Baixada Brothers – Release

O grupo Baixada Brothers, formado por Cacau e pelo DJ DMC, surgiu em 1999. O nome da banda decorre do fato dos seus componentes morarem na Baixada Fluminense.

Em 2000, o BB foi indicado ao prêmio Hutúz de melhor fita demo. Em 2001, produziu a coletânea Rio com Indignação, que foi lançada em vinyl. No mesmo ano, participou da fundação da ONG CEACH2 – Centro de Estudos e Apoio à Cultura Hip-Hop. Pensando na divulgacão da ideologia do movimento Hip-Hop e na possibilidade de multiplicar a conscientização das pessoas em relação à realidade social do Brasil, o grupo diversificou seus trabalhos: em 2002, DMC inicou aulas de DJ em projetos sociais, e Cacau passou a escrever para o site Real Hip-Hop (www.realhiphop.com.br), do qual ainda é colunista. Em 2003, o grupo gravou ao vivo um vídeo com seis músicas durante o show realizado no Armazém 5 do Cais do Porto.

Os próximos projetos da banda são o lançamento do clipe Ataque Verbal e a finalização documentário Cidade Dormitório, em fase de produção. No momento, estão envolvidos com o cineclube Mate com Angu, também na Baixada Fluminense, que tem como objetivo viabilizar a exibição de filmes para a população que não tem acesso aos cinemas da zona sul do Rio de Janeiro e fomentar a produção audiovisual da região.

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Num ano e um dia

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Baixada Fluminense. Sexta feira, 21 de maio de 2004. Oito horas da noite. Estou em frente a UNIG (Universidade Iguaçu). Acabei de encontrar com um camarada, ele vai me levar até o acampamento 17 de maio.
17 de maio de 2003 foi à data da ocupação, data esta que serviu de nome de batismo para o bairro que está sendo criado.
Logo quando chegamos ao acampamento, fomos conhecer a cozinha comunitária, lugar onde Paloma tem sempre uma refeição disponível para quem não tem como cozinhar ainda. Como eu também não tenho como cozinhar, aceitei um belo dum rango caseiro. A essa altura o Dmc já estava com o estômago roncando de fome e não perdoamos, traçamos aquela comida e ainda pedimos mais (he he he). À noite de sexta serviu pra gente se integrar com a comunidade, pois o que estava por vir no dia seguinte (sábado), é que era a alma do negócio, a festa de um ano e um dia de ocupação. Então ficamos até umas 2h da manhã trocando idéia com os moradores, bebendo um limãozinho para espantar o frio e ouvindo as histórias de todos os obstáculos que eles tiveram nesses um ano e um dia. A dificuldade de construir, a repressão policial, a falta de compromisso do governo. Só pra vocês terem uma idéia, o acampamento foi incendiado 5 vezes. Vocês conseguem visualizar o que seria você construir um barraco e a polícia queimar? Você construir de novo e a polícia queimar de novo? Você construir pela terceira, pela quarta e pela quinta vez e a polícia queimar 3, 4, 5 vezes? É, isso aconteceu. E essas pessoas têm mais do que 5 motivos para comemorar um ano e um dia de resistência.
Sábado, já pelas 7h da manhã a galera começava os preparativos da festa. Aliás! Esses preparativos já vinham se desenrolando desde sexta. Demos um rolé pela ocupação, entrevistamos alguns moradores, ouvimos umas letras de rap da molecada e às 9h começou a apresentação das crianças. O Márcio recitava uma historinha e a criançada repetia. Foi difícil conter as lágrimas na conversa com as crianças, onde a maioria dizia querer ser médico para salvar o país. Essa é a visão da criançada, um país doente. Essa é a realidade deles, pois eles não têm acesso às riquezas de um país que se entrega a cada dia para os estrangeiros.
Depois da apresentação das crianças chegou o som da festa. A galera da cozinha começou a queimar uma carne enquanto do outro lado se confeitava um bolo gigantesco, afinal, não é todo dia que você comemora um ano e um dia.
Você deve estar se perguntando: Que diabos é isso de um ano e um dia?
O mais importante nessa história, ou seja, o objetivo desse texto é mostrar pra vocês que existem pessoas que não concordam com esse modelo que o sistema impõe pra gente. E que essas pessoas, além de não concordarem, tomam providências para fazer valer o seu direito, nesse caso, direito a terra.

