Entrevista Cacau Amaral – por Alessandro Buzo

Conheci o Cacau Amaral, por volta de 2002 no Rio de Janeiro, nos rolê com o pessoal do Movimento Enraizados, ele era integrante do grupo Baixada Brodhers.

Ele venho cantar na primeira edição do meu evento “Favela Toma Conta”, na rua da minha casa no Itaim Paulista no ano de 2004. Depois disso nos encontramos várias vezes, ele sempre leu meus livros e eu acompanhava seus corres e lembro dele se aventurando (ainda bem) pelo audio visual, recebia emails convocando pra filmagens de seus primeiros curtas.

Cacau Amaral é uma pessoa sincera, amiga e daqueles que tem o dom da disposição.
Hoje ele é um dos diretores do premiado 5X Favela , Agora Por Nós Mesmos, em cartaz nos cinemas.
Dá um puta orgulho ver o amigo crescer, pra sabermos mais sobre esse momento especial na sua vida, entrevistamos ele com exclusividade para nossos Blog´s.
http://www.buzo10.blogspot.com
http://www.buzoentrevista.blogspot.com
http://www.nossocinemabr.blogspot.com

Alessandro Buzo: Cacau Amaral, te conheci no Hip Hop, no grupo Baixada Brodher, qual sua ligação atual com o movimento ??

Cacau Amaral: Estou produzindo um CD chamado “O cinema é igual o rap”. Nele mostro o paralelo entre as duas faces de minha obra, pois da mesma forma que decidi fazer rap após ouvir “Hip hop cultura de rua”, decidi fazer filmes ao assistir os filmes da cultura “faça você mesmo”. Fora isso, gravei recentemente a música Tensão, agressão, reconciliação, (http://www.myspace.com/cacauamaral) para o CD do Antizona, com outros 9 MCs cariocas; entre eles Slow, Dudu de Morro Agudo e Mr Boca. Em 5x favela, fiz questão de deixar a marca do hip hop, com vários grafiteiros cariocas nos intervalos das histórias e MV Bill assinando a música tema com Afroreggae.

Antes produzi a Lica, Soul Cris, Bia, Sandra MC e Charlene na música Guerreira que é guerreira nunca gela, do CD Mulheres do hip hop. É muito louco produzir cinco minas do Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará, Acre e tal. Fiz um loop, enviei pra elas fazerem a letra e gravarem com o Fábio ACM e MR Zoy. Depois eles me enviaram a capela e mixei em meu estúdio. O Resultado foi muito positivo. Acabei colocando na trilha sonora de meu filme Guerreiras do Brasil.
Também tenho feito muito rap pro cinema. Em 1 Ano e 1 Dia produzi um, além de colocar o Poder Consciente; e em Melhor que um poema produzi 11 raps, um para cada B.Boy que aparece no filme: Jagal, Reis, Gaúcho, e mais um montão.

Buzo: Você e seu grupo cantaram em 2004 no Itaim Paulista, no primeiro FAVELA TOMA CONTA ? O que lembra desse dia ?

Cacau Amaral: Lembro do Ferrez; do Nino Brown e principalmente da Giovana, que acolheu eu e Dmc na casa de seus pais. Mas a maior lição que tive nesse dia foi ver a molecada sentada no meio-fio lendo gibi da turma da Mônica e você falando sobre seu sonho de montar uma livraria. Parece que foi ontem. Tenho tudo isso filmado. Quem sabe a gente monta um documentário com essas imagens.

Buzo: Hoje o evento vai para 23a edição, como vê a importancia da continuidade ?

Cacau Amaral: Tenho muito orgulho de ter participado do primeiro Favela Toma Conta, ainda mais sabendo que ele continua rendendo frutos até hoje. Você é um guerreiro e merece todo sucesso do mundo. Os grupos ganham com isso por terem espaço pra se apresentar, mas quem ganha muito mais ainda é a comunidade, que tem a oportunidade de curtir música popular de verdade. E também de conhecer a literatura, começando cedo com gibis, migrando pros romances e fechando o ciclo, escrevendo.

Buzo: Como e quando teve o primeiro contato com o Audio Visual ?

