Entrevista – Cacau Amaral: de Caxias para o mundo

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Natural de Duque de Caxias – RJ, cineasta, rapper e escritor. Cacau Amaral. Ligado à CUFA (Central Única de Favelas), participou de curta metragens e videoclipes realizados pela ela. Foi um dos realizadores do documentário Um ano e um dia, premiado em diversos festivais, inclusive no de Jovens Realizadores do Mercosul e na Mostra do Filme.Dirigiu, juntamente com Rodrigo Felha, o curta Arroz com Feijão, um dos episódios do aclamado 5x Favela – Agora por nós mesmos.

PP – Como e quando surgiu o seu interesse pela linguagem do cinema?
CACAU – Quando integrava o grupo de hip hop “Baixada Brothers”. A gente queria fazer um videoclipe e convidamos a Cia de Teatro Lomboko pra ajudar. Não sabíamos nada sobre filmagens, nem eles. Aí tivemos que aprender tudo juntos. Na ocasião, comecei a assistir o cinema russo e me apaixonei. Fiz meu primeiro filme, “1 Ano e 1 Dia”, e ganhei três prêmios, no Rio, Paraná e Ceará. Daí em diante foram mais seis curtas e um longa, o “5x Favela, agora por Nós Mesmos”.

PP – O que representa para você a linguagem do cinema?
CACAU – Mais uma forma de se expressar. Nos manifestamos de várias maneiras, através da música, do teatro, até mesmo escrevendo um email. O cinema veio pra somar nesse caldeirão, pois ele dialoga com qualquer língua, qualquer povo, qualquer cultura.

PP – Como foi a sua trajetória de sua primeira direção “1 ano e 1 dia” em 2004 até “5x Favela” em 2010? O que mais te marcou? Quais as principais lições?
CACAU – Realizamos “1 Ano e 1 Dia” apenas para agradar nossos vizinhos. Costumamos dizer que não dirigimos esse filme, só apontamos a câmera para onde os moradores nos indicavam. É claro que tem a mão pesada do editor, mas nessa época pouco sabíamos sobre cinema. Os prêmios foram uma grande surpresa, pois nem inscreveríamos o filme em festivais. As pessoas assistiam e diziam que era pra inscrever, mas a gente achava o filme muito pessoal pra gente e pros moradores, não imaginávamos que dialogaria tão bem com o público. Passamos o ano viajando pelo Brasil inteiro para participar dos festivais e no ano seguinte senti saudades dessa rotina. Fiz o “Melhor que um poema”, que não gostei do resultado na época. Ficava comparando com “1 Ano e 1 Dia” e achava que estava faltando algo. O “Guerreiras do Brasil” foi o terceiro filme. Veio no ano seguinte e ganhou uma menção honrosa em Minas Gerais, no Festival Favela é Isso Aí. Começaram a me chamar de documentarista. Adorava o tipo, mas queria fazer ficção. Fiz a animação “As aventuras de Agente 77” e recebi mais uma menção honrosa no Festival Visões Periféricas. O filme que eu acreditava não ter dado certo acabou recebendo uma menção honrosa em São Paulo, no Festival de Itu. Daí eu percebi que esse negócio de filme ruim é muito relativo. A gente faz o filme primeiro pensando na gente. Se o bairro gostar, é o momento de levar pra cidade. Depois pro estado e isso não pára nunca. Sempre tem alguém que se identifica com a sua ideia. Fiz outra ficção “À meia-noite morrerei três vezes”. Até que o Cacá Diegues me convidou para dirigir o “5x Favela”.

PP – Como surgiu o Cineclube Mate com Angu?
CACAU – A gente saía pra assistir os filmes que a gente gostava e não achava nada pela Baixada. Tínhamos que pegar dois, três ônibus pra assistir o que queria e acabava encontrando um monte de gente que morava no mesmo lugar e tinha a mesma dificuldade de locomoção. Daí surgiu a ideia: por que não se juntar e passar os filmes pra nós mesmos assistirmos em Caxias. Isso foi há nove anos. No início a ideia era essa, só pra gente, mas o público foi aumentando e tivemos que procurar um espaço maior. Ocupamos a Sociedade Musical Lira de Ouro e não saímos de lá nunca mais. Hoje temos três cineclubistas na direção da Lira, inclusive na presidência. Naquele tempo não tinha nenhuma atividade cineclubista na Baixada, hoje somos mais de dez cineclubes. Às vezes me perguntam por que a Baixada tem tanto cineclube e a gente sempre responde. Nada disso seria possível se não fosse a má distribuição dos filmes na periferia. Agradecemos a morte do cinema na década de 1990. Sem ela não existiria Mate com Angu. Há males que vêm para bem!

