Inversão de valores

Eu não me importo com a maneira com que somos tratados, com essa gente que me olha como se fosse um coitado

Que restringe o meu acesso à informação, acesso à cultura e à diversão

Discriminação, talvez você não entenda; pobreza, miséria, má distribuição de renda

Eu não me importo com isso, acho até normal: com quem pensa estar imune a diferença social

Você exclui uma parcela da população, não imagina a conseqüência dessa exclusão

Fique com a sua cultura convencional, que eu fabrico a minha cultura marginal

A minha alternativa para a gente coexistir, nova maneira de se expressar e se divertir

Eu não estou nem aí se você me barrou, no final do trajeto vamos ver quem sobrou

Eu não me importo não, não acredito não, a reação é conseqüência da vossa ação

Eu não me importo não, não acredito não, inversão de valores é nossa razão

Inversão de valores, minha cultura vai mandar, quem foi que mandou você tentar me dichavar

Todo esse tempo que ficamos na periferia, podemos formular nossa própria filosofia

Cultura baseada na vivência na rua, cultura livre, sem compromisso com a sua

Ria a vontade enquanto pode rir, que uma nova cultura agora se faz ouvir

Inversão de valores você vai ouvir falar, vai querer até pagar para estar do lado de cá

Quem era opressor agora sofre opressão, quem estava à margem é o centro da atenção

Você acha graça quando me ouve falar, mas só que vai chorar quando seu filho me imitar

Ele não quer mais ir pra praia de dia, quer rodar de cabeça em baile de periferia

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Meras ferramentas

Quando a família real portuguesa chegou aqui
Na época da colonização tupiniquim
Criou-se um bairro exclusivo da realeza
Onde não poderia haver vestígios de pobreza
Qual seria a solução para evitar
Que negros e índios pudessem se aproximar
A primeira polícia foi criada, então
E na própria comunidade foi feita a seleção
O próprio povo é que foi treinado
Para manter negros e índios afastados
Concluindo, pagava-se a classe baixa
Pra defender os interesses da privilegiada
Essa filosofia funcional
É mantida até hoje na força policial
Não é acabando com a polícia que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

“Uma mera ferramenta do sistema”

O tempo médio em que estudamos
É de aproximadamente vinte e poucos anos
Sugerido por quem no sistema não está inserido
Vulgarmente é chamado de excluído
Não é acusação aos educadores
Mas sim, a instituição de exclusores
Educadores também são produto do problema
Porque que também foram educados pelo sistema
Não são melhores nem piores que a gente
À medida que também passamos o lixo pra frente
Comemos esse lixo podre, dormimos indiferentes
Ao fedor que nos degrada moralmente
Também contaminaremos todos nossos filhos
Que vão contaminar os filhos de nossos filhos
Não é acabando com a escola que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

O que posso falar a respeito da droga
Se uns dizem ser ruim, outros dizer ser foda
Independente do motivo pelo qual ela é usada
Farei um comentário do “porque” ela foi criada
O álcool, válvula de escape do poder
Criado para o proletário nunca enriquecer
A outra é proibida, mas tem em qualquer esquina
Leva todo seu dinheiro, a porra da cocaína
Pros frequentadores da noite poderem curtir
Três dias gastando, foi criado o extasy
Pros caminhoneiros trabalharem mais, arrebite
Pra gastar no restaurante, cachaça abre o apetite
Toda essa parada não é exagero
Só uma maneira de gastar mais dinheiro
Não é acabando com a droga que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

A mídia, ferramenta principal
De controle de massa com lavagem cerebral
A televisão é a desgraça da nação
Ferramenta de propagação da desinformação
Diminuindo gradativamente o povo brasileiro
Cultuando efetivamente o povo estrangeiro
Estipula um padrão de felicidade
Que nunca será alcançado pela comunidade
No cinema não há nada de diferente
O gringo sempre é referência pra gente
A rádio de longo alcance te engana e te ilude
Com som massificado que controla a juventude
Mas nem tudo está perdido, a resistência é viável
A rádio comunitária é uma mídia confiável
Não é acabando com a mídia que se resolve o problema
Uma mera ferramenta do sistema