Cacau Amaral: Quando gravamos o clipe Ataque verbal, em 2002.
Sempre sonhei com esse clipe e ao descobrir que ele custava muito mais do que poderia pagar, resolvemos produzir nós mesmos. Tinha muita gente boa na CUFA ajudando a gente: Miguel, Cacá, Godot, Dido, Dragaud. Esses caras mostraram o que é cinema pra gente. Minha intenção era só gravar o clipe. Não pensava em fazer filmes, mas fui fisgado pela arte. Afinal, o cinema é igual o rap.

Buzo: Qual foi seu primeiro documentário e que ano foi isso ?

Cacau Amaral: 1 Ano e 1 Dia. É a maior realização de minha vida, depois de 5x favela. Foi logo depois do clipe. Pra produzir o clipe tivemos que estudar e estudar muito. Assistia tudo relacionado ao cinema brasileiro… soviético… Fiquei apaixonado pelos filmes de Vertov. Filmamos a festa de um assentamento e roteirizei o documentário na ilha de edição. Foi um dia de filmagem e oito meses de edição, porque não sacava nada do assunto. A única experiência havia sido o clipe. Aí o Rafael Dragaud me ensinou a fazer roteiro clássico pra ficção. Dividi todo material filmado em 12 passos, de acordo com o livro “O herói de mil faces”. Era o que tinha em mãos. Foi só pra mostrar pros amigos, mas acabei ganhando três prêmios: o primeiro na Mostra do Filme Livre, no Rio; o segundo no Festival da Unioeste, Paraná e por fim um prêmio internacional, na Mostra de Jovens Realizadores do Mercosul. Tenho muito orgulho desse filme. Hoje tive mais uma resposta positiva pra ele. Resisti durante cinco anos à mutilação de 1 Ano e 1 Dia, mas agora que o youtube aceita filme de 15 minutos, pude disponibilizá-lo na íntegra. Fiquei muito feliz, pois 12 horas após levantar o filme, mais de cem pessoas já haviam azssistido. O link é esse.

Buzo: Imaginava chegar onde chegou ? Ter a visibilidade que o 5X Favela te deu agora ?

Cacau Amaral: Imaginava e imagino muito mais. Tenho o maior prazer em falar isso sem nenhuma arrogância, porque 5x favela é fruto de um trabalho longo, meu e de um montão de gente que nunca desistiu. Mas sei que esse não é o fim da linha. Muitos e muitos filmes virão. Temos muitas histórias pra contar ainda. Muitas histórias.

Buzo: Você assistiu meu filme “Profissão MC”, o que achou dele ?

Cacau Amaral: Achei uma puta iniciativa. O mercado cinematográfico é restrito e isso não é exclusividade do Brasil. Tanto eu como você poderíamos cruzar os braços e colocar a culpa nos governos ou em outros cineastas, mas o mais coerente é correr atrás do prejuízo. Fazer um filme não é tarefa fácil pra ninguém, na periferia ou fora dela.
Profissão MC é mais uma obra de guerrilha, uma referência pra uma porrada de gente que poderá falar: Alessandro Buzo é um cineasta com a minha cara. Ele se veste igual a mim, tem os mesmos costumes que eu. Se ele pode eu também posso.

Buzo: Filmes nacionais que marcaram sua vida ?

Cacau Amaral: O mundo mágico dos trapalhões, Gangazumba, Carolina, Manual prático pra atropelar cachorro, Pixote, Durval discos, A ópera do malandro, O pagador de promessas, Cidade de Deus, Compasso de espera, O invasor, À meia-noite levarei sua alma, Os saltimbancos trapalhões.

Buzo: Baixada Fluminense ?

Cacau Amaral: Periferia é Periferia em qualquer lugar

Buzo: Periferia, existe um BOOM cultural, como vê a cena da cultura na periferia e o que destaca ?

Cacau Amaral: Há muito tempo as pessoas mais visionárias já perceberam que caminhamos para um futuro onde a única alternativa de sobrevivência será a tolerância. O passado nos mostrou que todo extremismo leva a consequências desastrosas. A hegemonia da cultura centralizada não tem trazido benefícios para as pessoas e por mais que certas mentes preconceituosas resistam em aceitar, a periferia aprendeu a viver em harmonia entre si. A falta de uma porrada de coisas que temos direito nos fez entender que a solidariedade não é apenas uma virtude, mas uma arma. Sem ela nunca teríamos chegado onde chegamos. Agora é a hora de dividirmos nosso conhecimento com nossos vizinhos do centro.

