Haicai do dia

Agosto, trinta e um /
Vidrados namorados /
À lua azul.

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Dez anos em dez dias

Dez anos não são dez dias
Repressão pós ditadura
Inércia e ignorância da cultura
Não passava nada em Caxias

Você tem noção?
Olhar o cinema e não ver
Querer um filme e não ter
Pegar três buzão

Dormir e acordar, dormir e acordar…
Quarenta quilômetros pra chegar
Da Baixada à Zona Sul

Mastigar e engolir o problema
Digerir e cuspir cinema
Dez anos de Mate com Angu

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Haicai do dia

Vida vazia? /
Fala contra quem te cala /
E ganhe o dia.

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Por um punhado de sonetos

Trago um punhado de sonetos
Que versam meu dia a dia
No centro da periferia
Enriquecido nos guetos

Falo da minha vida
Partindo de um ponto
Com crônica, conto…
Feliz ou sofrida

Fodida e mal paga
Pobre, desgraçada
Mas que fabrica alegria

Dou a volta por cima
A escassez vira matéria prima
Pros sonetos da periferia

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A política

A campanha política
É deveras inconveniente
Fala-se em nome da gente
Quase sem crítica

A voz uno
Sem contradição
Como se a véspera da eleição
Fosso um momento oportuno

Um lapso temporal
Emotivo e visceral
Onde Amam você a beça

Chega a dar calor
Esse excesso de amor
Não caio nessa

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O cocô

Cocô
Substância tão diferente
Que sai de dentro da gente
E exala um odor

Sensação estranha
Que vira sufoco
Quando tranca o brioco
E estufa a entranha

Tem que distrair
E deixar fluir
Fico observando

A vida da gente
O mundo é tão diferente
Quando estou cagando

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Racionais

A primeira vez que ouvi racionais
Deu vontade de partir pra porrada
Ô letra pesada
Ser o mesmo, nunca mais

Peguei uma caneta
E comecei a escrever
Sei lá sobre o quê
Mil trutas, mil tretas

Uma negra, uma criança
A fome, a esperança
O pânico na periferia

Sobre abstração e realidade
Prisão e liberdade
Sobre o dia a dia

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A verdade

Quase sempre, eu minto
Só às vezes falo a verdade
Caminho por toda cidade
É ela que sinto

Sei que disperso
Que questiono meu próprio instante
Deveria ser um levante
Mas acho importante esse verso

Poderia falar de amor
Cutucar menos essa dor
Mostrar apenas um lado

Mas quero marcar o problema
Pois um dia, lendo esse poema
Talvez ele seja passado

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nostalgia

Sem essa de nostalgia
De querer voltar a ser arcaico
Faço parte desse mosaico
Que une o centro à periferia

É uma sensação
Que começa tipo uma cólica
Que não é física, acho que simbólica
Um tipo de reação

Não sei se é só comigo
Você entende o que digo
Pode ser conversa fiada

Ou parecer uma viagem
Nunca estivemos à margem
Mas no centro de uma outra parada

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Perdi um amigo

Será só comigo
Fico preocupado
Pra não dizer bolado
Perdi mais um amigo

Mais um trabalhador
Afastado pela morte
Dia a dia a mercê da sorte
Ligado pela dor

Sei que vamos embora
Que cada um à sua hora
Desde o último ao primeiro

Ano após ano
Quem carrega o piano
Do cenário brasileiro

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