5X Favela na Revista Piauí

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Edição 47; _questões cinematográficas

De fora, de dentro
por Eduardo Escorel

Desde a década de 60, povos ou classes sociais tradicionalmente vistos de fora, passaram a ser observados de dentro pelos próprios integrantes. É nesta tradição que se insere 5X Favela – Agora por Nós Mesmos. Resta saber qual o valor disso

O filme 5X Favela – Agora por Nós Mesmos tenta responder à necessidade de revitalizar o cinema brasileiro. Diante da produção recente, é urgente encontrar estratégias alternativas que propiciem filmes de maior qualidade, vigorosos e inovadores, voltados para a sensibilidade e a inteligência do espectador. Mantido o modelo atual, e persistindo os resultados sofríveis alcançados, será difícil justificar por muito tempo os generosos investimentos de recursos públicos que vêm sustentando, nos últimos quinze anos, a realização de filmes no Brasil.

“Intervir com ideias novas e novos modos de fazer” é um dos objetivos do projeto, segundo os produtores Carlos Diegues e Renata de Almeida Magalhães. Para isso, entre outras alternativas possíveis, escolheram voltar às origens, atualizando a experiência do filme de episódios 5X Favela, realizado em 1962, a partir de uma proposta de Leon Hirszman – a quem a nova versão é dedicada.

Como indica o adendo ao título, a principal mudança em relação ao original é o fato de 5X Favela – Agora por Nós Mesmos não ser realizado por jovens de classe média. Os diretores, com idades variando dos vinte e poucos aos trinta e muitos anos, moram em favelas do Rio de Janeiro. Escolhidos entre os participantes de oficinas técnicas organizadas pelos produtores, contaram com a colaboração de profissionais na coordenação dos roteiros, fotografia, montagem e trilha sonora, como ocorreu também no filme de 1962.

Não é nova a ideia de habilitar na técnica e na linguagem cinematográficas quem não tem acesso ao conhecimento e meios necessários para se tornar autor das próprias narrativas. Desde a década de 60, diversas iniciativas procuraram criar condições para inverter o sentido do olhar. Povos ou classes sociais tradicionalmente vistos de fora, passaram a ser observados de dentro pelos próprios integrantes.

O projeto Navajos Filmam a Si Mesmos, propondo “entregar a câmera a outros”, começou em 1966, no Arizona, por iniciativa dos antropólogos Sol Worth e John Adair. Dois anos depois, os operários da Rhodia rejeitaram o filme Até Breve, Eu Espero, de Chris Marker, por considerarem que era incapaz de exprimir o que sentiam, além de não tratar de questões que consideravam fundamentais. Em resposta, Marker disse aos operários que “os filmes que eles queriam, só eles mesmos poderiam fazer”, o que deu origem aos grupos Medvedkine (homenagem ao soviético Alexandre Med-vedkine, 1900–89, conhecido como “cineasta do trem”), que realizaram 12 filmes entre 1968 e 1973 na França.

No Brasil, passadas algumas décadas, multiplicaram-se iniciativas de apropriação da técnica e linguagem cinematográficas. Desde o Vídeo nas Aldeias, coordenado por Vincent Carelli a partir de 1987, até outras, nas quais os diretores de 5X Favela – Agora por Nós Mesmos iniciaram sua formação, e cujos nomes falam por si: Cinema de Quebrada, Nós do Morro, Cinemaneiro, Filmagens Periféricas, Oficinas Kinoforum, Central Única das Favelas – partindo em geral do pressuposto de que o chamado registro de dentro seria mais autêntico que o de fora. Para entender determinada realidade seria preciso conhecê-la por experiência própria; só poderia ter um novo olhar quem tivesse origem e vivesse no meio social a ser recriado.