Dentro desse contexto destaco o hip hop que nunca se calou diante das atrocidades impostas à periferia. Se hoje o cinema colhe frutos desse boom, é porque vários malucos perderam noites e mais noites de sono difundindo essa cultura, primeira dentro da própria periferia e agora fora dela.

Buzo: Qual o seu proximo projeto no cinema ?

Cacau Amaral: Estou terminando um roteiro para o próximo longa. Quero contar muitas histórias sobre nosso país. Tem muita coisa que vemos e vivemos dentro e fora da periferia. Ela é um retrato 3 por 4 do Brasil.
Mas agora estou 100% dedicado a 5x favela. Tivemos a primeira consagração com a conclusão do filme, depois com a crítica – que adorou a obra. Agora é a vez da consumação com a presença do público nas salas e garantia de que virão muitos outros filmes. O público é a figura mais importante nessa história, pois fazemos o filme pra ele.

Buzo: Um ator brasileiro ?
Cacau Amaral: Lázaro Ramos.

Buzo:Uma atríz, também brasileira ?
Cacau Amaral: Roberta Rodrigues.

Buzo: Um diretor ?
Cacau Amaral: Cadu Barcelos. Fiquei muito impressionado com sua história no 5x.

Buzo: Como foi ganhar prêmio com o 5X Favela, como foi o momento ?
Cacau Amaral: Estava sentado com o elenco assistindo a cerimônia de premiação quando anunciaram o primeiro prêmio de 5x favela, “Melhor filme pelo juri popular”. Fiquei doido. Corri pulando pro palco pra receber a estatueta e fizemos um discurso inflamado, como se fosse o último de nossas vidas. Sentei feliz páca e enquanto ainda me ajeitava no lugar, anuncia-se o segundo prêmio, “Melhor trilha sonora”. Depois foram o de “Melhor montagem”, “Melhor roteiro”, “Atriz coadjuvante”, “Ator coadjuvante” e o prêmio maior do festival: “Melhor filme pelo júri oficial”. Foi muito maneiro. Ficamos cansados de sentar e levantar sete vezes.

Buzo: Lançar comercialmente o filme, como tem sido as exibições de Pré-Estréia?

Cacau Amaral: Antes mesmo de lançarmos o filme fomos selecionados para o festival de Cannes. Estava com muito medo da crítica daquele país, pois fizemos o filme pensando em nós mesmos. Não fazíamos ideia se nossas piadas funcionariam fora do Brasil, mas pra nossa surpresa fomos aplaudidos de pé por dez minutos.

No Brasil começamos com duas prés em São Paulo, ambas lotadas. A primeira com debate, onde percebemos que o púbico gostou muito do filme. Esse termômetro foi imprescindível para vermos que estávamos no caminho certo. Todos entenderam nossa mensagem. Depois foi a vez do Rio. Cinema igualmente lotado. De lá pra cá fizemos vários debates, no Cinecufa, Em O Globo, um só para professores. A cada bate papo sentimos mais e mais a sensação que fizemos um bom trabalho.

Buzo:Um sonho?
Cacau Amaral: Tenho muitos. Continuar fazendo filmes, lançar um novo disco de rap e contribuir com a educação cinematográfica do Brasil.

Buzo: Quem é CACAU AMARAL no dia a dia?

Cacau Amaral: Prefiro deixar meus filmes falarem por mim.

Buzo: Considerações finais?

Cacau Amaral: A melhor parte disso tudo é saber que minha obra a cada dia se aproxima mais e mais do que me propus a fazer desde o início. Seja no cinema, na TV, no teatro ou na música; o que mais importa pra mim é o conteúdo. E sempre que puder dar entrevistas pra meus irmãos e eles perceberem que contribuí pra que o Brasil fosse um país melhor para se viver, terá valido a pena.

DMC e Cacau Amaral (formavam o Baixada Brothers), na cozinha da minha casa em 2004, no dia da primeira edição do evento “Favela Toma Conta” que acontecia no momento da foto, em frente da minha casa.

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5x Favela – Agora por Nós Mesmos por Francisco Russo

Publiccado em: adorocinema

Nem Só de Boas Intenções se Faz um Bom Filme

Antes de tudo, é preciso dividir 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, o filme, do lado social nele envolvido. O projeto tem enorme valor pelas oficinas técnicas promovidas em comunidades carentes do Rio de Janeiro, oferecendo a chance de adentrar e seguir carreira no cinema. Mas também não é por causa disto que o filme deva ser, necessariamente, elogiado. Ainda mais quando apresenta graves defeitos em sua realização.

