Haicai do dia

Um desafio /
Verão gera remoção /
Moro no Rio.

 

(Cacau Amaral)
Homenagem a Anderson Quack

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Retrospectiva 2011

O ano começou bem. 5 meses após o lançamento de 5X Favela, ainda estávamos em um ritmo forte. Levamos o filme pra São Paulo, no Instituto Criar, e trouxemos ele, pela primeira vez, pra minha casa. A projeção no Teatro Municipal de Duque de Caxias teve a presença de Cacá Diegues, Cadu, Felha e Wavá. Foi um dia de extremo extase pra mim. 

Depois de Caxias continuamos a peregrinação pela Baixada Fluminense. Xerém; Nova Iguaçu, onde fui homenageado pela escola de hip hop do Enraizados; Belford Roxo, no Donana. Ainda recebemos dois prêmios, em Anápolis, de melhor fotografia, e na Revista Contigo, onde o Bill recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora. 

6º Prêmio Contigo! de Cinema

Chegou a hora de conhecer o lado educacional do 5X. Fizemos as projeções com o Amigos da Escola e a projeção no CCBB, com recursos de acessibilidade. Esses dois eventos esquentaram os tamburins para uma de minhas melhores experiências. A aula do curso de pós-graduação “A favela filmada e cantada”, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais IFCS- UFRJ; que faz parte do pacote “As favelas cariocas e seu lugar na cidade. Aproximações ao debate”. Conheci os professores Luiz Antonio Machado da Silva, Márcia da Silva Pereira Leite, Marco Antonio da Silva Mello e passamos uma tarde inteira trocando ideias com alunos de mestrado, doutorado e graduação.

Também foi o ano que mais fiz programas de TV na faculdade. Cíntia Rosa, Heraldo Bezerra, Cadu Bacellos, Josinaldo Medeiros, Slow, são alguns dos nomes que entrevistei. Fomos para PUC, onde fizemos um curso e conhecemos as ferramentas para fazer conteúdos interativos. 

Com os professores Luiz Antonio Machado da Silva, Márcia da Silva Pereira Leite, Marco Antonio da Silva Mello, no IFCS- UFRJ

Criamos mais um site para fortalecer a comunicação duquecaxiense, o lurdinha.org. Lá foi o ambiente perfeito pra exercitar minhas habilidades não cinematográficas, com as histórias em quadrinhos de “As Aventuras de Super Angu“. O Canal Futura colocou eu e Slow em rede nacional pra falar meia hora sobre o cinema do Mate com Angu. 

Com toda essa correria, foi um prazer receber o Prêmio Baixada Fluminense 2011, em cerimônia no Teatro Municipal de Itaguaí. Melhor ainda foi estar junto com André e Eduardo, somando três prêmios pra Caxias. Em BH, reencontrei Fábio Féter e a galera do Favela é isso aí. Mais debate, mais cinema.

Terminei o ano com chave de ouro. A Mostra de Filmes Brasileiros em Chicago me levou para um monte de Universidades, onde passei o 5X Favela 8X, todas seguidas de debates. Muito bom. Com o término da campanha de lançamento, quando o interesse do público se volta para outros filmes, a universidade trás de volta nosso discurso e espalha pelo continente. 

Columbia College Chicago

Troquei muitas ideias com brasileiros fora de casa. Com saudades do Brasil, com vontade de conhecer a favela, correndo atrás de trabalho. Ainda deu tempo de passar em Nova York pra visitar os amigos Mila e Chico. Conhecer o tão falado metrô e o prédio onde nasceu nosso H2. 

1520 Sedgwick Avenue

Valeu 2011. Ah, gravei um clipe em Nova York. Em 2012 fica pronto.

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Reflexões sobre o infinito – referência circular

Como todo dia, saí do trabalho com uma tremenda vontade de dormir. Não sei se é o balanço do ônibus, já perguntei aos amigos (eles sentem a mesma coisa), não sei se é normal, só sei que tenho sono e pronto. Todo dia me pergunto se o melhor é ir pra faculdade ou pra casa deitar em minha cama e dormir. Depois de pouco tempo cai a ficha: se me proponho a estudar, se pago caro pra isso; por que dormiria? Entre ir pra casa dormir e ir pra faculdade, o melhor é ir pra faculdade e ponto. Nunca mais me questionarei sobre isso.