5X Favela – Agora por Nós Mesmos se filia a essa tradição, cujo maior desafio sempre foi demonstrar que há uma mudança efetiva quando o ponto de vista é invertido, deixando de ser de fora, para ser de dentro. A dúvida quanto à ocorrência de alteração se justifica, pois em alguns casos se constata o contrário, ou seja, que o olhar de dentro tende a mimetizar o de fora. A ideologia dominante se impõe, levando a crer que o problema não está tanto na direção do olhar, mas na emancipação de quem olha e na sua criatividade.

O que diferencia 5X Favela – Agora por Nós Mesmos da maioria das iniciativas afins é ter oferecido aos realizadores meios financeiros adequados, além de suporte técnico e logístico, para fazer um filme profissional que pudesse ser exibido em igualdade de condições no circuito comercial. Dessa maneira, a equipe não foi obrigada, como costuma acontecer, a se conformar com meios precários que por si só limitam o alcance do que está sendo realizado. Por outro lado, subjacente ao modelo de produção escolhido está o compromisso de buscar a maior visibilidade possível na mídia, o que pode ter levado os realizadores a trabalharem com o tapete vermelho de Cannes e as luzes do festival de Paulínia na cabeça.

Apesar das dificuldades encontradas para financiar 5X Favela – Agora por Nós Mesmos nas condições desejadas, recursos incentivados e apoios acabaram sendo obtidos junto a algumas das principais empresas que dão suporte ao cinema brasileiro. Entre elas estão o bndes, ogx, Ambev, Sony Pictures, Rio Filme, Globo Filmes, além da VideoFilmes, da qual o editor de piauí, João Moreira Salles é sócio. Assim, enquadrado no modelo de produção vigente, a feição do projeto parece ter sido alterada, resultando em filme pouco inovador. Corretos e bem comportados, os cinco episódios seguem padrão narrativo convencional. Não teria sido possível serem mais inventivos, buscando uma linguagem que desse identidade própria a 5X Favela – Agora por Nós Mesmos?

Arroz e Feijão, episódio dirigido por Cacau Amaral e Rodrigo Felha, evita temas óbvios, lidando de maneira leve e bem-humorada com peripécias de dois meninos atrás de dinheiro para comprar um frango.

Deixa Voar, dirigido por Cadu Barcellos, trata da guerra entre facções, mostrando o risco que um adolescente corre para recuperar uma pipa ao cruzar a fronteira entre comunidades vizinhas.

Acende a Luz, dirigido por Luciana Bezerra, mostra a precariedade do serviço público prestado à comunidade que ainda assim tem energia para celebrar o Natal com música e dança.

Tráfico de drogas, conivência entre polícia e traficantes, violência, roubo de armas, são temas inevitáveis, aos quais se dedicam Fonte de Renda, dirigido por Manaíra Carneiro e Wavá Novais, e Concerto para Violino, dirigido por Luciano Vidigal. Sendo mais previsíveis, ambos não evitam certos estereótipos.

Às variações de assunto não corresponde diferença sensível na maneira de filmar. Os cinco episódios são visualmente semelhantes, dando impressão – estranha em se tratando de cineastas iniciantes – de cuidado excessivo em fazer filmes bem-feitos, deixando de lado qualquer inquietação formal.

Os sete prêmios recebidos no festival de Paulínia, inclusive os de melhor filme, atribuídos por um júri qualificado e pelo voto popular, indicam, porém, que 5X Favela – Agora por Nós Mesmos pode ter potencial maior para agradar do que as ressalvas feitas acima fariam prever.

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Roteiro, roteiro meu…

Texto de Cacau Amaral, publicado no Estadão em 15 de agosto de 2010

Quando recebi o correio de meus camaradas de cineclube a respeito de um vídeo postado no youtube, onde o jovem Leandro é chamado de otário pelo governador, corri pro site. Assisti várias vezes e fiquei refletindo sobre o poder das novas linguagens. Antes de viajar com o 5X Favela, Agora Por Nós Mesmos pra Cannes, tinha feito outra viagem pra debater com os franceses sobre educação à imagem, um tema que considero bastante interessante e está sempre em evidência na mídia.
Vivemos uma época onde o acúmulo de conhecimento não é mais a coisa importante. São redes sociais, onde distribuímos informação em um piscar de olhos; páginas de busca, onde encontramos tudo ou quase tudo que precisamos para escrever um texto como esse por exemplo. A informação está a um clique de mouse.

