Eh tudo obra

O que vem de cima é obra de jah / O que vem de cima é obra de jah

O que vem de cima é obra de jah / O que vem de baixo… É obra do diabo

Lembra aquela obra em que te conheci / Naquela manobra quando me feri

Não resta mais dúvida, virei um problema / Não adianta mais súplica, eu saio de cena

Eu saio daqui, eu sujo seu carro / O que sai de mim, vermelho amargo

Lembra aquela obra que te construí? / Com olhar de baixo, pois nunca me iludi

Na casa que eu não poderia morar / Agora não entro… Nem mais pra trabalhar

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A cultura

D                                                                                 G                A     

 

Rapaziada o Baixada Brothers tá chegando no pedaço, vacilou compadre um abraço

A minha rima sem sair de cima deixa que eu mesmo faço, bumbo centrado vai marcando o compasso

Saca o contratempo, mais rápido do que o vento, o pan aberto, meu quinto elemento

A caixa abafada, descompassada, dá porrada; deixa a batida rebelde, meio quebrada

Eu abro o meu segredo, não tenho medo, não tenho sócio; a bateria é que é a alma do negócio

Tem que ser tocada, caprichada, pra manter o clima; é feita em cima, duelando com a rima

Já é maluco, camarada; é bateria e voz. É nós, na fita não estamos sós

Guitarra sampleada dos anos 80, não é pesada; mas o swing complementa

King Kombo, Black Rio, Tim Maia, James Brown; criatividade criminal, criminal

40º é o clima desse partideiro, valorizo a influência do Rio de Janeiro

Toco pandeiro, giro ele como fosse vinil, atire a primeira pedra quem nunca curtiu

Zeca Pagodinho, Jovelina, Bezerra, Sérgio Meriti, Kid Moringueira

Sai Como Pode onde eu passei minha infância, Bloco do China não me sai da lembrança

Era criança, por tanto não me leve a mal, se você é radical, monocultura é o escambau

Berimbau, tamborim; tem que ser tocado assim. Mais e mais recursos é o melhor pra mim

Vou beber em todos os potes, isso é que é legal, toda periferia um caldeirão cultural

Bm                       A

um caldeirão cultural

G

Toda periferia um caldeirão cultural

Eu misturo samba, funk, heavy, hippie, rock, xote, xaxado, rap embolado, soul de quem quiser

Estou na batida da Jamaica, do cubano, angolano, africano, suburbano pro que der e vier

Venha que venha e traz aí, pandeiro e tamborim, faz barulho que eu vou mostrar tim-tim-por-tim-tim

Até o fim, vê se se liga choque: essa parafernália é apenas pra te dar um toque,

Não é de ibope, é de idéia violenta, o bongô, a viola, mera ferramenta

Complementa tudo que eu tenho pra mostrar, mas o essencial é o que eu quero falar

Pode tirar o instrumental que eu falo de novo, pro povo que só come ovo, e isso quando dá

Pra ajudar que eu montei essa harmonia, a melodia contracena com a barriga vazia

Periferia, lugar onde tudo acontece, barriga cresce antes da hora de engravidar

Não dá pra estudar, talvez seja por isso compadre que esses covardes conseguem nos envenenar

A droga é fácil, ao meu povo ela corrói; se um tapinha não dói, é o que falam por lá

Pra nos matar, escravizar a periferia, transformar a resistência numa utopia

Mas fique sabendo que isso é impossível meu compadre, o bem sempre prevalece sobre a maldade

Essa é minha verdade, do que depende minha existência, exigir cultura, inibir violência

A paciência foi vencida foi vencida pelo cansaço, se governo não liga, eu meto a mão e faço

Um abraço esse é o meu mundo real, toda periferia um caldeirão cultural

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Ataque verbal

Tom G

                       C                                                                        D

Estamos cansados, pois somos constantemente humilhados,

                                                              C

ultrajados por um sistema todo errado

Sistema que não se conforma em ver

       Bm                                     G

um pobre consciente como eu e como você

Que não fica parado diante do que está errado, que não fica calado ao ser incomodado

Mas se ao contrário, você for um salafrário, não pense que aqui existe algum otário