Cacau Amaral
23/5/2004

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1 Ano e 1 Dia – em inglês

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A cultura

D                                                                                 G                A     

 

Rapaziada o Baixada Brothers tá chegando no pedaço, vacilou compadre um abraço

A minha rima sem sair de cima deixa que eu mesmo faço, bumbo centrado vai marcando o compasso

Saca o contratempo, mais rápido do que o vento, o pan aberto, meu quinto elemento

A caixa abafada, descompassada, dá porrada; deixa a batida rebelde, meio quebrada

Eu abro o meu segredo, não tenho medo, não tenho sócio; a bateria é que é a alma do negócio

Tem que ser tocada, caprichada, pra manter o clima; é feita em cima, duelando com a rima

Já é maluco, camarada; é bateria e voz. É nós, na fita não estamos sós

Guitarra sampleada dos anos 80, não é pesada; mas o swing complementa

King Kombo, Black Rio, Tim Maia, James Brown; criatividade criminal, criminal

40º é o clima desse partideiro, valorizo a influência do Rio de Janeiro

Toco pandeiro, giro ele como fosse vinil, atire a primeira pedra quem nunca curtiu

Zeca Pagodinho, Jovelina, Bezerra, Sérgio Meriti, Kid Moringueira

Sai Como Pode onde eu passei minha infância, Bloco do China não me sai da lembrança

Era criança, por tanto não me leve a mal, se você é radical, monocultura é o escambau

Berimbau, tamborim; tem que ser tocado assim. Mais e mais recursos é o melhor pra mim

Vou beber em todos os potes, isso é que é legal, toda periferia um caldeirão cultural

Bm                       A

um caldeirão cultural

G

Toda periferia um caldeirão cultural

Eu misturo samba, funk, heavy, hippie, rock, xote, xaxado, rap embolado, soul de quem quiser

Estou na batida da Jamaica, do cubano, angolano, africano, suburbano pro que der e vier

Venha que venha e traz aí, pandeiro e tamborim, faz barulho que eu vou mostrar tim-tim-por-tim-tim

Até o fim, vê se se liga choque: essa parafernália é apenas pra te dar um toque,

Não é de ibope, é de idéia violenta, o bongô, a viola, mera ferramenta

Complementa tudo que eu tenho pra mostrar, mas o essencial é o que eu quero falar

Pode tirar o instrumental que eu falo de novo, pro povo que só come ovo, e isso quando dá

Pra ajudar que eu montei essa harmonia, a melodia contracena com a barriga vazia

Periferia, lugar onde tudo acontece, barriga cresce antes da hora de engravidar

Não dá pra estudar, talvez seja por isso compadre que esses covardes conseguem nos envenenar

A droga é fácil, ao meu povo ela corrói; se um tapinha não dói, é o que falam por lá

Pra nos matar, escravizar a periferia, transformar a resistência numa utopia

Mas fique sabendo que isso é impossível meu compadre, o bem sempre prevalece sobre a maldade

Essa é minha verdade, do que depende minha existência, exigir cultura, inibir violência

A paciência foi vencida foi vencida pelo cansaço, se governo não liga, eu meto a mão e faço

Um abraço esse é o meu mundo real, toda periferia um caldeirão cultural

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Ataque verbal

Tom G

                       C                                                                        D

Estamos cansados, pois somos constantemente humilhados,

                                                              C

ultrajados por um sistema todo errado

Sistema que não se conforma em ver

       Bm                                     G

um pobre consciente como eu e como você

Que não fica parado diante do que está errado, que não fica calado ao ser incomodado

Mas se ao contrário, você for um salafrário, não pense que aqui existe algum otário

Assuma a carapuça e admitia seu erro, a partir de agora você vai ter um pesadelo

Não adianta se esquivar, você não vai ter paz, onde você for a gente vai atrás

Lembra quando você estampou no jornal que um rapper não passava de um animal

Que nossa música não tinha nenhuma melodia, não poderia ser classificada como poesia

Que não sabemos cantar, que só sabemos gritar e nossas letras só serviam para reclamar

Mas se você não trata o pobre como seu irmão, não espere ouvir de mim palavras de satisfação