Na discussão em Paris falamos sobre um evento específico da ocasião, que foi a centena de filminhos que retratavam o momento exato do tsunami e como a mídia convencional seria incapaz de estar em todo lugar ao mesmo tempo. Várias emissoras consagradas, páginas eletrônicas de grandes jornais, rádios de longo alcance. Todos se rendem à nova modalidade de informação. Existe gente que chega a arriscar que a comunicação como conhecíamos antigamente irá acabar.
Todo dia assistimos nossas vidas serem compartilhadas na grande rede, com ou sem nosso consentimento. No início resisti um pouco, mas logo abri mão do preconceito que me impedia de enxergar o lado bom dessa transparência e me rendi. Hoje não me enxergo afastado dessa rotina digital. Acho que isso é bom. Muito bom. A acessibilidade da periferia aos meios de comunicação; não só como mediadores, mas principalmente como produtores de conteúdo; é o carro chefe que norteia minha opinião.

Vivi isso ao dirigir 5X Favela, Agora Por Nós Mesmos. Conheci pessoas fantásticas que faziam um trabalho parecido com o meu, mas, assim como eu, estavam escondidos nas diversas periferias do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que eu e Rodrigo Felha filmávamos o cotidiano do nosso entorno, Luciano Vidigal, Luciana Bezerra, Manaíra Carneiro, Cadu Barcelos e Wavá Novais filmavam o deles. Não receberíamos o reconhecimento que recebemos ao levar nosso filme para o Festival de Cannes, onde fomos aplaudidos de pé por muitos minutos; ou no Festival de Paulínia, onde fomos aclamados com sete prêmios. Nada disso teria acontecido se em um dado momento de nossas vidas não tivéssemos encontrado uma camerinha simples, bem diferente das câmeras sofisticadas da indústria cinematográfica, que nos possibilitava romper o elo de invisibilidade no qual nos enxergávamos mergulhados. Assim como meus vizinhos, fui educado a não ser protagonista de nada.

O primeiro contato com as possibilidades da realização foi quando caminhava pelas ruas de Duque de Caxias e ouvi um rap tocando no sebo que vendia discos de vinil. Prestei atenção na letra. Era muito parecida com as coisas que aconteciam comigo. Olhei a capa do disco e o cara se vestia igual a mim. Pensei: se ele pode, eu também posso!

Iguais a mim, centenas, milhares de jovens brasileiros têm sua oportunidade de serem protagonistas da própria história. Não é uma coincidência que isso esteja acontecendo, pois há muito tempo esses jovens vêm correndo atrás desse momento. Seja na música onde as grandes gravadoras se transformam praticamente em reféns disso que chamei de nova época da comunicação, seja no cinema onde temos à nossa disposição ferramentas de distribuição alternativas, que a cada dia são mais e mais aproveitadas por usuários domésticos e empresários visionários. As favelas estão impregnadas de cursos de cinema onde a cada período são descobertos mais e mais talentos escondidos. Uma multidão de vozes com os temas mais variados, capazes de balançar qualquer mercado.

Viemos de um vácuo produtivo, onde acumulamos ideias e mais ideias. Hoje sobra vontade de multiplicá-las e difundi-las. Os artistas de hoje não necessariamente precisam se render aos dogmas das grandes corporações. E estas se adaptam ao novo mercado sob pena de prejuízos em conseqüência da resistência à cultura nova. Tem empresa que consegue enxergar isso facilmente e faço questão de congratular esse tipo de visão.