Ao chegar à faculdade ganhei um ingresso pro cinema e me veio nova questão: é melhor estudar ou ir ao cinema? Pô. Estudo todo santo dia. O cara me deu o ingresso na maior boa vontade. Qual o problema em deixar fluir um pouco de cultura? Entre estudar e ir ao cinema de graça, o melhor é ir ao cinema de graça.

Parado na fila do cinema bateu aquele soninho. Pensei – Pra quê entrar nessa projeção? Com o sono que tenho sentido, dormirei em cinco segundos. Dúvida cruel. Entre dormir no cinema e dormir em minha cama, indubitavelmente é melhor dormir em minha cama.

Em casa, deitado. Assim que preguei os olhos, minha memória fotográfica lembrou que entre dormir em casa e ir pra faculdade estudar o melhor é ir pra faculdade estudar, e isso seria inquestionável.

Percebi que estava diante de uma das maiores questões da humanidade: a referência circular.

Escrito para a Sessão infinito – Mate com Angu

Foto: Heraldo-HB

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A decupagem de “5X Favela” – por Cacau Amaral

A decupagem de 5X Favela, Agora por Nós Mesmos foi distribuída entre os cinco episódios do filme. Eu e Felha, é lógico, ficamos com Arroz e Feijão. O roteiro já estava pronto para os ensaios dos atores. Agora era a vez de fazermos uma decupagem para que toda equipe entendesse os caminhos previstos para o filme. É claro que durante as filmagens muita coisa seria mudada, mas de qualquer forma esse documento foi fundamental para nossa comunicação.

Primeiro fizemos descrições das ações em forma de texto. Depois partimos para uma planta baixa em cada sequência. Valeu a pena aprender a lidar com esses desenhos. Achava esse assunto muito complicado no início, mas depois de ter as aulas na Cufa, na Darcy Ribeiro e oficinas do 5X, não poderia deixar de dominar a coisa.

Durante as oficinas de direção, já íamos fazendo pequenas anotações em blocos, mensagens de celular e até guardanapos. Não podemos esquecer do toró de parpite: dos alunos das oficinas, professores, mulher do cafezinho, vigilante… Todo mundo contribuía como queria e podia.

Depois, eu e Felha, discutíamos tudo isso nas tradicionais reuniões em nosso escritório, na praça de alimentação do Shopping da Freguesia. A gente começava bem comportado, avaliando anotações e quando a linguagem escrita e falada já não era suficiente para explicarmos o inexplicável partíamos para as mímicas, chegando ao ponto de subir nas mesas e até gritar como doidos. Os clientes do shopping não entendiam nada.

Além das sequências, fizemos também a planta da favela diegética. Quando enviei esse arquivo para a equipe, pensaram que era uma piada de internet e foi a maior confusão. A favela diegética era uma planta de toda favela imaginária. Ela previa a distância entre as casas de Wesley e Orelha, o aviário, a Zona Sul, tudo. Assim podíamos ter mais na mão o tempo necessário para nossos heróis perambularem pela trama, já que as distâncias do filme são diferentes das da vida real.

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A direção de “Denny tu não tá sozinho não” – por Anderson Quack

Denny tu não tá sozinho não, é trecho da música de Serginho Meriti, Partidinho da Mangueira e do Denny de Lima, e também esse verso é título do filme que escolhi para ser tema da minha primeira direção cinematográfica, que eu realizei entre os anos de 2003 e 2006.

Dirigir esse filme foi um dos maiores desafios da minha vida até hoje, eu não tinha experiência isso já justificaria o grande desafio, eu dirigi com mais dois amigos Rodrigo Felha e Nino Brow o que faz do processo de direção algo mais complexo, por que são mais mãos, mais ideias e o tempo de realização aumenta consequentemente, no entanto o desafio final era vencer a barreira que existia entre o Denny artista e Denny meu tio… Essa linha tênue me fez algumas vezes ter vontade de desistir do filme, e na verdade pra minha surpresa os outros dois fatores, a direção coletiva e o despreparo, me faziam continuar, era como se uma dificuldade impulssionasse a outra, tornando todo o processo um desafio prazeroso…

Segui por tanto tempo fazendo um filme de curta metragem por que além das complexidades de filmar meu tio, discuitr o que fazer a seis mãos e não ter uma produção dando limites eramos nos por nos, também tinha a questão financeira. Acredito que pra primeira experiência nos saimos bem como diretores e aprendemos muitas lições do mundo cinematográfico, e hoje inclusive com excessão do Nino, eu e Felha seguimos a carreira de cineasta e estamos na estrada rodando nossos filmes, envolvidos com direção de programas de tv e tudo que diz respeito ao mundo do audiovisual e das artes e cultura em geral.