PP – Há várias organizações, que atuam na periferia, desenvolvendo oficinas de audiovisual que vem se tornando uma importante linguagem para periferia. Como você analisa essa apropriação do audiovisual pela periferia?
CACAU -Não me canso de repetir. Sou agradecido a todos aqueles que isolaram a gente da cultura. A gente perambulou, perambulou, deu um monte de cabeçada uns nos outros, mas depois percebemos que não precisamos de modelos alienígenas para caminhar. Olhamos à nossa volta e vemos a cultura brotar de dentro da pedra. Usamos essa cultura da maneira que podemos, a princípio com máquinas simples e a cada dia que passa mais e mais integrados ao aparato tecnológico. Quanto mais fomentamos cultura, mais entendemos que os recursos são nossos. Hoje além de projetar os filmes dos outros, produzimos nossos próprios filmes. E não fazemos isso apenas para a periferia. Fazemos porque acreditamos que todos devem ter acesso à cultura de qualidade, seja nas periferias ou nos centros. Não vamos repetir o equívoco do passado, onde se produzia conteúdo para poucos. O que é produzido na periferia é para o mundo.

PP – A periferia nunca produziu tanta literatura, poesia, CDs, filmes, documentários e etc. Como você analisa essa produção e o retorno que tem trazido para as periferias?
CACAU – É um momento. Viemos de um passado muito pobre de produção e hoje estamos entrando, meio que, na base do pé na porta. Estamos distribuindo o conteúdo, mas ainda é embrionário. Ainda não referendamos uma forma de ganhar dinheiro com isso. Ainda dependemos das grandes corporações para fazer distribuições relevantes de livros, filmes, discos. Assistimos o samba virar referência nacional, mas isso não impulsionou a ascensão econômica dos criadores do samba. O funk carioca virou a grande galinha dos ovos de ouro. Saiu do Rio pra São Paulo, pra Europa; e daí? Como estão nossos MCs? Precisamos impulsionar uma economia inteligente onde não vamos falir novamente e, em consequência, limitar nosso fluxo produtivo como no passado.

PP – Novos projetos?
CACAU – “Donana” é um documentário que interrompi pra fazer o “5x Favela”. Ele conta a história de gente que pensou o cenário musical brasileiro desde os anos 1980. Hoje assistimos as bandas consagradas no cenário musical brasileiro, Cidade Negra, O Rappa, KMD5, Nocaute, Cabeça de Nego. Mas pouca gente sabe que todo esse trabalho teve uma semente germinada na casa de Dona Ana. Onde a capoeira, o reggae e a moda expulsaram o estigma de cidade mais violenta do mundo, construído em favor da especulação imobiliária de Belford Roxo.

PP – Uma mensagem final.
CACAU – A gente tem muita riqueza nesse país, cara. Não era pra discriminar as pessoas assim como fazemos. Pra que essa coisa de poucos pretos em toda instituição que a gente chega? Por que as mulheres têm que ganhar menos que os homens se fazem o mesmo trabalho? Alguma coisa tem ser feita. Vamos fazer um filme!

Acesse o blog do cineasta e conheça mais seus trabalhos
https://cacauamaral.wordpress.com/

Entrevista publicada em: http://www.polifoniaperiferica.com.br/?p=473

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Mate com Angu no Jornal O Dia

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5x Favela na UFRJ

Fui convidado, pela minha ex-professora Shirley Torquato, a proferir uma das aulas do curso de pós-graduação “A favela filmada e cantada”, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais IFCS- UFRJ; que faz parte do pacote “As favelas cariocas e seu lugar na cidade. Aproximações ao debate”.

Exibimos o “5x Favela, agora por nós mesmos” e fizemos um amplo bate papo com os alunos sobre a realização do filme, acompanhados dos professores Luiz Antonio Machado da Silva, Márcia da Silva Pereira Leite, Marco Antonio da Silva Mello.

11/5/2011

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Sorria

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5X Favela – Prêmio Margarida de Prata

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Prêmios de Comunicação da CNBB

A entrega dos prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na noite da última sexta-feira, 23 de julho, foi marcada pela emoção. A cerimônia, transmitida ao vivo pelas tvs católicas, aconteceu durante o segundo Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, no auditório da TV Aparecida, em Aparecida (SP).