Acredito que todos devem trazer essa adaptação para o dia a dia, sejam empresários, moradores de favelas, do asfalto, eleitores, políticos. O episódio vivido pelo governador do Rio de Janeiro foi lamentável, mas prefiro me concentrar nas mudanças que ocorrem na vida de Leandro. Um jovem que num dado momento resolveu sair de sua casa e roteirizar sua própria história. Gosto dessa história porque eu sou um Leandro. Faço parte dessa geração que pega a câmera e vai pras ruas filmar tudo à sua volta. Uma geração que estuda e usa a tecnologia a serviço da sociedade. Que se embrenhou na rede de computadores e troca ideias com o mundo globalizado. Que se cansou de ser refém de uma programação controlada pelos outros e impõe a nova programação, uma nova linguagem.

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Roteiro, roteiro meu…

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5 x Favela – Agora por nós mesmos – Ganha sete prêmios em Paulínia

Filme realizado por jovens cineastas arrecada 225 mil em prêmios
Publicado em 23 de julho de 2010

por Manaíra Carneiro

Com alegria, leveza e beleza, Cinco Vezes favela – Agora por nós mesmos , tirava risos que deram falta de ar e choros de soluçar, no dia de sua exibição no Festival de Paulínia , o filme fora muito bem recebido com fortes aplausos e elogios sinceros e espontâneos de espectadores. O que resultou em sete prêmios para a obra: Melhor filme ficção, ator e atriz coadjuvantes, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhor roteiro de Ficção e Júri popular.

Sobre minutos antes da premiação o diretor do episódio Arroz com Feijão, Cacau Amaral, relatou “Mal nos sentávamos e os mestres de cerimônia anunciavam outro prêmio”.

O filme tem estréia nacional prevista para o dia 27 de Agosto com grande apelo popular e bem visto pela crítica, promete boa bilheteria. Sua Principal ferramenta de divulgação são as redes sociais e o site: http://www.5xfavela.com.br/, lá é possível encontrar um vasto material sobre o processo de realização do filme, sobre a equipe e ainda um diário a respeito da ida ao Festival de Cannes em Maio deste ano.

Publicado em: http://www.ctav.gov.br/2010/07/23/5-x-favela-agora-por-nos-mesmos-ganha-sete-premios-em-paulinia/

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Filme 5x Favela é o grande vencedor do festival de Paulínia

Publicado em: r7
Escrito e dirigido por jovens cineastas de comunidades carentes do Rio de Janeiro, sob o comando de Cacá Diegues, 5x Favela, Agora por Nós Mesmos foi o grande vencedor do festival de cinema de Paulínia, encerrado na noite desta quinta-feira (22).

O longa ganhou sete prêmios, incluindo o de melhor filme para o júri oficial e para o júri popular. 5x Favela, Agora por Nós Mesmos é uma revisão de Cinco Vezes Favela, longa de 1962 em que cinco cineastas de classe média retratavam a vida de moradores de favelas. A nova versão traz cinco episódios com uma visão positiva das comunidades.

De temática semelhante, Bróder, sobre três amigos do Capão Redondo, bairro pobre da zona sul de São Paulo, conquistou quatro troféus Menina de Ouro, entre eles o de melhor filme pela crítica.

Malu de Bicicleta levou os prêmios de melhor ator (Marcelo Serrado), de melhor atriz (Fernanda de Freitas) e de melhor diretor de longa de ficção (Flávio Tambellini).

A grande surpresa da noite foi o prêmio de melhor documentário, entregue a Leite e Ferro, sobre a amamentação na cadeia. O prêmio foi tão surpreendente que a diretora Cláudia Priscilla não estava no Theatro Municipal de Paulínia no momento em que foi anunciado. Ela estava fora da sala de espetáculos. Leite e Ferro desbancou os favoritos Lixo Extraordinário, o mais aplaudido pelo público, e Uma Noite em 67.