O maior deles é a constante sensação de lição de moral que permeia o filme, muitas vezes apresentada de forma ingênua e moralista. O primeiro episódio, Fonte de Renda, é o maior exemplo. A história do jovem universitário que mora na favela e passa a levar drogas aos amigos, para conseguir dinheiro para bancar os estudos, serve ao velho lema “sou pobre, mas honrado”. Até a punição está presente, suficiente para que o protagonista perceba o delito sem sofrer um grande trauma. Tudo muito certinho, com a missão de transmitir uma lição aos espectadores. Só faltou o “não façam isso, crianças!” para ficar completo.

O terceiro episódio, Concerto para Violino, faz ainda pior. Na tentativa de mostrar, de forma explícita, a existência de policiais que também são bandidos, o que apresenta? Um policial que, para recuperar armas roubadas de um batalhão, entrega uniformes policiais e um arsenal nas mãos de bandidos rivais. E ainda desfilam à vontade nas ruas, quase que à espera de fotógrafos que registrem o feito. Por mais que esta dualidade exista, não é de forma tão escancarada. Ou seja, mais uma vez a ingenuidade fala mais alto para retratar um tema sério.

Por outro lado, o segundo episódio, Arroz com Feijão, desperta boas risadas. Graças especialmente aos seus intérpretes mirins, Juan Paiva e Pablo Vinícius, verdadeiras figuraças! Apesar de também contar com uma lição de moral embutida, sua história é narrada com leveza e tocando em questões polêmicas que, apesar de aparecerem como pano de fundo, chamam a atenção. É, de longe, o que há de melhor no filme.

Os outros dois episódios, Deixa Voar e Acende a Luz, são razoáveis. O primeiro explora uma situação real, o medo existente pela divisão da favela entre facções rivais, mas desliza em mudanças de comportamento bruscas demais, incompatíveis com o ambiente. Já o último apresenta a favela sob o estereótipo da bagunça animada. Funciona, mas não deixa de ser uma visão parcial sobre o local.

Publiccado em: http://www.adorocinema.com/colunas/5x-favela-879/

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5X Favela – Agora Por Nós Mesmos

Publicado em: vejasp.abril

Categoria: Filmes
Gênero: Comédia Dramática
País / Ano: Brasil / 2010
Duração: 103 minutos
Direção: Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcelos, Luciana Bezerra
Elenco: Silvio Guindane, Flavio Bauraqui, Hugo Carvana, Vitor Carvalho
Censura: 14 anos

Resenha por Miguel Barbieri Jr:

São cinco episódios, dois deles dirigidos a quatro mãos, em projeto capitaneado por Cacá Diegues, que dirigiu um segmento do Cinco Vezes Favela original, de 1961. O subtítulo explicita a proposta atual: dar a jovens cineastas das comunidades carentes do Rio de Janeiro a oportunidade de fazer cinema. Três curtas são formidáveis (o segundo e os dois últimos); o primeiro revela-se apressado e o terceiro beira o dispensável. O saldo, portanto, é bastante promissor. A maioria das histórias, sensatamente, foge dos clichês — não há o glamour do mundo do crime na linha de “Cidade de Deus” nem o humor sarcástico de “Tropa de Elite”. Trata-se de uma comédia dramática de costumes que espelha, como poucas fitas recentes, a cara do povo brasileiro. “Fonte de Renda” mostra a difícil jornada de um favelado (papel de Silvio Guindane) rumo à faculdade de direito. “Arroz com Feijão” retrata a saga de dois garotos (Juan Paiva e Pablo Vinicius) para comprar um frango. A trajetória de três amigos — um policial, um traficante e uma instrumentista — estão no violento “Concerto para Violino”. Uma pipa será o pomo de discórdia no Complexo da Maré em “Deixa Voar”. O ponto mais alto ficou para o fim: “Acende a Luz” enfoca, com singeleza e sagacidade, o drama de um morro às escuras no dia de Natal. Merecidamente, o longa faturou sete prêmios no último Festival de Paulínia, incluindo os de melhor filme e melhor roteiro. Estreou em 27/08/2010.