Assuma a carapuça e admitia seu erro, a partir de agora você vai ter um pesadelo

Não adianta se esquivar, você não vai ter paz, onde você for a gente vai atrás

Lembra quando você estampou no jornal que um rapper não passava de um animal

Que nossa música não tinha nenhuma melodia, não poderia ser classificada como poesia

Que não sabemos cantar, que só sabemos gritar e nossas letras só serviam para reclamar

Mas se você não trata o pobre como seu irmão, não espere ouvir de mim palavras de satisfação

Foi você quem plantou o seu inferno astral, então segura a porrada, o ataque verbal

Primeiro… você não serve pra nada, não tem nenhum camarada, é o maior conversa fiada

Quem ia querer um amigo como você? Só adianta o próprio lado, não joga pra perder

Segundo que você é um tremendo racista, é o maior vigarista, que sempre deixa na pista

Seu vizinho lhe pediu ajuda, você ignorou, só porque ele não era da sua cor

Se você não entendeu esse recado “mermão”, Preste atenção

                G         Em                    C    D

Então segura o ataque “mermão”,

Cacau mandando a real, Dj Dmc no scratch e tal

Eu poderia simplesmente falar, mas você não ligaria, não iria escutar

Por isso que eu vou mandando a informação, acompanhada da base pra manter sua atenção

Através do discurso a gente te avisa, se não tiver recurso a gente improvisa

Eu peço a você que não fique assustado, você não está acostumado com o meu som pesado

Cozinha pesada, guitarra distorcida, porém acompanhada de mensagem positiva

Numa formação nada convencional, poesia suburbana, distorção social
Se liga na parada, nesse som porrada, ele entra em sua mente como uma martelada

Abala o seu tímpano, mas não te deixa surdo, massageia seu estômago com graves e agudos

Nós somos iguais, mas você não nos aceita, respeitamos você e você não nos respeita

Somos perseguidos, sempre encurralados, constantemente cercados por todos os lados

Mas não pense que eu tenho alguma mágoa a mais, você não pode me atingir, você não é capaz

Não fique bolado, eu uso a palavra certa, meu corpo não é fechado, a minha mente é que é aberta

Sempre aberta, com o verbo em destaque … a melhor defesa é o ataque
Sua mente está abalada, mas não está morta, eu só te dei essa porrada pra ver se você acorda

Me desculpe o mal jeito, não é nada pessoal … segura o ataque verbal

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Baixada Brothers no Hutus Rap Festival

A mosca

A Diversão

Indicado ao Hutuz 2000

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Hutuz 2003

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Sobre o Rio de Janeiro (a diversão)

Vou te falar sobre o Rio de Janeiro,  40º, carnaval o ano inteiro

Praia de manhã, futebol durante a tarde, a noite é badalada na cidade

Quero confessar que nasci foi para ganhar, caminho subindo o degrau dessa vida e não posso parar

Às vezes o caminho é complicado me deixando louco, porque o mundo está se direcionando para o fundo do poço

Seu moço, eu só quero me divertir. A sua farda não interfere o meu direito de ir e vir

Aqui pra sair não precisa ter dinheiro, isso não funciona no Rio de Janeiro

Uns jogando futebol, outros se bronzeando em baixo do sol, outros em baixo da ponte se esquivando do cerol

Todos nós sabemos que a diversão é uma coisa essencial; independente de cor, religião ou classe social

Pra compensar o dia a dia que por aí é um terror, como uma bateria que recarrega o bom humor

Após uma semana de trabalho para aliviar a tensão, após uma semana de estudo só a diversão

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A cultura

Rapaziada o Baixada Brothers tá chegando no pedaço, vacilou compadre um abraço

A minha rima sem sair de cima deixa que eu mesmo faço, bumbo centrado vai marcando o compasso

Saca o contratempo, mais rápido do que o vento, o pan aberto, meu quinto elemento

A caixa abafada, descompassada, dá porrada; deixa a batida rebelde, meio quebrada

Eu abro o meu segredo, não tenho medo, não tenho sócio; a bateria é que é a alma do negócio

Tem que ser tocada, caprichada, pra manter o clima; é feita em cima, duelando com a rima

Já é maluco, camarada; é bateria e voz. É nós, na fita não estamos sós

Guitarra sampleada dos anos 80, não é pesada; mas o swing complementa

King Kombo, Black Rio, Tim Maia, James Brown; criatividade criminal, criminal

40º é o clima desse partideiro, valorizo a influência do Rio de Janeiro

Toco pandeiro, giro ele como fosse vinil, atire a primeira pedra quem nunca curtiu