Entre os curtas-metragens, o grande vencedor foi Eu Não Quero Voltar Sozinho, sobre a descoberta da sexualidade por um adolescente cego. Levou quatro estatuetas, incluindo as de melhor curta nacional para o júri popular e para a crítica.

A seguir, a lista completa dos premiados, que receberam, ao todo, R$ 650 mil.

Filmes de longa-metragem

Melhor filme de ficção (R$ 150 mil): 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor documentário (R$ 50 mil): Leite e Ferro

Melhor diretor de ficção (R$ 35 mil): Flavio Tambellini, por Malu de Bicicleta

Melhor diretor de documentário (R$ 35 mil): Claudia Priscilla, por Leite e Ferro

Melhor ator (R$ 30 mil): Marcelo Serrado, por Malu de Bicicleta

Melhor atriz (R$ 30 mil): Fernanda de Freitas, por Malu de Bicicleta

Melhor ator coadjuvante (R$ 15 mil): Marcio Vitto, por 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor atriz coadjuvante (R$ 15 mil): Dila Guerra, por 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor roteiro (R$ 15 mil): Rafael Dragaud, por 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor fotografia (R$ 15 mil): Gustavo Hadba, por Bróder

Melhor montagem (R$ 15 mil): Quito Ribeiro, por 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor som: (R$ 15 mil): Miriam Biderman e Ricardo Reis, por Bróder

Melhor direção de arte (R$ 15 mil): Alessandra Maestro, por Bróder

Melhor trilha sonora (R$ 15 mil): Guto Graça Melo, por 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor figurino (R$ 15 mil): Marcia Tacsir, por Desenrola

Especial do Júri (R$ 35 mil): Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley

Filme de curta-metragem – Nacional

Melhor filme (R$ 25 mil): Eu Não Quero Voltar Sozinho

Melhor direção (R$ 15 mil): Cesar Cabral, por Tempestade

Melhor roteiro (R$ 10 mil): Daniel Ribeiro, por Eu Não Quero Voltar Sozinho

Filme de curta-metragem – Regional

Melhor filme (R$ 25 mil): Depois do Almoço

Melhor direção (R$ 15 mil): Jonas Brandão, por Um Lugar Comum

Melhor roteiro (R$ 10 mil): Elzemann Neves, por Depois do Almoço

Júri Popular

Melhor longa de ficção (R$ 25 mil): 5x Favela, Agora por Nós Mesmos

Melhor documentário (R$ 15 mil): Lixo Extraordinário

Melhor curta-metragem nacional (R$ 5 mil): Eu Não Quero Voltar Sozinho

Melhor curta-metragem regional (R$ 5 mil): Meu Avô e Eu

Prêmio da Crítica

Melhor curta-metragem: Eu Não Quero Voltar Sozinho

Melhor longa-metragem: Bróder

Publicado em: http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2010/07/23/filme-5x-favela-e-o-grande-vencedor-do-festival-de-paulinia/

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5x Favela é o grande vencedor do Festival de Paulínia

Publicado em: adorocinema

A terceira edição do Paulínia Festival de Cinema terminou ontem, 22 de julho, com a exibição de 400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho, de Caco Souza, e a entrega dos prêmios.

Os filmes da Seleção Oficial concorreram a 650 mil reais em prêmios e foram exibidos entre os dias 16 e 21 de julho, no Theatro Municipal de Paulínia.

Com sete prêmios, 5x Favela – Agora por Nós Mesmos foi o grande vencedor na noite.