Publicado em: http://vejasp.abril.com.br/cinema/5x-favela-agora-por-nos-mesmos

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Estreia

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Ação e reação

Prometi escrever um texto onde falaria de nosso debate no Cinecufa, mas assim que sentei-me em frente ao computador percebi o quanto estou nervoso com a aproximação da estreia de 5x favela – agora por nós mesmos, e o quanto sinto vontade de compartilhar isso com o público. É meio difícil explicar, mas não consegui nem ir à faculdade. Desde a finalização do filme, experimentamos diversas emoções. Sinceramente,
não sei quando isso vai parar, mas gosto. Gosto muuuiiito.

Acabei de ler o texto publicado por Celso Athaíde em nosso site e acada linha viajava no tempo. No tempo em que entreguei um CD demo a Def Yuri, que ao ouvir me aconselhou a inscrevê-lo no Prêmio Hutus. Estava em Caxias ouvindo rap, quando a locutora disse que meu grupo havia sido indicado à categoria Melhor Demo. Na hora nem acreditei,mas em poucos dias estava reunido com uma porrada de malucos compartilhando medos, sonhos, ideias loucas. Hoje a Cufa é reconhecida em todo Brasil e no mundo, mas naquele tempo nem nome tínhamos.

Gravamos um CD chamado Ação e reação, com vinte grupos de rap carioca loucos pra gritar pelo fim do preconceito. Era um barriu depólvora pronto pra explodir. E o melhor: MV Bill tinha acabado de
descolar uma câmera para fazer o Falcão – meninos do tráfico, e três dos vinte grupos gravariam um videoclipe com a danada. Esse foi meu primeiro contato com o cinema.

Faltam menos de 24 horas pra estreia de nosso filme. Dá meio que um nó na cabeça, só de ficar pensando nessas coisas. Como a ação de gravar um simples demo gera uma reação e outra e outra até desencadear
no maior filme de minha vida. De nossas vidas.

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5X Favela na Revista Piauí

Publicado em: revistapiaui.estadao.com.br

“5X Favela” – boas intenções, segundo o poeta

27/08/2010 07:17 | Autor: Eduardo Escorel

Motivado pelo comentário publicado na piauí 47 sobre “5X Favela – Agora por Nós Mesmos”, Armando Freitas Filho levanta algumas questões, mesmo sem ter visto o filme:

“1. Só com uma boa dose de ingenuidade pode-se acreditar, cinematograficamente, nesse ‘nós mesmos’ [do título]. Trata-se, apenas, de uma boa intenção e alguém de peso já disse que a arte não vive de boas intenções.

2. Não estranharia nada que o Cinco vezes favela de 1962 me parecesse mais feito por ‘nós mesmos’ do que esse em exibição – pois a Favela de agora, de encomenda, a imagino como uma espécie remasterizada e remastigada por novas bocas que repetem a comida e o modo de morder das bocas de outrora. Sendo assim, o modo de digerir não fica didático, pré-datado?

3. Que tal se os novatos fizessem um 50XLapa, ou coisa que o valha, com motivação livre e não implantada, o resultado não poderia ser mais ‘quente’, ou, pelo menos, mais instigante?

4. Por que tudo tão simétrico, espelhado como que à força, nostálgico, narcísico? Afinal, a produção ‘em família’, pode ser mais cômoda, e é um modelo atual de sucesso no show business e na imprensa, embora, dificilmente, apresente novidade ou desafio, segundo penso e avalio.”

Além disso, Armando diz discordar do final do comentário publicado na piauí, perguntando: “será que o filme foi bem aceito [no festival de Paulínia] justamente porque não causa nenhum estranhamento, não traz perigo, revelação etc.?”

Amir Labaki, por sua vez, também discordou da menção à premiação em Paulínia. Respondi a ele que o fato de o júri ser integrado por Sérgio Augusto, Ana Luiza Azevedo e Di Moretti, entre outros, me fez acreditar que mencionar os prêmios era uma questão de justiça. Se eles acham que o filme merece tantas loas, quem sou eu para discordar?