O grupo Cantores de Deus, com um repertório variado, animou a noite e encantou a plateia composta por mais de 400 pessoas, que, atentas, assistiam a premiação.

Uma das vencedoras do Margarida de Prata, a diretora do filme 5x Favela, Luciana Bezerra, explicou que o filme, feito pela primeira vez em 1961 por Cacá Diegues surgiu da ideia do cineasta de refazê-lo na ótica dos moradores da favela.

– Este filme é muito mais que um filme. É um ato político, de perseverança e de solidariedade, definiu Luciana.

O prêmio Clara de Assis (Televisão) contemplou o jornalista Marcelo Canelas. Ele concorreu com o documentário sobre a Amazônia, Cabeça do Cachorro, que trata da questão indígena em São Gabriel da Cachoeira (AM). E, em seu agradecimento, destacou a diversidade cultural da região como um “patrimônio de todo o povo brasileiro”.

– Queremos oferecer este prêmio aos povos indígenas de São Gabriel da Cachoeira, disse.

A jornalista Andreia Moroni, premiada com o troféu Microfone de Prata (Rádio), com o programa jornalístico O Brasil Hoje lembrou que a ocasião estimula o trabalho dos profissionais de comunicação.

– Este prêmio é um grande incentivo para produzirmos novos programas, considerou.

O presidente da Comissão Episcopal para a Educação, Cultura e Comunicação Social da CNBB e Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, recebeu, durante a cerimônia, uma placa em reconhecimento por seu trabalho de oito anos à frente da Comissão.

Confira a lista completa dos vencedores da edição 2009 dos Prêmios de Comunicação da CNBB.

Prêmio Margarida de Prata de Cinema

Curta-metragem: O som do tempo – diretor: Petrus Cariri Maia de Moura

Longa-metragem: 5X Favela – diretores: Wagner Novaes, Renata de Almeida Magalhães e Luciana Bezerra

Documentário: Duas vidas e uma só causa – diretores: Tatiana Palastri e Alexandre Rampazzo

Menção honrosa: O advogado das almas – diretores: Thaisa Cerveira e Rafael Salim

Prêmio Microfone de Prata de Rádio

Categoria Jornalismo: Jornal Brasil Hoje – Andrea Moroni – Rádio Aparecida

Categoria Religioso: programa Experiência de Deus – Geizon Sokacheski e Zélia Moreira – Rádio Evangelizar (Curitiba-PR)

Categoria Entretenimento: programa Ponto de vista – Marcelo Samurai, Juninho Delzemi e padre Elias de Souza – Rádio América (Belo Horizonte-MG)

Categoria especial: Arquidiocese de Brasília 50 anos – Anderson Mendanha – Rádio Nova Aliança (Brasília-DF)

Menção honrosa: Pequeninos do Senhor – Sérgio Rodrigues – Rádio Central (Campinas-SP)

Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa

Jornalista Juliana Borba com a reportagem Notas de Solidariedade – Revista Família Cristã

Jornalista Nanci Alves com a reportagem Na estrada da vida nada se perde – Jornal Opinião, da arquidiocese de Belo Horizonte (MG)

Prêmio Clara de Assis de Televisão

Categoria documentário: Paixão de Cristo – Diretor: Vitor Hugo Cardoso

Categoria reportagem: Cabeça do Cachorro – Marcelo Canellas

Nice Affonso
* Foto: CNBB

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As aventuras de Super Angu – A rádio

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Quem diria

5 horas
Já estou acordado
5 e vinte
Caminhando pela rua
À luz da lua
Os braços cruzados ajudam a suportar o frio
Perdi um trem
Tá com fo-me
Tá com fo-me
“Trem com destino à Central do Brasil. 5 e 44, plataforma B”
Lotado
Lembrei de Solano Trindade
Tá com fo-me
Tá com fo-me
Daqui a pouco estou na Central
“Aê! Me vê um pastel e um caldo”
Quem diria
Que seria
Poesia
O dia a dia
Da periferia

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UPP – Unidade de poesia dos pretos

Caminhando em frente a rodoviária ouvi um poeta cochichar com outro que acabara de descer do ônibus: “A repressão é forte, mas após às 10 da noite a gente vende quantos livros quiser.”