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O governo dali

No princípio a coisa ficou complicada
Porque essa terra era tão cobiçada
A resistência era muito, muito forte
Os deixando restritos apenas a norte
Após a independência começaram a avançar
Com objetivo de colonizar
Guerras e mais guerras dentro de alguns anos
Massacre de índios e de mexicanos
Tentando avançar até o extremo sul
América Central, América do Sul
Seu povo concorda e até acha normal
Submetido à lavagem cerebral
Imprimindo a ideia da submissão
E que sua doutrina seria a salvação
Com um livro na mão atrás de uma gravata
Chamando o terceiro mundo de primata

Eu não gosto do governo daqui
Pela-saco, puxa-saco, do governo dali
Eu não gosto do governo de lá
Pela-saco que só ferra o governo de cá

Vivo, revivo e convivo com isso
Quem não está disposto a cumprir compromisso
Mas se os poderosos induzem nossa gente
A roubar, a matar, pra ferrar nossa gente
Os povos aceitam, meio sem perceber
Essa submissão é em troca de quê?
Em troca de fama, talvez de dinheiro
Em troca de fome e de desespero
Os governos aceitam essa submissão
Em troca de apenas uma posição
Confortável e individualista
Girando na máquina capitalista
O povo de lá e o povo de cá
Aprende que ele é quem pode nos salvar
Como se eles fossem abençoados
E em nome de deus fossem capacitados
A famigerada ganância, então
Que foi herdada da colonização
Governo do norte manda e desmanda
Governo do sul só apoia a ciranda
Os cargos daqui são monitorados
E somente por alguns é que são ocupados
Apenas por aqueles que estão na lista
De confiança do capitalista
Como bem entendem eles vão usar
Bem como as formas de governar
Usam e abusam das comunicações
Em detrimento de nossas nações
Ferramentas usadas com tremenda malícia
Mídia, escola, droga, polícia
Os costumes de lá só afetam a gente
Porque o governo de cá sempre foi conivente

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Rap de uma nota só

Não é possível mais admitir a passividade
Pode me questionar, me acusar e tal
Eu admito até a minha radicalidade
Aos desavisados podem me levar a mal
Ser radical é ir na raiz do problema
Pra ser mais claro: no próprio sistema
Ocupar o espaço que nos foi negado
Tomar de assalto o que nos foi roubado
Entrar na sua faculdade, mas não para varrer
Pra decidir o que o seu neto vai aprender
Não serei mais o réu dentro do seu tribunal
Promotor ou juiz, pra mim está na moral
Então já é: a partir de agora quando eu estudar
Não é pra ser frentista, mas sim um físico nuclear
No seu hospital não serei um varredor
Serei o doutor ou o diretor
Não venha me falar o que já foi falado
Quando criou-se a lei eu não fui consultado
Não é apologia a desobediência
Mas só subvertendo ela irá à falência
A lei não julga a pobreza não
É a pobreza que coloca a lei em questão
Nenhuma lei jamais será capaz
De julgar a pobreza, no papel ela jaz
Para eles tanto faz, direitos são iguais
Na teoria somos gente, na prática animais
Intelectuais direcionam nossas vidas
Quase sempre sofridas, complexadas, oprimidas
Tendências suicidas, tendências homicidas
Reflexo de uma sociedade bandida
Que nos programa, depois reclama se cumprir
Em um momento de fraqueza, de força ou do que preferir

Suas regras não fizeram um mundo melhor
O rap de uma nota só
A lei não julga a pobreza, só a torna bem pior
O rap de uma nota só