Foi você quem plantou o seu inferno astral, então segura a porrada, o ataque verbal

Primeiro… você não serve pra nada, não tem nenhum camarada, é o maior conversa fiada

Quem ia querer um amigo como você? Só adianta o próprio lado, não joga pra perder

Segundo que você é um tremendo racista, é o maior vigarista, que sempre deixa na pista

Seu vizinho lhe pediu ajuda, você ignorou, só porque ele não era da sua cor

Se você não entendeu esse recado “mermão”, Preste atenção

                G         Em                    C    D

Então segura o ataque “mermão”,

Cacau mandando a real, Dj Dmc no scratch e tal

Eu poderia simplesmente falar, mas você não ligaria, não iria escutar

Por isso que eu vou mandando a informação, acompanhada da base pra manter sua atenção

Através do discurso a gente te avisa, se não tiver recurso a gente improvisa

Eu peço a você que não fique assustado, você não está acostumado com o meu som pesado

Cozinha pesada, guitarra distorcida, porém acompanhada de mensagem positiva

Numa formação nada convencional, poesia suburbana, distorção social
Se liga na parada, nesse som porrada, ele entra em sua mente como uma martelada

Abala o seu tímpano, mas não te deixa surdo, massageia seu estômago com graves e agudos

Nós somos iguais, mas você não nos aceita, respeitamos você e você não nos respeita

Somos perseguidos, sempre encurralados, constantemente cercados por todos os lados

Mas não pense que eu tenho alguma mágoa a mais, você não pode me atingir, você não é capaz

Não fique bolado, eu uso a palavra certa, meu corpo não é fechado, a minha mente é que é aberta

Sempre aberta, com o verbo em destaque … a melhor defesa é o ataque
Sua mente está abalada, mas não está morta, eu só te dei essa porrada pra ver se você acorda

Me desculpe o mal jeito, não é nada pessoal … segura o ataque verbal

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Baixada Brothers no Hutus Rap Festival

A mosca

A Diversão

Indicado ao Hutuz 2000

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Hutuz 2003

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Sobre o Rio de Janeiro (a diversão)

Vou te falar sobre o Rio de Janeiro,  40º, carnaval o ano inteiro

Praia de manhã, futebol durante a tarde, a noite é badalada na cidade

Quero confessar que nasci foi para ganhar, caminho subindo o degrau dessa vida e não posso parar

Às vezes o caminho é complicado me deixando louco, porque o mundo está se direcionando para o fundo do poço

Seu moço, eu só quero me divertir. A sua farda não interfere o meu direito de ir e vir

Aqui pra sair não precisa ter dinheiro, isso não funciona no Rio de Janeiro

Uns jogando futebol, outros se bronzeando em baixo do sol, outros em baixo da ponte se esquivando do cerol

Todos nós sabemos que a diversão é uma coisa essencial; independente de cor, religião ou classe social

Pra compensar o dia a dia que por aí é um terror, como uma bateria que recarrega o bom humor

Após uma semana de trabalho para aliviar a tensão, após uma semana de estudo só a diversão

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A cultura

Rapaziada o Baixada Brothers tá chegando no pedaço, vacilou compadre um abraço

A minha rima sem sair de cima deixa que eu mesmo faço, bumbo centrado vai marcando o compasso

Saca o contratempo, mais rápido do que o vento, o pan aberto, meu quinto elemento

A caixa abafada, descompassada, dá porrada; deixa a batida rebelde, meio quebrada

Eu abro o meu segredo, não tenho medo, não tenho sócio; a bateria é que é a alma do negócio

Tem que ser tocada, caprichada, pra manter o clima; é feita em cima, duelando com a rima

Já é maluco, camarada; é bateria e voz. É nós, na fita não estamos sós

Guitarra sampleada dos anos 80, não é pesada; mas o swing complementa

King Kombo, Black Rio, Tim Maia, James Brown; criatividade criminal, criminal

40º é o clima desse partideiro, valorizo a influência do Rio de Janeiro

Toco pandeiro, giro ele como fosse vinil, atire a primeira pedra quem nunca curtiu

Zeca Pagodinho, Jovelina, Bezerra, Sérgio Meriti, Kid Moringueira

Sai Como Pode onde eu passei minha infância, Bloco do China não me sai da lembrança