Hoje posso dizer que fui um privilegiado não só por ter feito o filme do Denny, mas por ter feito com a equipe que fiz, afinal, pra mim ali se dava um processo histórico onde antes meninos sonhadores e a transformação para então homens realizadores que a nossa grande marca hoje, e pra mim pelo menos isso se deu ali na feitura do filme do Denny tu não esta sozinho não, essa direção marcou pra sempre minha carreira,posso dizer que tudo que faço tenho a mesma dedicação carinho e respeito, mas o filme do Denny foi especial…

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A ideia de “Copa Vidigal” – por Luciano Vidigal

A favela do Vidigal sempre teve a tradição de organizar campeonatos de futebol como maior entretenimento e vulcão emocinal que existe na veia do brasileiro.
Infelizmente a guerra dos traficantes do Vidigal e da Rocinha durante os anos de 2005 a 2007 conseguiu cessar esse poder da alegria que o futebol trazia para os moradores do Vidigal e as favelas em torno. O genial professor de futebol Cypa resolveu usar a bola como arma e  organizou com seus alunos a Copa Vidigal – jogando pela paz com o obejtivo de resgatar a alegria para uma comunidade que se sentia traumatizada com a guerra do tráfico.

Olhei no olho do meu parceiro  fotógrafo Arthur Sherman e ele concordou que essa história dava samba. Resolvi formar o meu time, que faz o cinema brasileiro com muita raça, para mais uma batalha na realiazação de um filme. Entre esses parceiros  também estava o meu idolo do novo cinema carioca, o produtor e cineasta Cavi Borges. Nós do Morro e Cavideo juntos podem ser chance de gol.

A ideia do  documentário Copa Vidigal nasceu da alma do Cypa. Como cineasta pedi pra ele abrir as portas do campo de várzea da favela do Vidigal, nos convidar para entrar na sua vida pessoal e apresentar os ricos personagens que preenchiam o campeonato. Entre eles optamos pelo melhor goleiro da favela  Thiago Beição, o bi campeão, jogador e técnico Nélio, entre outros que nos ensinaram que vida nada mais é do que uma grande metáfora do futebol. Perdendo e ganhando, dentro e fora do campo.

Sem grana, com câmera na mão e microfones emprestados fomos em busca dessa causa cinematográfica com a humilde pretenção de mostrar um Brasil coerente, poético, alegre, humano, polêmico e diverso que está presente no inconsciente coletivo. Rec apertado e mentes abertas da equipe para o poder do acaso e revelador que o documentário pode trazer para seus realizadores e público futuro.

O meu maior questionamento como artista e cineasta era entre o poder negativo da arma, o poder positivo da bola e a paixão incontrolável depositada no fenômino viceral que é futebol  brasileiro…

CYPA

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A ideia de “1 Ano e 1 Dia” – por Cacau Amaral

A ideia de realizar “1 Ano e 1 Dia” surgiu a partir da necessidade dos moradores do assentamento “17 de Maio”. Eles queriam ter um documento audiovisual para ajudar no processo de ocupação da terra, já que sofriam uma violência enorme, patrocinada pelos grileiros.

Eu, João Xavi e Rafael da Costa não tínhamos experiência em direção. Eu nem mesmo sabia onde inscrever um filme ou mesmo exibir. Minha única experiência havia sido um videoclipe. Achava que nosso documentário seria assistido apenas pelos moradores do assentamento, amigos e familiares. Jamais imaginamos que o filme viajaria o país inteiro, e mais tarde o mundo.

A busca pela realização do videoclipe me levou a conhecer o cinema russo. Acho que essa foi uma de minhas maiores influências quando discutimos a ideia de “1 Ano e Dia”. Outra coisa relevante é que havia comprado uma filmadora mini DV para filmar o clipe. Pedi demissão da oficina onde trabalhava e usei todo o dinheiro pra comprar a filmadora. Acho que possuir uma filmadora foi um dos principais motivos para João e Rafael me convidarem pro filme.

Isso aconteceu em 2003, 2004. Pouquíssimas pessoas possuíam essas filmadoras, tão comum atualmente. Essa disponibilidade da tecnologia contribuiu em grande parte, talvez uma das maiores contribuições para todo o filme e principalmente para minha presença na direção. Tanto no que diz respeito ao equipamento de filmagem, como também para edição.

