O problema

baseado em trecho do livro de Alessandro Buzzo

Aquele beijo de ontem, hoje é uma briga

Nunca havia visto nada igual em dez anos de vida

O tempo passava, enquanto isso seus pais

A cada dia, brigavam mais e mais e mais

Seu pai comprou aquele tênis para lhe presentear

E disse filho, amanhã precisamos conversar

Enquanto sua curiosidade aumentava

Perguntava, mas o seu pai não falava

Tudo bem, deixa isso pra lá

Não é mesmo amanhã o tal dia de conversar?

O dia foi longo aquele teste de futebol

Com fome, cansado, correndo em baixo do sol

À noite ao sair da aula, aquela pressa

Não via a hora de chegar em casa e ter aquela conversa

Sabe meu filho, a sua mãe e eu…

Já não nos damos tão bem e você já percebeu

Não pense que com isso eu vá te abandonar

Mas debaixo do mesmo teto com ela eu não posso ficar

Não dá pra acreditar, onze anos de experiência

Eu até entendo que adultos tenham divergências

Mas lembre-se: continuamos seus pais

Já tentamos demais, mas agora não dá mais

O filho ouvia o pai enquanto ele ia falando

Tentando esconder, mas estava chorando

Tem que ter pulso forte pra sair desse esquema / Problema…

O esforço é grande. Será que vale a pena? / Problema…

O que seria da sua mãe? O que seria da sua casa?

Quem seria o homem dessa casa?

E as contas a partir de hoje: quem pagaria?

O pai continuava falando, mas ele nem ouvia

Milhares de perguntas passavam por sua cabeça

Mas se manterá em pé, aconteça o que aconteça

Todos os objetivos, planos, sonhos se acabaram

Correu pro quarto, onde a mãe chorava, e se abraçaram

A partir de hoje mudaria toda sua sorte

Sua mãe precisava de ajuda, ele tentou ser forte

Precisam um do outro pra sarar a ferida

Com certeza esse foi o dia mais difícil de sua vida

As dúvidas, problemas vieram tudo junto

Abortar a infância e se tornar um jovem adulto

Definitivamente a infância ficou pra trás

O sonho de ser criança já não existia mais 

Aquele beijo de ontem, hoje é uma briga

Nunca havia visto nada igual em dez anos de vida

O tempo passava, enquanto isso seus pais

A cada dia, brigavam mais e mais e mais

Seu pai comprou aquele tênis para lhe presentear

E disse filho, amanhã precisamos conversar

Enquanto sua curiosidade aumentava

Perguntava, mas o seu pai não falava

 

Tudo bem, deixa isso pra lá

Não é mesmo amanhã o tal dia de conversar?

O dia foi longo aquele teste de futebol

Com fome, cansado, correndo em baixo do sol

À noite ao sair da aula, aquela pressa

Não via a hora de chegar em casa e ter aquela conversa

Sabe meu filho, a sua mãe e eu…

Já não nos damos tão bem e você já percebeu

 

Não pense que com isso eu vá te abandonar

Mas debaixo do mesmo teto com ela eu não posso ficar

Não dá pra acreditar, onze anos de experiência

Eu até entendo que adultos tenham divergências

Mas lembre-se: continuamos seus pais

Já tentamos demais, mas agora não dá mais

O filho ouvia o pai enquanto ele ia falando

Tentando esconder, mas estava chorando

 

Tem que ter pulso forte pra sair desse esquema / Problema…

O esforço é grande. Será que vale a pena? / Problema…

 

O que seria da sua mãe? O que seria da sua casa?

Quem seria o homem dessa casa?

E as contas a partir de hoje: quem pagaria?