Confira a lista completa dos vencedores e a respectiva premiação em dinheiro:

FILMES DE LONGA-METRAGEM
Melhor Filme ficção – 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, de Manaira Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra (R$ 150.000)
Melhor Documentário – Leite e Ferro, de Claudia Priscilla (R$ 50.000)
Melhor Diretor ficção – Flavio Tambellini, por Malu de Bicicleta (R$ 35.000)
Melhor Diretor Documentário – Claudia Priscilla, por Leite e Ferro (R$ 35.000)
Melhor Ator – Marcelo Serrado, por Malu de Bicicleta (R$ 30.000)
Melhor Atriz – Fernanda de Freitas, por Malu de Bicicleta (R$ 30.000)
Melhor Ator coadjuvante – Marcio Vitto, por 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, episódio Acende a Luz (R$ 15.000)
Melhor Atriz coadjuvante – Dila Guerra, por 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, episódio Acende a Luz (R$ 15.000)
Melhor Roteiro – Rafael Dragaud, por 5x Favela – Agora por Nós Mesmos (R$ 15.000)
Melhor Fotografia – Gustavo Hadba, por Bróder (R$ 15.000)
Melhor Montagem – Quito Ribeiro, por 5x Favela – Agora por Nós Mesmos (R$ 15.000)
Melhor Som – Miriam Biderman e Ricardo Reis, por Bróder (R$ 15.000)
Melhor Direção de arte – Alessandra Maestro, por Bróder (R$ 15.000)
Melhor Trilha Sonora – Guto Graça Melo, por 5x Favela – Agora por Nós Mesmos (R$ 15.000)
Melhor Figurino – Marcia Tacsir, por Desenrola – O Filme (R$ 15.000)
Especial Júri – Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley (R$ 35.000)

FILME DE CURTA-METRAGEM NACIONAL
Melhor filme – Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (R$ 25.000)
Melhor Direção – Cesar Cabral, por Tempestade (R$ 15.000)
Melhor Roteiro – Daniel Ribeiro, por Eu não quero voltar Sozinho (R$ 10.000)

FILME DE CURTA-METRAGEM REGIONAL
Melhor filme – Depois do Almoço, de Rodrigo Diaz Diaz (R$ 25.000)
Melhor Direção – Jonas Brandão, por Um Lugar Comum (R$ 15.000)
Melhor Roteiro – Elzemann Neves, por Depois do Almoço (R$ 10.000)

JÚRI POPULAR
Melhor longa ficção – 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, de Manaira Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra (R$ 25.000)
Melhor documentário – Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley (R$ 15.000)
Melhor curta metragem nacional – Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (R$ 5.000)
Melhor curta-metragem regional – Meu avô e eu, de Cauê Nunes (R$ 5.000)

PRÊMIO DA CRÍTICA
Melhor longa-metragem – Bróder, de Jeferson De
Melhor curta-metragem – Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro

Publicado em: http://www.adorocinema.com/cinenews/5x-favela-e-o-grande-vencedor-do-festival-de-paulinia-4960/

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Festival de Paulínia elege 5x Favela como grande vencedor

Publicado em: rollingstone

Filme produzido por Cacá Diegues recebeu sete prêmios na maratona cinematográfica

A edição de 2010 do Festival de Cinema de Paulínia teve 5x Favela – Agora Por Nós Mesmos como o grande vencedor. O longa-metragem, que teve Cacá Diegues na produção, recebeu sete prêmios.

O projeto foi escrito e dirigido por jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro. O filme é uma espécie de segunda versão de 5x Favela, de 1962, que teve produção do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), com direção de Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges. O filme original é considerando um dos primeiros do chamado Cinema Novo.

No Festival de Paulínia, 5x Favela – Agora Por Nós Mesmos recebeu os prêmios de melhor filme ficção, melhor ator coadjuvante para Marcio Vitto, melhor atriz coadjuvante para Dila Guerra, melhor roteiro, melhor montagem, melhor trilha sonora (para Guto Graça Melo) e melhor longa de ficção em votação do júri popular.