Avaliando esses motivos, percebo que naquela época não era tão diferente de hoje. Muitas pessoas não fazem um filme porque acham que precisam de um motivo especial, uma ideia genial; quando na verdade essa coisa pode aparecer de onde você menos espera. O que acho que realmente vale nessas horas é a vontade de se fazer um filme. Depois aparecem outros fatores, não menos importantes; mas acho que a vontade do se humano deve ser soberana.

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Oficina de cinema – índice

1- Ideia
—-1.1- Por Luciano Vidigal
—-1.2- Por Cacau Amaral
2- Pesquisa
3- Argumento
—-3.1- Qual a função política do documentário? – Por Cacau Amaral
4- Roteiro
—-4.1- Oficine-se de Paz
—-4.2- Oficina de Roteiro – Mate com Angu – Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu
5- Decupagem
—-5.1- Por Cacau Amaral
6- Equipe
7- Elenco
8- Direção
-8.1- Por Anderson Quack
9- Assistência de direção
10- Direção de atores
11- Ensaios
12- Produção
13- Filmagem
—-13.1- Por Cacau Amaral
14- Direção de arte
15- Figurino
—-15.1- Por Fabíola Trinca – Riscado
—-15.2- Por Fabíola Trinca – Atlântico
16- Maquiagem
17- Fotografia
18- Som
19- Continuidade
20- Still
21- Edição de imagens
22- Edição de som
23- Finalização
24- Outros
—-24.1- Oficina de Documentário – Mate com Angu – Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu
—-24.2- Filmes do Mate (que passaram no)
25- Divulgação
—-25.1- 1 ano e 1 dia – o filme
—-25.2- Melhor que um poema – o filme
—-25.3- Guerreiras do Brasil – o filme
—-25.3- Oficina CUFA – Ficção, Documentário, Videoclipe e Publicidade
26- Veiculação
27- Festivais
28- Prêmios
29- Análise
—-29.1- Ciclo de Debates no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais IFCS- UFRJ

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5X Favela em Belford Roxo

“5X Favela, Agora por Nós Mesmos” volta a ser exibido na baixada Fluminense. Desta vez no Centro cultural Donana, em Belford Roxo. Sou completamente suspeito pra falar do Donana. O Mate com Angu frequentou os eventos realizados lá, no final da década de 1980, e retornou muitos anos depois para documentar essa história com o filme “Donana”, que está em fase de edição.

Fiz questão de reforçar essa ideia durante o debate pós-projeção. Após Dida Nascimento, que coordena o local, me apresentar como diretor do 5X e fazermos aquele já tradicional bate-papo com o público; discutimos a importância da presença da comunidade no espaço e a necessidade de fazermos novos filmes.

Dida levantou uma bola sobre isso, pegando um gancho na realização de “1 Ano e 1 Dia”, meu primeiro filme. Na ocasião não pensava em ser cineasta. Filmei por necessidade do próprio assentamento e pensava em mostrar apenas para meus vizinhos. Mas hoje é um dos filmes mais importantes pra mim.

Os moradores do bairro Piam se interessaram muito com a possibilidade de filmar a própria história e uma das primeiras perguntas foi sobre o orçamento de um filme. Lembro que quando filmamos “1 Ano e 1 Dia”, praticamente não tivemos custo e acabamos ganhando três prêmios. Já nosso segundo filme, “Melhor que um Poema”, custou 40 vezes mais caro e recebeu apenas um prêmio.

Não acho que prêmios sejam um parâmetro para definir um bom filme, mas neste caso servem para ilustrar que o orçamento não é a única forma para isso. Um orçamento bem fechado é peça fundamental para um bom filme, mas a falta de dinheiro não pode ser motivo para impedir as pessoas de filmar.

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5X Favela no Vidigal

Palco de um dos episódios de “5X Favela, Agora pro Nós Mesmos” e um dos maiores formadores do elenco para o filme. O Vidiga, como não poderia deixar de ser, comemorou muito a presença dos atores Juan Paiva, Dila Guerra e Marília Coelho na projeção de fim de ano. Luciana Bezerra e Luciano Vidigal também estavam presentes, representando o bonde dos diretores.

Enquanto o Rio de Janeiro sofria com o caos no trânsito causado pelo incêndio na Linha Amarela, o Vidigal lotava a sessão. Como não pude estar presente liguei pra Luciana, que me deu toda planta do evento. Depois do filme, o tradicional bate-papo com o público encerrou o ano de projeções do Cineclube do Nós do Morro.

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