O pai continuava falando, mas ele nem ouvia

Milhares de perguntas passavam por sua cabeça

Mas se manterá em pé, aconteça o que aconteça

Todos os objetivos, planos, sonhos se acabaram

Correu pro quarto, onde a mãe chorava, e se abraçaram

 

A partir de hoje mudaria toda sua sorte

Sua mãe precisava de ajuda, ele tentou ser forte

Precisam um do outro pra sarar a ferida

Com certeza esse foi o dia mais difícil de sua vida

As dúvidas, problemas vieram tudo junto

Abortar a infância e se tornar um jovem adulto

Definitivamente a infância ficou pra trás

O sonho de ser criança já não existia mais

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Nasci em 72

baseado em trecho do livro de Alessandro Buzzo

Os gritos do goleiro ditavam o ritmo do jogo / sempre era assim, um time contra o outro

De que lado eu vou ficar? Sempre foi no par ou ímpar / e era assim que os times variavam no dia a dia

Sempre que dava, jogava com o time inteiro / mas se faltasse gente, era golzinho, sem goleiro

De um lado os de camisa, do outro lado sem camisa / o chinelo velho substitui a baliza

Peguei a bola, passei pelo primeiro / o segundo zagueiro, um lençol no goleiro

Sou artilheiro, banheira que nada / de direita, de canhota. Topo qualquer parada

Entrei com bola e tudo meu cumpadi / na hora de meter gol, não tem essa de humildade

E na realidade vou te contar uma estória / tu só tá no jogo, porque é o dono da bola

Me lembro dessa época, vitalidade pra brincar / subir nas árvores, correr e zoar

E se deixar, não quero mais saber de nada / fico na rua até de noite, até de madrugada

A gente brincava de tudo que se possa imaginar / se tivesse pipa pra soltar, pião pra rodar

Bola de gude, pique esconde e pique salva / pique tá, pique ajuda, pique bandeira, pique lata

Pique parede, pique alto, pique cola / mas o que a gente gostava mesmo, era de jogar bola

À noite, a principal brincadeira / era pique esconde ou então pique bandeira

Segundo a regra, você só poderia se esconder / na própria rua, ou então não iria valer

Um contava até 20 e os outros corriam / um contava até 20 e os outros se escondiam

O que procurasse não podia vacilar / por que todos que ele encontrasse poderiam se salvar

A molecada se escondia em qualquer quintal / pulava muros, fazia um barulho infernal

Sempre pintava uma vizinha mal humorada / que vira e mexe furava a bola da molecada

A gente fazia de tudo pra provocar ela / gritava a noite em frente o casa dela

Soltava bomba no quintal e saia correndo / é claro que na madruga e se ela não estivesse vendo

Lembro como se fosse ontem, um belo dia / estava toda a turma na rua reunida

O muro azulejado e de repente BOOM / tijolo não sobrou nenhum

A dona saiu desesperada, irada / Gritando e acusando toda molecada

Época de bola de gude, epidemia / a quantidade de bolas que cada um tinha

Não dependia da quantidade de dinheiro / mas sim da habilidade dos parceiros

Tinha moleque que comprava 20, 30 bolas / e perdia tudo em menos de uma hora

Por outro lado tinha moleque que eu nunca vi comprando / e vivia com o pote cheio, as vezes até transbordando

Tampa de panela vira carro em alta velocidade / expressão de auto-criatividade

Crianças exercitando a mente fazendo com as próprias mãos / e o que era melhor, sem gastar nenhum tostão

Mas hoje é diferente: você não pode escolher / a TV escolhe pra você

Multidão que não pensa presa entre 4 paredes / como um cardume na rede

Pique ajuda é pra já, nunca deixo pra depois / Nasci em 72

Matava a escola, só pensava em bola, quero ver depois / Nasci em 72

1972 

Os gritos do goleiro ditavam o ritmo do jogo / sempre era assim, um time contra o outro

De que lado eu vou ficar? Sempre foi no par ou ímpar / e era assim que os times variavam no dia a dia

Sempre que dava, jogava com o time inteiro / mas se faltasse gente, era golzinho, sem goleiro

De um lado os de camisa, do outro lado sem camisa / o chinelo velho substitui a baliza