Os prêmios de melhor direção, melhor ator e melhor atriz ficaram para o filme Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini. Marcelo Serrado foi honrado por sua atuação, assim com a atriz Fernanda de Freitas. Veja abaixo a lista completa de vencedores:

Filmes de longa-metragem
Melhor filme ficção: 5x Favela – Agora Por Nós Mesmos
Melhor documentário: Leite e Ferro
Melhor diretor ficção: Flavio Tambellini, por Malu de Bicicleta
Melhor diretor documentário: Claudia Priscilla, por Leite e Ferro
Melhor ator: Marcelo Serrado, por Malu de Bicicleta
Melhor atriz: Fernanda de Freitas, por Malu de Bicicleta
Melhor ator coadjuvante: Marcio Vitto, por 5 X Favela – Agora Por Nós Mesmos, episódio Acende a Luz
Melhor atriz coadjuvante: Dila Guerra, por 5 X Favela – Agora Por Nós Mesmos, episódio Acende a Luz
Melhor roteiro: Rafael Dragaud, por 5 X Favela – Agora Por Nós Mesmos
Melhor fotografia: Gustavo Hadba, por Bróder
Melhor montagem: Quito Ribeiro, por 5 X Favela – Agora Por Nós Mesmos
Melhor som: Miriam Biderman e Ricardo Reis, por Bróder
Melhor direção de arte: Alessandra Maestro, por Bróder
Melhor trilha sonora: Guto Graça Melo, por 5 X Favela – Agora Por Nós Mesmos
Melhor figurino:Marcia Tacsir, por Desenrola
Especial júri: Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley

Filme de curta-metragem – Nacional
Melhor filme: Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
Melhor Direção: Cesar Cabral, por Tempestade
Melhor Roteiro: Daniel Ribeiro, por Eu não quero voltar Sozinho

Filme de curta-metragem – Regional
Melhor filme: Depois do Almoço, de Rodrigo Diaz Diaz
Melhor direção: Jonas Brandão, por Um Lugar Comum
Melhor roteiro: Elzemann Neves, por Depois do Almoço

Júri Popular
Melhor longa ficção: 5 X Favela – Agora Por Nós Mesmos, de Manaira Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra
Melhor documentário: Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley
Melhor curta metragem nacional: Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
Melhor curta-metragem regional: Meu Avô e Eu, de Cauê Nunes

Prêmio da Crítica
Melhor curta-metragem: Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
Melhor longa-metragem: Bróder, de Jefferson De

Publicado em: http://www.rollingstone.com.br/secoes/novas/noticias/8823/

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Salve ao cinema

Estamos há alguns minutos da cerimônia de encerramento do III Festival de Paulínia. Deu um tremendo frio na barriga. Senti isso pela primeira vez na Mostra do Filme Livre, no Rio, em 2005, onde recebi o prêmio de melhor curta por “1 Ano e 1 Dia”, meu primeiro curta. De lá pra cá foram 51 festivais e ainda não consigo acostumar.

Agora começou a premiação em Paulínia. Ganhamos o prêmio de melhor filme segundo o júri popular. Estou com minha filmadora ligada. Não sei se desligo, se a levo pro palco, se entrego à mina da produção. Discursos inflamados, sorrisos. Toda equipe em cima do palco. O teatro é enorme, está lotado. 1000 pessoas? Não sei. Minha perna treme. Fotos. Fotos. Nos sentamos e segue a premiação. Receber o prêmio do júri popular é o maior pagamento que poderia receber. Não me canso em repetir que não fazemos filmes pra ganhar prêmios, fazemos pro público. Se o próprio público nos premia… Não tem preço.

Mais um prêmio. Desta vez melhor trilha sonora. Mal nos sentávamos e os mestres de cerimônia anunciavam outro prêmio; melhor montagem; melhor atriz coadjuvante, Dila Guerra subiu ao palco pra receber. Melhor ator coadjuvante. Gritei para Dila “Nem volta. Já pega o do Márcio Vito”. Depois foi a vez de Rafael Dragaud subir ao palco. Melhor roteiro.