Entendi que além da FLIP, Flipinha, Flipzona e Off Flip; existe uma outra feira acontecendo em Paraty. Não precisa ter olhos de águia para enxergar isso. Já no primeiro dia era possível ver o Borboleta de Mesquita vendendo suas histórias em quadrinhos; o casal de autores de cordel da Paraíba; o Chapolin; os poetas maloqueiristas… Fora uma porrada de gente que passa desapercebido aos nossos olhos. Uma porrada de autotes que se mantém uma semana em Paraty, sabe lá Deus como, vendendo e difundindo a literatura brasileira. Gritando “Vamos ler os poetas vivos!”

Longe dos holofotes essa galera faz a gente refletir sobre o que é mais ou menos relevante para a arte de nosso país. Seja em uma das mais badaladas mesas, onde Joe Sacco difundia seu jornalismo da ilha de Malta, que nos transporta direto pras batalhas da Faixa de Gaza com suas atmosferas em quadrinhos que cospem em nossa insistência por colocar panos quentes no mito da objetividade. Seja nas mesas do pequeno Zaratustra, onde o poeta da praia do sono divide seus microcontos e desaforismos com a plateia.

Sérgio Vaz e sua trupe simplesmente detonaram o sarau do Zaratustra na noite de sábado. De longe o melhor momento da semana. Os poetas do Cooperiferia rasgaram a boca com sua arte descaradamente engajada, como eles mesmos berraram ao microfone. “Não nos peçam a paz porque queremos guerra”. Ou ainda: “Vamos implantar a nossa UPP – Unidade de poesia dos pretos”.

 

Cooperiferia no sarau. Arte descaradamente engajada

Cooperiferia no sarau. Arte descaradamente engajada - Cacau Amaral na Flip

Off Flip - Microcontos diretos da Praia do Sono no Zaratustra

Off Flip - Microcontos diretos da Praia do Sono no Zaratustra - Cacau Amaral na Flip

Público assiste David Byrne por trás da grade

Público assiste David Byrne por trás da grade - Cacau Amaral na Flip

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O dual

O que eu gosto é de poesia dúbia
Com fé e com fezes
Com Tarcila…
Mas com Solano Trindade
Com Deus
Mas sem Cristo
Com Cristo
Mas sem milagre

Um bom moço
Que nasceu para ser fino
Ao mesmo tempo grosso

Nasci pra ser violento
Nasci na periferia
Garanto meu sustento
E minha poesia

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Feira da música e teatro

Flipzona – Bate papo sobre “Jornalismo e literatura” com Edney Silvestre, autor do romance policial “Se eu fechar os olhos agora”. Edney falou sobre o preconceito que sofreu na literatura por ser repórter de TV. A história mudou de figura após ter recebido o Prêmio São Paulo e o Prêmio Jaboti.

A casa onde acontece a Flipzona comporta aproximadamente 80 pessoas, mas diariamente acontecem shows com um público bem maior que esse. Para isso é utilizado o palco da Flipinha. Destaque para “Realidade Negra”, grupo de hip hop do Quilombo do Campinho. Localizado na Rio-Santos entre o centro de Paraty e a divisa com São Paulo, o quilombo tem um restaurante muito bom. O prato predileto é peixe ensopado com banana.

Teatro – “O outro” de Lourenço Mutarelli foi interprerado por ele mesmo na Cada da Cultura. Ao fim da noite, na tenda principal, aconteceu a leitura do texto “Tarcila”, de Maria Adelaide Amaral. O texto conta a história do modernismo através de conversas entre Tarcila, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Anita Malfati.

 

Realidade Negra" ao palco da Fliizona. Hip hop quilombola do Campinho!”

Realidade Negra" ao palco da Fliizona. Hip hop quilombola do Campinho! - Cacau Amaral na Flip

Lorenço Mutarelli ao palco da Xasa da Cultura na peça "O outro". O autor em cena.

Lorenço Mutarelli ao palco da Xasa da Cultura na peça "O outro". O autor em cena.

Joe Sacco, autor de diversos quadrinhos sobre conflitos contemporâneos, fala sobre jornalismo em HQ na FLIP

Joe Sacco, autor de diversos quadrinhos sobre conflitos contemporâneos, fala sobre jornalismo em HQ na FLIP

Vamos ler os poetas vivos! Era o que se ouvia ao caminhar pelas ruas de Paraty

Vamos ler os poetas vivos! Era o que se ouvia ao caminhar pelas ruas de Paraty - Cacau Amaral na Flip

Jornalismo e literatura com Edney Silvestre, lançando o romance policial "Se eu fechar os olhos agora" na Flipzona

Jornalismo e literatura com Edney Silvestre, lançando o romance policial "Se eu fechar os olhos agora" na Flipzona - Cacau Amaral na Flip

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