Zeca Pagodinho, Jovelina, Bezerra, Sérgio Meriti, Kid Moringueira

Sai Como Pode onde eu passei minha infância, Bloco do China não me sai da lembrança

Era criança, por tanto não me leve a mal, se você é radical, monocultura é o escambau

Berimbau, tamborim; tem que ser tocado assim. Mais e mais recursos é o melhor pra mim

Vou beber em todos os potes, isso é que é legal, toda periferia um caldeirão cultural

Eu misturo samba, funk, heavy, hippie, rock, xote, xaxado, rap embolado, soul de quem quiser

Estou na batida da Jamaica, do cubano, angolano, africano, suburbano pro que der e vier

Venha que venha e traz aí, pandeiro e tamborim, faz barulho que eu vou mostrar tim-tim-por-tim-tim

Até o fim, vê se se liga choque: essa parafernália é apenas pra te dar um toque,

Não é de ibope, é de idéia violenta, o bongô, a viola, mera ferramenta

Complementa tudo que eu tenho pra mostrar, mas o essencial é o que eu quero falar

Pode tirar o instrumental que eu falo de novo, pro povo que só come ovo, e isso quando dá

Pra ajudar que eu montei essa harmonia, a melodia contracena com a barriga vazia

Periferia, lugar onde tudo acontece, barriga cresce antes da hora de engravidar

Não dá pra estudar, talvez seja por isso compadre que esses covardes conseguem nos envenenar

A droga é fácil, ao meu povo ela corrói; se um tapinha não dói, é o que falam por lá

Pra nos matar, escravizar a periferia, transformar a resistência numa utopia

Mas fique sabendo que isso é impossível meu compadre, o bem sempre prevalece sobre a maldade

Essa é minha verdade, do que depende minha existência, exigir cultura, inibir violência

A paciência foi vencida foi vencida pelo cansaço, se governo não liga, eu meto a mão e faço

Um abraço esse é o meu mundo real, toda periferia um caldeirão cultural

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Meio ambiente

Publicado no portal Real hiphop em 30 de maio de 2003

A pergunta que não se cala:
Por que os países desenvolvidos não deixam os subdesenvolvidos se desenvolverem?
A mentalidade norte-americana trata a natureza, única e simplesmente, como fonte de matéria-prima. Não é de se espantar que eles sejam a maior economia do planeta e em conseqüência disso a que mais degrada a natureza.
Os seres humanos vivem uma busca incansável pela qualidade de vida. Esta qualidade, geralmente, está relacionada a bens de consumo; e não existe uma maneira de transformar recursos naturais em bens de consumo sem degradar a natureza. Para fabricar uma TV, um carro, geladeira, fogão; qualquer bem que nos gere conforto; existe um valor agregado, já que para se obter qualquer bem é necessário utilizar recursos naturais e esses recursos são esgotáveis.
Aproximadamente 10% da população do planeta têm acesso à qualidade de vida. Os recursos naturais disponíveis são suficientes para manter o conforto desse grupelho durante algumas décadas, mas com o crescimento da população, mas a cada dia mais recursos são necessários para dar conforto a um menor número de pessoas.
Se toda a população mundial for exigir seus direitos à qualidade de vida, os recursos naturais se esgotarão em menos de uma década. Munidos dessa informação, os ricos indisponibilizam a qualidade de vida ao resto da população, garantindo assim o seu próprio conforto.
Existem 3 caminhos a se seguir:
1- Nivelar por cima.
2- Nivelar por baixo.
3- Nivelar no meio.
Como eu já havia mostrado, a primeira opção é inviável; e os ricos, com consciência disso, investem na miséria alheia com o objetivo de garantir seu próprio conforto.
A segunda opção acontece à medida que a parte pobre da população começa a buscar a igualdade e exige os seus direitos. Já que os ricos não querem dividir a bonança, terão que dividir a desgraça.
A terceira opção é mudar a mentalidade que nos leva a esse modelo de viver para o dinheiro e quebrar esse elo que existe entre a qualidade de vida e os bens de consumo.
É nítido que a busca desenfreada pelo dinheiro tem uma conseqüência inevitável. Por quanto tempo os ricos acham que podem esconder essa informação dos pobres? Já está provado que esse modelo não funciona e quanto mais tempo levarmos para perceber isso será pior, porque as conseqüências da pobreza estão, a cada dia, mais evidentes.