Não estou nem aí: expresso minha real
Convivo efetivamente num aborto social
Não me leve a mal pelas minhas palavras
Para ti são pesadas, mas não para minha quebrada
Me acuse de não medi-las conscientemente
Se engane, planejadas milimetricamente
Objetivo distante, mas um dia eu conquisto
Impacto a 30% do previsto
Mal visto? Isso já eu fui desde que nasci
Uma falha do sistema, mas logo percebi
Olhava a minha volta, tragédia sem revolta
Todos anestesiados, algo estava errado
Família comendo ovo para eu estudar
Sistema escolar difícil de se adaptar
A professora reclama da minha redação
Problemas, problemas, problemas então
Sem solução, tratamento em vão
Um garoto fora do padrão
Se liga meu irmão, não seja mais um
Criptografado em apenas zeros e um
Esse é o bum, vê se não perde o barco
Apesar de estar descalço, aperte o seu passo
A ciência avançou muito, como ela avançou
Mas em contra partida a miséria nada recuou
Então do que adiantou avançar
Se só uma minoria poderá desfrutar
Mas se engana quem não acredita no previsto
Dado relatado, fato científico
Daqui a algumas décadas, quem sabe antes
Bilhões e bilhões e bilhões de habitantes
Se essa indignação não acabar
Os responsáveis é quem vão chorar

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Cambito

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Baixada Brothers no Bônus de apoio à Rádio Kaxinawá

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A mosca

Baixada Brothers arrebentando com o esquema,

A mosca que pousou na sopa do sistema

E não adianta tentar me segurar

(Eu sou assim mesmo e nada pode me parar)

Eu sou assim mesmo desde o dia em que nasci,

Contrariando as regras, foi assim que consegui

Chegar a onde eu quero, perto da trilha zero,

Pareço revoltado, mas não me desespero

Não é uma revolta e sim uma revolução,

Um som pesado que quando bate treme o chão

É tão pesado, porém divertido,

Politizado, subversivo

Eu sou a chave que quebra a algema,

O delator que detona o sistema

Não tenho pena, represento o povo pobre,

Muito prazer eu sou Baixada Brother

Baixada Brothers detona o esquema,

A mosca que pousou na sopa do sistema

Baixada Brothers, o elo da corrente,

Hip hop Baixada Fluminense

O MC tem a responsa e firma o compromisso,

Tá ligado e sabe muito bem disso

Percebe que a elite financia a nossa destruição,

É irmão engolindo irmão

Vizinho e vizinho tentando se matar,

Eu quero ver na hora que a gente se ligar

A quem vamos matar? Quem financiou a nossa desgraça?

Segura o peso da massa

Cumpadre se liga que chegou a sua vez,

Vamos dividir a desgraça com vocês

Eu quero ver agora cadê consciência?

Agora você vai pensar na consequência

Será que vale a pena manter o povo acuado?

Será que vale a pena tratá-lo como ratos?

Comendo uns aos outros, por enquanto está tudo bem,

Eu quero ver quando for comer você também

Serão poucas as grades e os carros blindados,

Para vos manter imunes aos ratos

Nem mesmo a polícia vai querer te proteger,

Mais cedo ou mais tarde eles também vão saber

Muitos já ouvem rap e estão sendo acordados,

Muitos já estão ligados que também são acuados

O rap nacional se consagra de uma vez,

A mosca que pousou na sopa de vocês

Não adianta você tentar me parar,

Em cada canto do planeta outro som vai ecoar

Você pode até quebrar o meu vinyl,

Tem outros 160 ecoando no Brasil

CD, MD, LP, fita cassete,

DAT, ADAT, mpeg e internet

A mídia que de vez pousou em sua sopa,

Fanzine, revista, propaganda boca a boca

Eu tenho uma meta, uma preocupação,

Ela termina com a sua conscientização

Irmão, eu vou te deixar ligado,

Ou pelo menos te deixar bolado

Existe uma porta que eu tenho que abrir,

Ela impede sua energia de fluir

Entrar e sair, deve circular,

É zero a esquerda se estagnar

Eu vou abrir a sua porta pra te ajudar,

Mas a decisão é sua se deve ou não entrar

O rap é uma pista pra você perceber,

Que a ruptura social só tende a crescer

Comunicação letal pra te abalar

(Eu sou assim mesmo e nada pode me parar)

Eu sou assim mesmo, esse é o meu lema,

A mosca que pousou na sopa do sistema.

O meu som vai bater do lado de cá,

O meu som vai bater do lado de lá

O meu som vai bater em todo lugar,

(Eu sou assim mesmo e nada pode me parar)

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Baixada Brothers e CEAC-H2 no Domingo com Atitude

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Diário da Baixada

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Baixada Brothers em Realengo

Televisão

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