Nossos parceiros não ficavam pra trás. Vira-e-mexe Bróder subia ao palco pra receber um, dois, três, quatro prêmios. Esse filme pra mim é como se fosse o próprio 5x favela. Jeferson D é um dos caras que mais admiro no cinema brasileiro. Fora isso ainda tem dois atores que fazem ambos os filmes, a Cíntia Rosa e Sílvio Guindane. Este último me deu um monte de alegria no fim de semana ao declarar em público que Arroz com feijão parece inofensivo, mas é uma critica social dura.

Pra fechar, o prêmio maior da noite: Melhor filme segundo o júri oficial. Recebemos sete prêmios no total. Com mais quatro do Broder são onze vezes periferia.

Na festa após a cerimônia, após todos irem embora; eu, Felha e Jeferson brindamos e filosofamos sobre passado, presente e futuro do cinema brasileiro. Concordamos que vivemos um momento ímpar. Nossa geração encerra a primeira década do século XXI, desta vez por trás das câmeras. Como seria daqui a outra década? Existe um movimento iniciado por um monte de vidaloka. Cacá Diegues comprou essa briga há um tempo. Paulínia comprou a mesma briga hoje. Desejo um brinde a todos que botam a cara e quebram paradigmas. Um salve ao cinema!

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‘5X Favela’ é eleito o melhor filme de Paulínia

Publicado em: cinema.terra

O filme 5X Favela, Agora Por Nós Mesmos foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Paulínia. O longa foi realizado por moradores de comunidades que receberam treinamento sob a coordenação do cineasta Cacá Diegues.

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O longa, que também levou o premio de melhor montagem, retoma o clássico Cinco Vezes Favela, de 1962, que tinha como um dos diretores o próprio Cacá Diegues.

Bróder, dirigido por Jeferson D, foi o vencedor do prêmio da crítica. O longa, que fala sobre o racismo nas periferias do Brasil, é protagonizado por Caio Blat e Jonathan Haagensen.

O documentário Lixo Extraordinário, da inglesa Lucy Walker e os brasileiros João Jardim e Karen Harley, levou o grande prêmio do júri. O filme, sobre o artista plástico Vik Muniz, já havia levado o prêmio de audiência em Berlim.

O festival também premiou Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas como os melhores atores, por Malu de Bicileta. Flavio Tambelini levou o prêmio de melhor diretor pelo mesmo filme.

Publicado em: http://cinema.terra.com.br/interna/0,,OI4581223-EI1176,00.html

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Em Paulínia, júri premia “5X Favela” e críticos elegem “Bróder”

Gregório Duvivier e Silvio Guindane em cena do filme ''5x Favela, Agora Por Nós Mesmos''

Publicado em: cinema.uol

ALYSSON OLIVEIRA
Especial para o UOL, do Cineweb, de Paulínia

Com a exibição de “400 Contra 1 – Uma História do Crime Organizado”, de Caco Souza, e a entrega dos prêmios Menina de Ouro no Theatro Municipal de Paulínia encerrou-se nesta quinta (22) o III Paulínia Festival de Cinema. Os filmes da seleção oficial concorreram a R$ 650 mil em prêmios.

“Estão subestimando a favela. Não façam isso,por favor”. Foi com essa fala que um dos sete codiretores de “5 X Favela” Rodrigo Felha agradeceu o primeiro prêmio do filme de melhor ficção pelo voto do público no III Paulínia Festival de Cinema, na noite dessa quinta. Pouco mais de uma hora e sete prêmios Menina de Ouro mais tarde, não havia dúvidas de que eles não foram subestimados. Gritos, pulos e abraços dominaram o palco quando parte da equipe e elenco do filme consagrou-se como melhor ficção, pelo voto do júri.

A produtora Renata Magalhães de Almeida fez um apelo ao público que consagrou “5X Favela”, e deve entrar em cartaz em circuito no próximo mês. “Não é nada fácil fazer cinema no Brasil. E foi muito difícil realizar esse filme. Queria pedir a vocês que falem para todo mundo que o filme é legal”.

http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/07/22/em-paulinia-juri-premia-5x-favela-e-criticos-elegem-broder.jhtm

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