Peguei a bola, passei pelo primeiro / o segundo zagueiro, um lençol no goleiro

Sou artilheiro, banheira que nada / de direita, de canhota. Topo qualquer parada

Entrei com bola e tudo meu cumpadi / na hora de meter gol, não tem essa de humildade

E na realidade vou te contar uma estória / tu só tá no jogo, porque é o dono da bola

Me lembro dessa época, vitalidade pra brincar / subir nas árvores, correr e zoar

E se deixar, não quero mais saber de nada / fico na rua até de noite, até de madrugada

A gente brincava de tudo que se possa imaginar / se tivesse pipa pra soltar, pião pra rodar

Bola de gude, pique esconde e pique salva / pique tá, pique ajuda, pique bandeira, pique lata

Pique parede, pique alto, pique cola / mas o que a gente gostava mesmo, era de jogar bola

À noite, a principal brincadeira / era pique esconde ou então pique bandeira

Segundo a regra, você só poderia se esconder / na própria rua, ou então não iria valer

Um contava até 20 e os outros corriam / um contava até 20 e os outros se escondiam

 

O que procurasse não podia vacilar / por que todos que ele encontrasse poderiam se salvar

A molecada se escondia em qualquer quintal / pulava muros, fazia um barulho infernal

Sempre pintava uma vizinha mal humorada / que vira e mexe furava a bola da molecada

A gente fazia de tudo pra provocar ela / gritava a noite em frente o casa dela

Soltava bomba no quintal e saia correndo / é claro que na madruga e se ela não estivesse vendo

Lembro como se fosse ontem, um belo dia / estava toda a turma na rua reunida

O muro azulejado e de repente BOOM / tijolo não sobrou nenhum

A dona saiu desesperada, irada / Gritando e acusando toda molecada

Época de bola de gude, epidemia / a quantidade de bolas que cada um tinha

Não dependia da quantidade de dinheiro / mas sim da habilidade dos parceiros

Tinha moleque que comprava 20, 30 bolas / e perdia tudo em menos de uma hora

Por outro lado tinha moleque que eu nunca vi comprando / e vivia com o pote cheio, as vezes até transbordando

Tampa de panela vira carro em alta velocidade / expressão de auto-criatividade

Crianças exercitando a mente fazendo com as próprias mãos / e o que era melhor, sem gastar nenhum tostão

Mas hoje é diferente: você não pode escolher / a TV escolhe pra você

Multidão que não pensa presa entre 4 paredes / como um cardume na rede

 

Pique ajuda é pra já, nunca deixo pra depois / Nasci em 72

Matava a escola, só pensava em bola, quero ver depois / Nasci em 72

1972

 

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Baixada Brothers no Trocando ideia 7

A Mosca
Com depoimento de Preto Ghoez sobre o show

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Baixada Brothers no Garage

A Mosca

Inversão de valores

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Baixada Brothers no 1º Favela Toma conta

Inversão de valores

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Baixada Brothers na UERJ

Propaganda enganosa

Rap de uma nota só

Inversão de valores

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Baixada Brothers na passagem da Tocha Olímpica

Inversão de valores

Rap de uma nota só

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1 ano e 1 dia – o filme

Filme documentário brasileiro de curta-metragem de 2004, dirigido por Cacau Amaral, João Xavi e Rafael Mazza.

Prêmios

Prêmio Cara Liberdade – Mostra do Filme Livre – RJ (2005)
Prêmio Melhor curta pelo júri popular – Jovens Realizadores do Mercosul – CE (2005)
Prêmio Melhor curta – Festival de Curtas da UNIOESTE – PR (2005)

