O filho

Quando era criança

Via o mundo bem mais simples

Mas conforme crescia

As coisas ficavam complicadas

Tinha medo de crescer mais

E ter que ir trabalhar

Como meu pai e minha mãe

Eles só trabalhavam

Não tinham tempo pra nada

Não podiam brincar

Jogar bola de gude

Andar de patinete

Só trabalhavam

Pra ganhar dinheiro

Mas não tinham dinheiro

Quanto mais crescia

Mais perguntava

Onde estava aquele dinheiro

Que meu pai e minha mãe

Tanto trabalhavam pra ganhar

Fiquei adolescente

Jovem, adulto

Nunca tive essa resposta

Pra dar ao meu filho

Nunca tive essa resposta

Pra dar ao meu filho

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O destino

Não adianta dizer

O que devo fazer

Matar ou morrer

Ir ai céu ou ao inferno

A vida é minha

Por mais que tenha boa vontade

Não é dono da verdade

O que é bom para você

Pode não ser pra mim

Queria ver Jesus

Ou fazer magia da braba

Trazer amor em 3 dias

Mas minha parada é outra

Quero colher o que plantei

Traçar meu caminho

Descobrir meu destino

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Meu carro

Sou o pica das galáxias

Ando pela rua

E não vejo ninguém

Sem crianças no sinal

Sem famílias na calçada

Só o ronco do motor

Meu carro é o melhor

Minha nave é veloz

Sempre por cima de todos

Acima de tudo

Nada pode me parar

Pra mim não existem leis

Não tente me parar

Pra mim não existem leis

Quem cruzar o meu caminho

Vai se ver com meu pai

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O saber

Mano, pra ser sincero

Essa mina te ama

Sei que as vezes ela mente

Mas é o jeito dela

De que adianta

Você sofrendo daqui

Ela sofrendo delá

No fundo você quer ela

Acho que vale a pena

Mas vai saber

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Comprar mais

Prisioneiro na sala

Na própria sala de estar

Que eu mesmo construí

Para me aprisionar

Eu mesmo estiquei a corda

Agora posso acomodar o pescoço

A tela trás boas novas

Novas soluções

Soluções para me libertar

Da prisão sem muros

Basta comprar

Comprar mais

Comprar mais

Comprar mais

Eu seria livre

Essa é a proposta deles

Tem uma moto elétrica

Que não faz barulho algum

Tem comida mega ultra processada

Que não precisa cozinhar

Tem até um celular

Basta comprar

Basta comprar

Basta comprar

Comprar mais

Comprar mais

Comprar mais

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O doente

Esse ano novamente

Minha vida mudou

Uma transformação

Que não posso entender

Sei que a ciência explica

Mas amigos também não entendem

E isso me deixa triste

Me afasta

Agora meus dias

São dentro de casa

Assistindo TV

Sem a alma da rua

Leio livros

Mas não é a mesma coisa

São novos tempos

Melhor, velhos tempos

Dizem que estou doente

Mas não estou doente

Pelo menos não no corpo

Talvez na mente

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Eu sempre tento

Eu sempre tento 

Ser um cara legal

Mas por mais que eu tente

Ser um cara legal

Você me faz 

Parecer um Zé Ruela

Inconveniente

Nem tão legal


Eu sempre tento


(Am Am G G / Am Am F G)

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6 de abril

A segunda onda

Chegou na terra promissora

Não como a primeira

Bem mais devastadora

Matando professora

Motorista, faxineiro

Brasileiro, estrangeiro

Do último ao primeiro

Dizem por aí

Que o inimigo Não vê cor

Mas a primeira vítima

Qual era sua cor

Sem acesso

Ao isolamento social

Pra sua patroa

Seu trabalho era essencial

De lá pra cá

Qual é o novo normal

Pra qual classe

Ele seria mais letal

É só andar pela rua

E dar uma boa olhada

O que que você vê

Na calçada

Existe uma operação

De desinformação

A guerra é menos arma

E mais comunicação

Uma propaganda

Que invade nossa vida

Transforma nossos filhos

Transforma nossas filhas

Acerta o desastre

da cultura

Jovens

Reivindicando a ditadura

Eles vivem em bolhas

Específicos canais

Afogados em algoritmos

Em redes sociais

Pegando uma visão

Que não dá pra entender

Adultos que serão

Pior do que sonhamos ser

Andando pela rua

A observar

Como zumbis

Olhando pro celular

Trancados dentro de casa

Fazendo o que bem quer

Dando like no youtube

Batendo em mulher

Quando é desmascaro

Grava um vídeo da paz

Mas eu juro

Que não faço mais

Fizeram um cálculo

Pra matar 500 mil

Depois retomar

A economia do Brasil

O tempo passa

E não vemos nada melhorar

Será que acham

Que vamos acreditar

São bonecos que dominam

A comunicação

Robôs

Orientando a população

Sem oxigênio

Sem respiração

Inalando fumaça

Do nosso pulmão

Jogada de mestre

Primeiro incendiar

Depois pedir dinheiro

Pra tentar apagar

Mas o que eles apagam

De fato de toda história

Dia após dia

É a nossa memória

Educação sem cultura

Não é educação

É uma forma

De dominação

Mais uma ferramenta

De controle aos cordeirinhos

Uma nuvem de fumaça

Em Mariana e Brumadinho

Do Lítio da Bolivia

Do Chile, da Argentina

Ao bloqueio do negócio

Com a Rússia e com a China

Amigos amigos

Com um papo mancinho

Vende o que é seu

por um preço baixinho

O país que oferece

Um rifle meio assim

O país que oferece

Um rifle meio assado

Excesso de gentileza

Além do que está escrito

Qual seu estrangeiro

Favorito

Me serve ou me explora

Quem faz parte desse jogo

Me vende vacina

Ou me vende arma de fogo

Uma estratégia

De dominação

Primeiro Arrasa

pra depois vender a solução

Um projeto decente

Precisa muito mais

Do que cabeças

de intelectuais

tem ser discutido

Em nosso dia a dia

Não se apegar

a meras alegorias

Nem na retórica

Da contagem de corpos

De quem enriquece

As custas dos mortos

Um dia que jamais

Será esquecido pelo Brasil

Morreram mais de quatro mil

Em 6 de abril

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Sociopatas 2

Tom A   

A A E D

F#m F#m D E

Quando o sol nascente já precisa acordar

Perambula pelo mundo tentando se enquadrar

Deveria aceitar, mas só que não leve a mal

A síndrome de apatia social

Sociopatas

Andando e tentando entender essa cidade

Tentando pular o muro que divide a sociedade

Deveria aceitar, mas só que não leve a mal

A síndrome de apatia social

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a coisa, a praga, a peste – Lyric Video

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