Era criança, por tanto não me leve a mal, se você é radical, monocultura é o escambau

Berimbau, tamborim; tem que ser tocado assim. Mais e mais recursos é o melhor pra mim

Vou beber em todos os potes, isso é que é legal, toda periferia um caldeirão cultural

Eu misturo samba, funk, heavy, hippie, rock, xote, xaxado, rap embolado, soul de quem quiser

Estou na batida da Jamaica, do cubano, angolano, africano, suburbano pro que der e vier

Venha que venha e traz aí, pandeiro e tamborim, faz barulho que eu vou mostrar tim-tim-por-tim-tim

Até o fim, vê se se liga choque: essa parafernália é apenas pra te dar um toque,

Não é de ibope, é de idéia violenta, o bongô, a viola, mera ferramenta

Complementa tudo que eu tenho pra mostrar, mas o essencial é o que eu quero falar

Pode tirar o instrumental que eu falo de novo, pro povo que só come ovo, e isso quando dá

Pra ajudar que eu montei essa harmonia, a melodia contracena com a barriga vazia

Periferia, lugar onde tudo acontece, barriga cresce antes da hora de engravidar

Não dá pra estudar, talvez seja por isso compadre que esses covardes conseguem nos envenenar

A droga é fácil, ao meu povo ela corrói; se um tapinha não dói, é o que falam por lá

Pra nos matar, escravizar a periferia, transformar a resistência numa utopia

Mas fique sabendo que isso é impossível meu compadre, o bem sempre prevalece sobre a maldade

Essa é minha verdade, do que depende minha existência, exigir cultura, inibir violência

A paciência foi vencida foi vencida pelo cansaço, se governo não liga, eu meto a mão e faço

Um abraço esse é o meu mundo real, toda periferia um caldeirão cultural

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Meio ambiente

Publicado no portal Real hiphop em 30 de maio de 2003

A pergunta que não se cala:
Por que os países desenvolvidos não deixam os subdesenvolvidos se desenvolverem?
A mentalidade norte-americana trata a natureza, única e simplesmente, como fonte de matéria-prima. Não é de se espantar que eles sejam a maior economia do planeta e em conseqüência disso a que mais degrada a natureza.
Os seres humanos vivem uma busca incansável pela qualidade de vida. Esta qualidade, geralmente, está relacionada a bens de consumo; e não existe uma maneira de transformar recursos naturais em bens de consumo sem degradar a natureza. Para fabricar uma TV, um carro, geladeira, fogão; qualquer bem que nos gere conforto; existe um valor agregado, já que para se obter qualquer bem é necessário utilizar recursos naturais e esses recursos são esgotáveis.
Aproximadamente 10% da população do planeta têm acesso à qualidade de vida. Os recursos naturais disponíveis são suficientes para manter o conforto desse grupelho durante algumas décadas, mas com o crescimento da população, mas a cada dia mais recursos são necessários para dar conforto a um menor número de pessoas.
Se toda a população mundial for exigir seus direitos à qualidade de vida, os recursos naturais se esgotarão em menos de uma década. Munidos dessa informação, os ricos indisponibilizam a qualidade de vida ao resto da população, garantindo assim o seu próprio conforto.
Existem 3 caminhos a se seguir:
1- Nivelar por cima.
2- Nivelar por baixo.
3- Nivelar no meio.
Como eu já havia mostrado, a primeira opção é inviável; e os ricos, com consciência disso, investem na miséria alheia com o objetivo de garantir seu próprio conforto.
A segunda opção acontece à medida que a parte pobre da população começa a buscar a igualdade e exige os seus direitos. Já que os ricos não querem dividir a bonança, terão que dividir a desgraça.
A terceira opção é mudar a mentalidade que nos leva a esse modelo de viver para o dinheiro e quebrar esse elo que existe entre a qualidade de vida e os bens de consumo.
É nítido que a busca desenfreada pelo dinheiro tem uma conseqüência inevitável. Por quanto tempo os ricos acham que podem esconder essa informação dos pobres? Já está provado que esse modelo não funciona e quanto mais tempo levarmos para perceber isso será pior, porque as conseqüências da pobreza estão, a cada dia, mais evidentes.

Cacau Amaral

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