Festivais

1ª Festival NOSSAS NOVAS, Paris, França (2008)
4ª edição de BRÉSIL EN MOUVEMENTS, Paris, França (2008)
1º FRI Cine, RJ (2008)
5º Festival de Cinema de Maringá (2008)
Cine Social do Festival de Gramado, RS (2007)
Cine Cufa, O Cinema na Tela da Favela, RJ (2007)
Cine Cufa, Periferia Criativa, DF (2007)
Festival do Rio (2005)
I CINEPORT, Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa, MG (2005)
10ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, RJ (2005)
II Mostra Cinema Popular Brasileiro em São Pedro da Serra, RJ (2005)
Festival Curta-SE V, SE (2005)
Festival Cine Ceará, CE (2005)
10º Festival Brasileiro de Cinema Universitário, RJ (2005)
Mostra Tangolomango, RJ (2005)
Hutúz Filme Festival, RJ (2005)

Referências

Curtagora
A História do cinema brasileiro
Curta o curta
Observatório da Imprensa

 

 

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Baixada Brothers no Novo Canto

Menino de rua

A Cultura

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1a edição do Favela Toma Conta….2004 no Itaim Paulista…RECORDAR É VIVER !!!!

Publicado em: favelatomaconta.blogspot.com.br



Alessandro Buzo no comando da primeira edição do “Favela Toma Conta”, estamos indo para 22a edição.
Itaim Paulista (Extremo Leste de SP)

Texto: Alessandro Buzo
Fotos: Luciano Moura


Buzo no primeiro “Favela Toma Conta”
– Aquele dia de 2004 não imaginava onde iriamos chegar.

As fotos abaixo trouxe muita saudade, são de 2004 quando realizei na rua da minha casa no Itaim Paulista, a 1a edição do Evento “Favela Toma Conta”, era para ter sido: – Apenas uma festa.
Mas a partir do dia seguinte passaram a me perguntar: – Quando acontece a proxima festa.
E não parou, nunca mais deixei de fazer o evento e nem as pessoas deixam de perguntar: – Quando é a proxima festa ??
Estamos proximos da 22a edição (agora dia 22/05) e é uma satisfação ver que a gente não parou, mesmo com tudo contra.
Vi pelas fotos algumas atrações presentes, Ferréz, Nino Brown, Tribunal Mc´s, MC Tabaco, Baixada Brothers que venho do Rio de Janeiro, exclusivamente para a festa, EXL, entre outros.
Bom saber que a gente não desistiu mesmo com tudo contra.
Bom saber que vários outros aliados chegou nas várias outras edições dessa que é uma das festas de Hip Hop na Rua, mais tradicional do país.
Hoje o “Favela Toma Conta” cresceu, principalmente em prestígio, mas a luta é a mesma dessa primeira vez.


EXL, composto pelos jovens que moram na mesma rua de casa, local das duas primeiras edições do evento “Favela Toma Conta”.
Av José Borges do Canto….Itaim Paulista (SP)


Buzo divulgando a Revista Literatura Marginal – ATO III


Da Baixada Fluminense ao Itaim Paulista….Baixada Brothers (na minha casa, o evento foi na rua)


Ferrez, Buzo e DJ Zóio (primeiro DJ Residente do evento)


Buzo com o Tribunal Mcs, pouco antes de subir ao palco


Ferréz, do Capão Redondo ao Itaim Paulista


Ferrez e Nino Brown no palco da 1a edição do “Favela Toma Conta”


Baixada Brothers (RJ) e ao centro….Luciano Moura que me presenteou com essas fotos


Comunidade presente


Buzo e mestre Picola da Santa Barbará


Banca Tribunal Mcs

www.favelatomaconta.blogspot.com


Unidos de Santa Barbara – Itaim Paulista


Santa Barbará, a direita (Casa amarelo)……….minha casa


Favela do Buraco


Manos da quebrada, o de amarelo foi assassinado….quantos não foram assim


MC Tabaco – Itaim Paulista


Guilherme Azevedo entre outros amigos, Ferréz e esposa, Robson Canto, Zumbão…


Nino Brown e Cacau (RJ)


Manos do Capão, eu e o Evandro (pequeno), a direira, Negru (Itaim Pta, velhos tempos do trenzão)

www.favelatomaconta.blogspot.com

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