Cacau Amaral

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Inversão de valores

Eu não me importo com a maneira com que somos tratados, com essa gente que me olha como se fosse um coitado

Que restringe o meu acesso à informação, acesso à cultura e à diversão

Discriminação, talvez você não entenda; pobreza, miséria, má distribuição de renda

Eu não me importo com isso, acho até normal: com quem pensa estar imune a diferença social

Você exclui uma parcela da população, não imagina a conseqüência dessa exclusão

Fique com a sua cultura convencional, que eu fabrico a minha cultura marginal

A minha alternativa para a gente coexistir, nova maneira de se expressar e se divertir

Eu não estou nem aí se você me barrou, no final do trajeto vamos ver quem sobrou

Eu não me importo não, não acredito não, a reação é conseqüência da vossa ação

Eu não me importo não, não acredito não, inversão de valores é nossa razão

Inversão de valores, minha cultura vai mandar, quem foi que mandou você tentar me dichavar

Todo esse tempo que ficamos na periferia, podemos formular nossa própria filosofia

Cultura baseada na vivência na rua, cultura livre, sem compromisso com a sua

Ria a vontade enquanto pode rir, que uma nova cultura agora se faz ouvir

Inversão de valores você vai ouvir falar, vai querer até pagar para estar do lado de cá

Quem era opressor agora sofre opressão, quem estava à margem é o centro da atenção

Você acha graça quando me ouve falar, mas só que vai chorar quando seu filho me imitar

Ele não quer mais ir pra praia de dia, quer rodar de cabeça em baile de periferia

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Meras ferramentas

Quando a família real portuguesa chegou aqui
Na época da colonização tupiniquim
Criou-se um bairro exclusivo da realeza
Onde não poderia haver vestígios de pobreza
Qual seria a solução para evitar
Que negros e índios pudessem se aproximar
A primeira polícia foi criada, então
E na própria comunidade foi feita a seleção
O próprio povo é que foi treinado
Para manter negros e índios afastados
Concluindo, pagava-se a classe baixa
Pra defender os interesses da privilegiada
Essa filosofia funcional
É mantida até hoje na força policial
Não é acabando com a polícia que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

“Uma mera ferramenta do sistema”

O tempo médio em que estudamos
É de aproximadamente vinte e poucos anos
Sugerido por quem no sistema não está inserido
Vulgarmente é chamado de excluído
Não é acusação aos educadores
Mas sim, a instituição de exclusores
Educadores também são produto do problema
Porque que também foram educados pelo sistema
Não são melhores nem piores que a gente
À medida que também passamos o lixo pra frente
Comemos esse lixo podre, dormimos indiferentes
Ao fedor que nos degrada moralmente
Também contaminaremos todos nossos filhos
Que vão contaminar os filhos de nossos filhos
Não é acabando com a escola que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

O que posso falar a respeito da droga
Se uns dizem ser ruim, outros dizer ser foda
Independente do motivo pelo qual ela é usada
Farei um comentário do “porque” ela foi criada
O álcool, válvula de escape do poder
Criado para o proletário nunca enriquecer
A outra é proibida, mas tem em qualquer esquina
Leva todo seu dinheiro, a porra da cocaína
Pros frequentadores da noite poderem curtir
Três dias gastando, foi criado o extasy
Pros caminhoneiros trabalharem mais, arrebite
Pra gastar no restaurante, cachaça abre o apetite
Toda essa parada não é exagero
Só uma maneira de gastar mais dinheiro
Não é acabando com a droga que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

A mídia, ferramenta principal
De controle de massa com lavagem cerebral
A televisão é a desgraça da nação
Ferramenta de propagação da desinformação
Diminuindo gradativamente o povo brasileiro
Cultuando efetivamente o povo estrangeiro
Estipula um padrão de felicidade
Que nunca será alcançado pela comunidade
No cinema não há nada de diferente
O gringo sempre é referência pra gente
A rádio de longo alcance te engana e te ilude
Com som massificado que controla a juventude
Mas nem tudo está perdido, a resistência é viável
A rádio comunitária é uma mídia confiável
Não é acabando com a mídia que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

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