Publicado em: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-cinematograficas/geral/5x-favela-boas-intencoes-segundo-o-poeta

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“5 x Favela – Agora Por Nós Mesmos” é arte engajada sem ser política

Cena de "5 x Favela - Agora Por Nós Mesmos"; filme se originou em oficinas de roteiro em comunidades carentes

Publicado em: folha

PLÍNIO FRAGA
DO RIO

Um filme passado em favela no qual aguarda-se uma hora até que seja ouvido um tiro; um filme sobre favelados que são assaltados por “playboys” da zona sul do Rio; um filme em que um rico critica o pobre por querer “tirar onda de fodido”; um filme sobre favela em que a alegria e o lirismo sobrepõem-se mas não escondem a violência; um filme sobre favela em que os moradores são vítimas, mas também responsáveis pela violência.

“5 x Favela – Agora por Nós Mesmos” é uma obra múltipla do nome à produção –fruto de trabalho coletivo de mais de duas centenas de moradores de favelas do Rio. É múltiplo porque escrito por oficinas de roteiro em comunidades carentes, mas principalmente por expor personagens a facetas variadas, na contramão do mercado, do senso comum e da divisão social estabelecida. Como filme múltiplo, é desigual, como a realidade que retrata.

Contraposta a “5 x Favela” de 1962, obra do catequizador Centro Popular de Cultura, a versão 2010 pode ser enquadrada como revisão crítica do ideário esquerdista de usar a arte para conscientizar as massas. O papo agora é colocar as massas para conscientizar as artes.

O primeiro episódio, “Fonte de Renda”, dirigido por Manaíra Carneiro e Wavá Novais, narra a dificuldade do favelado em cursar direito em meio a alunos de classe média e alta.

Depois de insinuar queda para resolução clichê da tensão dramática, salva-se da obviedade, mas não escapa da solução moralista adequada a quem pretende ser “gente de bem”.

Em “Arroz com Feijão”, direção de Rodrigo Felha e Cacau Amaral, a doçura da atuação das crianças Pablo Vinicius e Juan Paiva rejuvenesce a fartamente explorada situação de família pobre com dificuldades para comer. Mas não consegue superar o trivial.

“CIDADE DE DEUS”

No terceiro episódio –“Concerto Para Violino”, dirigido por Luciano Vidigal a partir de roteiro criado em oficina em Parada de Lucas–, emerge a violência, ouve-se o primeiro tiro após uma hora de projeção e tem-se a imagem mais impactante quando policiais e traficantes acumpliciados queimam vivo um inimigo comum.

É o momento agudo do filme, que a partir daqui começa a encorpar-se. O episódio é uma versão apobretada de “Cidade de Deus” ou “Tropa de Elite” –e isto é um elogio.

Sem maneirismo publicitário ou reacionarismo de classe média, as fronteiras entre bandidos e mocinhos são embaralhadas a evitar empatias manipuladoras, seja de dó ou catarse.

“Deixa Voar”, dirigido por Cadu Barcellos, tem a abordagem mais criativa e inusual, mostrando como as relações sociais se constroem ou são interditadas em razão de limites de território estabelecidos por facções rivais do tráfico de drogas. É o roteiro mais bem construído.

O episódio final “Acende a Luz”, dirigido por Luciana Bezerra, foi baseado em experiência dos moradores, quando ficaram sem luz na véspera do Natal de 2008. É uma narrativa redentora, empenhada em afirmar um espaço como território alegre e integrador, na qual a palavra “comunidade” se justifica pelas relações baseadas no afeto, não como eufemismo para favela.

Produzido por Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães, o filme, como o original de 50 anos atrás, é arte engajada, apesar de não ser política nos termos clássicos. Mas foge do paternalismo, é original em sua empreitada –apesar de nem sempre o ser na linguagem cinematográfica.

Multiplica os fazedores de cinema, as vozes da favela, os olhos de quem decide o que focar. Multiplica para dividir cultura, experiências e visões de mundo.

5 X FAVELA, AGORA POR NÓS MESMOS
DIREÇÃO: Cacau Amaral, Luciana Bezerra e outros
PRODUÇÃO: Brasil, 2010
COM: Vitor Carvalho, Márcio Vitor
ONDE: estreia sexta-feira 27/8, Unibanco Augusta, HSBC Belas Artes e circuito
AVALIAÇÃO: bom

Publicado em:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/788145-5-x-favela—agora-por-nos-mesmos-e-arte-engajada-sem-ser-politica.shtml

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5X Favela – Revista Veja – Tamanho não é documento

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5X Favela – Jornal O Dia – Cinecufa 2010

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5X Favela – Jornal O Globo – Megazine – Autoretratos da favela

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