da pura incompetência

Que é o resultado do estado de indigência

E da falência ininterrupta do código penal

Completo abandono da instituição policial

Que é ultrapassada, enquanto a criminalidade

Cada vez mais se organiza e toma conta da cidade

Da cidade, do estado e de toda a nação

Crime organizado já não tem mais solução

Por isso, infelizmente, comunidades carentes

Vivem a mercê da covardia dessa gente

Crime organizado que te torna um delinquente 

Crime organizado que vicia nossa gente

Crime organizado que obriga o inocente

Em troca do dinheiro sujo, virar um delinquente

Um delinquente obrigatório só quer garantir o pão

E vê na criminalidade a única opção

Iludido pelo poder, se transforma em um soldado

Não tem nada a perder, pois é criminalizado

Seria bem diferente se tivesse educação

Teria opção, poderia dizer não

Poderia conhecer o lado bom da vida

Arrumar um trampo, estudar, ter uma família

Não jogue sua vida fora saia desse jogo

Pois tudo que o dinheiro dá ele toma em dobro

Eu sou o seu irmão, não tenho obrigação

Mas quero transmitir pra você um pouco de informação

Não sou dono da verdade, mas sou consciente

Me incomoda ver por baixo a minha terra, a minha gente

Meu povo sofrido, esquecido como eu

Que se pergunta a todo instante: será que existe deus?

A culpa não é dele, mas sim de quem deveria

Dar educação, trabalho, saúde e moradia

Mas te incentivam a querer ser o tal

Com um oitão na cintura, fazendo cara de mal

Mas toda essa maldade, você já deve saber

Gira e vira como uma bola e volta pra você

Sai fora dessa vida, conheça um mundo novo

Não seja mais um covarde envenenando o próprio povo

Se mantenha longe das tretas e também do vício

Se você quer dignidade tem que batalhar pra isso

Sabe que a vida é dura, mas só que tem que se ligar

Faça a sua parte que a minha é conscientizar

Uma andorinha sozinha nunca fará verão

Mas mais de um milhão faz uma revolução

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Banda Agete 77

Força Policial

Viva la revolution – The Adicts

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Chocolate

Tom E

E A E B 

A A D E

Quando minha mãe estava grávida, ela teve um desejo

Meu pai o realizou em troca de um beijo

Não era melancia, jaca e nem abacate

Meu pai de madrugada, procurando chocolate

Chocolate

No dia em que nasci, eu pedi na mamadeira

Agora que cresci, eu roubo na geladeira

Melhor do que tomate com cebola e alface

Tim Maia já dizia, só queria chocolate

Chocolate

Chocolate mousse é gostoso pra danar

Caroço de cacau, você tem que experimentar

No desjejum eu nunca tomo suco e nem mate

Não tomo leite puro, só se for com chocolate

Chocolate

Na hora da merenda eu malocava meu todinho

Levava pro banheiro pra tomar no sapatinho

Voltava para aula super muito mais contente

Porque o chocolate me deixava inteligente

Chocolate

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Como você

Se eu estou aqui

Não pretendo mais sair

Não pretendo mais fugir

Não pretendo desistir

Não pretendo me vender

Como você

Que acorda de manhã

Diz que está tudo bem

Se acomoda e se esquece

De quem nada tem

Onde quer que eu vá

Nunca vou parar

Vou lutar até o fim

Eu garanto a você

Tenho que provar pra mim

Que eu posso vencer

Como você

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